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Atualizado 24 de janeiro de 2026 por Sergio A. Loiola

Pesquisas de Neurociência e Biologia Evolutiva sugerem que o Autismo seria parte de um processo de variação resultante evolução Biológica e Seleção Cognitiva, devido a evolução acelerada do cérebro.

A pesquisa foi publicada na Revista Molecular Biology and Evolution.

Representação da evolução humana. Imagem gerada pelo Gemini, IA do Google.

A seguir veremos como os cientistas alcançaram os novos resultados acerca do que seria o autismo, e quais as implicações para compreensão deste comportamento. Em texto, imagens e vídeos.

Se o autismo seria resultado da evolução acelerada do cérebro significa que as abordagens para lidar com esse comportamento deveriam ser aperfeiçoadas? Deixe seu comentário no final!

Vídeo 1: Autismo pode ser efeito colateral da evolução

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Vídeo 2: Como é o Cérebro Autista

Vídeo 3: Seria o autismo uma herança dos neandertais?

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Autismo Seria Transtorno ou uma condição normal em uma sociedade que impõe médias normóticas de comportamento?

A compreensão contemporânea do Transtorno do Espectro Autista (TEA) atravessa um momento de ruptura paradigmática.

Apesar de historicamente ser enquadrado principalmente sob a ótica de alterações cerebrais que dificultam a vida em sociedade, agora o autismo começa a ser reavaliado.

A compreensão contemporânea do Transtorno do Espectro Autista (TEA) atravessa um momento de mudança — Foto: Freepik

Novas correntes da Psicologia Evolucionista e da Genética de Populações começam a apontar a possibilidade de se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e talvez até amplificada, pela seleção natural.

Afinal, esse transtorno de desenvolvimento, que costuma causar dificuldades de comunicação, de interação social e alterações sensoriais significativas, muitas vezes também está acompanhado de habilidades notáveis.

E o aumento de indivíduos com capacidades excepcionais de sistematização e reconhecimento de padrões sugere que o futuro da organização social humana poderá ser profundamente influenciado pela neurodivergência.

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Autismo seria parte de um processo de variação estratégica mantida pela evolução Biológica e Seleção Cognitiva da espécie

A base para essa hipótese foi reforçada com o trabalho seminal de Starr e Fraser, da universidade de Stanford, publicado recentemente na revista científica Molecular Biology and Evolution.

Os autores fornecem um mecanismo celular preciso dessa mudança.

O estudo analisou um tipo de neurônio excitatório (que libera sinais para ativar outros neurônios) do neocórtex, algo crucial para a cognição humana complexa.

Tipos de células neuronais mais comuns evoluem mais lentamente do que tipos raros. a) Justificativa para a hipótese de que tipos neuronais mais comuns podem evoluir mais lentamente do que tipos mais raros. Uma mudança na expressão gênica em um tipo celular comum tem um grande efeito negativo na aptidão, enquanto a mesma mudança em um tipo celular mais raro tem um efeito menor. Imagem: Artigo: https://academic.oup.com/mbe/article/42/9/msaf189/8245036?login=false

Eles descobriram que esses neurônios evoluíram em uma velocidade excepcionalmente rápida na linhagem humana, em comparação com outros primatas.

O dado mais surpreendente que eles observaram é que essa evolução acelerada coincidiu com uma queda acentuada na expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente associada a um maior risco de diagnóstico de TEA.

Isso indica que a evolução responsável por altas funções cognitivas pode ter tido como trade-off evolutivo a redução na expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento.

Ou seja, as mesmas pressões seletivas que refinaram a inteligência humana e nossa capacidade de processamento complexo aumentaram, como subproduto, a prevalência de traços autísticos.

Isso nos faz pensar que no ambiente ancestral, esse perfil cognitivo provavelmente oferecia vantagens evolutivas vitais.

