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Atualizado 16 de fevereiro de 2026 por Sergio A. Loiola

Arqueólogos na América do Norte identificaram a peça de roupa de couro mais antiga já encontrada, em uma caverna no Oregon, da era glacial, com impressionantes 12 mil anos!

Mais do que proteção contra o frio, essa peça é um testemunho da sofisticação e da cultura dos primeiros habitantes das Américas.

A pesquisa foi publicada na Revista Science Advances.

A pele costurada, a fibra da pele, os cordões trançados e a casca com nós foram descobertos originalmente em 1958. (Crédito da imagem: Rosencrance et al, Science Advances (2026)

Descubra como nossos ancestrais ‘se vestiam para a sobrevivência’ nesta viagem no tempo pela história da moda e da civilização.

A seguir veremos os achados arqueológicos de roupas de couro costuradas e como os antigos humanos usavam suas roupas para se proteger do frios estremo do glacial. Em texto, imagens e vídeos.

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Como os indígenas americanos usavam tecnologia complexa para costurar? Quando começaram a desenvolver roupas costuradas? As roupas foram uma adaptação ao frio extremo? Deixe seu comentário no final!

Vídeo 1: Agulhas de costura pré-históricas reescrevem a ‘história da moda’

Vídeo 2: Quando começamos a usar roupas?

Vídeo 3: MÚMIAS PARACAS | Os tecidos mais antigos das Américas!

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Indígenas americanos há 12 mil anos usavam tecnologia complexa para sobreviver às temperaturas extremas da era glacial e como expressão social

Tecnologias estrutural e funcionalmente complexas foram um elemento definidor das sociedades do Pleistoceno Superior, mas exemplos físicos delas permanecem extremamente raros no registro arqueológico, pois a maioria era feita de matérias-primas perecíveis. 

A pele costurada, a fibra da pele, os cordões trançados e a casca com nós foram descobertos originalmente em 1958. (Crédito da imagem: Rosencrance et al, Science Advances (2026)

Por isso a grande relevância do estudo que descobriu as roupas costuradas mais antigas do mundo, pedaços de pele de animal que povos indígenas costuraram com cordas de origem vegetal e animal e depois deixaram em uma caverna no Oregon há cerca de 12 mil anos, durante a última era glacial.

Um arqueólogo amador descobriu as peles costuradas em 1958, mas o novo estudo é o primeiro a datar os artefatos.

Os artefatos de madeira da CMC.(O painel ( A ) é uma ilustração de uma armadilha Paiute Deadfall e o painel ( B ) são imagens dos artefatos de madeira. Imagem: Artigo Science: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.aec2916

Em seu artigo, a equipe determinou que 55 peças de materiais animais e vegetais trabalhados, previamente desenterradas em duas cavernas no Oregon — incluindo peles costuradas, cordas e barbantes — datam do Dryas Recente, um período de resfriamento repentino que ocorreu entre 12.900 e 11.700 anos atrás.

O couro costurado, as cordas e as agulhas mostram como os indígenas americanos usavam tecnologia complexa para sobreviver às temperaturas congelantes do final da última era glacial e como meio de expressão social.

A descoberta fornece evidências claras de que os povos indígenas da América do Norte se protegiam do frio mais intenso usando uma tecnologia complexa feita de materiais perecíveis.

Vídeo 1: Agulhas de costura pré-históricas reescrevem a ‘história da moda’

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Confecção de roupas justas costuradas veda melhor contra o frio, mas não se sabe quando os humanos começaram a usar roupas

Costurar pedaços de pele permitia a confecção de roupas justas, que proporcionavam mais aquecimento do que as simples vestimentas de pele drapeadas e folgadas.

Seleção de artefatos de madeira e fibra das Cavernas de Paisley. Imagem: Artigo Science: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.aec2916

As roupas, juntamente com outras tecnologias necessárias para manter as pessoas aquecidas, eram essenciais para a residência permanente em latitudes setentrionais, incluindo áreas da América do Norte.

Mas não se sabe exatamente quando os humanos começaram a usar roupas, e a natureza perecível dos materiais faz com que elas sejam raramente encontradas.

Até o momento, existem apenas quatro sítios arqueológicos — todos no Oregon e em Nevada — onde foram descobertos artefatos animais e vegetais não ósseos do Pleistoceno Superior no Hemisfério Ocidental.

O Pleistoceno Superior abrangeu o período de 126.000 a 11.700 anos atrás e inclui a última era glacial.

Segundo o estudo, arqueólogos já haviam descoberto duas das maiores coleções de ferramentas perecíveis do Pleistoceno Superior do mundo na Caverna Cougar Mountain e nas Cavernas Paisley, no Oregon.

Mapa de sítios arqueológicos nas Américas com materiais perecíveis e agulhas de osso datados do Pleistoceno Superior. Imagem: Artigo Science: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.aec2916

Esses artefatos incluíam 37 cordas de fibra, cestos e nós; 15 utensílios de madeira; e três peles costuradas.

Rosencrance e sua equipe usaram a datação por radiocarbono para determinar a idade desses artefatos e confirmaram que todos datam do Dryas Recente.

As cordas eram trançadas com três fios e feitas de fibras de artemísia, apocino, zimbro e bitterbrush. Como as cordas variavam de 0,33 a 2,5 centímetros de largura, provavelmente eram usadas para diversos fins, escreveram os pesquisadores no estudo.

Os três pedaços de pele animal haviam sido processados ​​e depilados, com um cordão feito de uma combinação de fibra vegetal e pelo animal costurado nas laterais.

A pele costurada data de entre 12.600 e 11.880 anos atrás, e uma análise da composição química das peles revelou que elas pertenciam a alces norte-americanos (Cervus canadensis).

Os sapatos mais antigos conhecidos no mundo também são de uma caverna no Oregon e datam de cerca de 10.400 anos atrás.

Vídeo 2: Quando começamos a usar roupas?

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Mais do que proteção contra o frio, essa peça é um testemunho da sofisticação e da cultura dos primeiros habitantes das Américas

Os autores do novo estudo também examinaram 14 agulhas ósseas com orifício e três sem orifício, previamente descobertas na Caverna Cougar Mountain e nas Cavernas Paisley, bem como nas Cavernas Connley e no Abrigo Rochoso de Tule Lake, nas proximidades.

Agulhas e adornos de osso trabalhados encontrados nas cavernas Connley (C a M e V a Y), na caverna Cougar Mountain (N a P), nas cavernas Paisley (Q) e no abrigo rochoso de Tule Lake (R a U). O adorno de porco-espinho está identificado com a letra V.(Crédito da imagem: Rosencrance et al, Science Advances (2026)

Além disso, analisaram quatro possíveis itens ornamentais encontrados nas Cavernas Connley, incluindo um dente de porco-espinho com um furo na parte superior e linhas riscadas na superfície.

Tecnologia lítica usada pelo grupo.  Pontas de projétil Haskett da CMC, mostrando padrões típicos de quebra e reafiação. Imagem: Artigo Science: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.aec2916

Segundo Rosencrance, agulhas de osso com orifício desapareceram do registro arqueológico no Oregon há cerca de 11.700 anos, o que sugere que roupas justas se tornaram menos importantes com o aquecimento do clima.

A Caverna Cougar Mountain e as Cavernas Paisley, no Oregon, EUA, apresentam os restos físicos mais antigos conhecidos de couro costurado.

A pesquisa forneceu dados sobre agulhas de osso com orifício provenientes de quatro sítios regionais, mostrando que elas estão entre as agulhas de osso mais refinadas produzidas no Pleistoceno.

Assim, o estudo ilumina a complexa interação entre cultura, clima e