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Teoria do acasalamento assortativo e outros indícios de teorias

Um fenômeno que corrobora essa visão evolutiva é o aumento expressivo na prevalência do autismo. Dados do Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada dentro desse espectro.

Embora parte desse crescimento se deva à mudança nos critérios diagnósticos e maior conscientização, há um debate na comunidade científica se não podem haver outros fatores que estejam contribuindo para esses números.

Não podemos controlar tudo na vida, mas podemos, definitivamente, nos controlar. Jan McKingley Hilado

A tendência tem sido relatada em muitos estudos, principalmente em países de alta renda como EUA, Reino Unido, Dinamarca, Coreia do Sul e Japão.

Diferente de hipóteses pseudocientíficas e ambientais sem comprovação, como a hipótese ambiental sugerida pelo secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy, os dados apresentados por Star e Fraser sugerem que pode haver um aumento real impulsionado pelos mecanismos genéticos descritos anteriormente.

O psicólogo e neurocientista Britânico Simon Baron-Cohen propôs a teoria do acasalamento assortativo. Segundo ela, a sociedade moderna, ao agrupar pessoas com traços de personalidade “sistematizadores” em polos tecnológicos e universidades, facilita a união reprodutiva entre indivíduos com perfil genético semelhante.

O resultado seria um aumento na frequência de descendentes que herdam uma “dose dupla” de genes associados a altas habilidades de sistematização, o que também eleva a probabilidade de manifestação do autismo.

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O autismo parece ser parte integrante e crescente da nossa evolução

Mesmo que perfis com alto poder cognitivo sejam apenas uma parte do espectro do TEA, proponho aqui pensarmos sobre a possibilidade de um cenário distópico.

Caso a seleção natural favoreça mesmo cada vez mais nascimentos de gênios neurodiversos e menos de pessoas com fenótipos alternativos, esse futuro hipotético traz implicações sociológicas interessantes.

Nos símbolos universais do autismo, a evolução sobre a compreensão do transtorno: o mais antigo, um quebra-cabeça, sinaliza a dificuldade da sociedade de compreender as pessoas do espectro. Depois, a fita da conscientização, criado em 1999, que representa a diversidade e a inclusão dos autistas na sociedade. Por fim, o símbolo do infinito, elaborado pela própria comunidade autista, que expressa a esperança e o potencial de crescimento das pessoas com TEA. Reprodução / Internet

Afinal, como a sociedade estaria preparada para essa inversão, caso o que é considerado o funcionamento cerebral típico de hoje se tornasse o atípico de amanhã (e vice-versa)?

É possível recair num argumento sensacionalista, sobre os perigos do surgimento de uma elite cognitiva que poderia passar a ver a população que atualmente é considerada neurotípica como ineficiente.

Mas, paradoxalmente, essa ideia entra em conflito com uma das principais reivindicações atuais da comunidade autista: o combate ao capacitismo.

Em conclusão, o autismo parece ser parte integrante e crescente da nossa evolução.

Os sistemas educacionais, que hoje enfrentam grande dificuldade na inclusão de crianças e adolescentes com necessidades especiais, precisam ser aprimorados urgentemente.

Devemos considerar as diferenças como um aspecto positivo da diversidade humana. Uma sociedade verdadeiramente evoluída não é aquela que seleciona os “gênios”, mas aquela que é capaz de ser inclusiva, garantindo dignidade e espaço para todos os tipos de mentes. Essa é a condição essencial para o futuro da humanidade.

Política de Uso

Revista Molecular Biology and Evolution

A general principle of neuronal evolution reveals a type of neuron with accelerated development in humans, potentially responsible for the high prevalence of autism in the human population.

doi.org/10.1093/molbev/msaf189

The Conversation

Neurociência e estudos de biologia evolutiva indicam: autismo pode ser o próximo passo da evolução humana

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Pesquisas: Autismo Seria Reflexo da Evolução Biológica e Seleção Cognitiva | Nature & Space

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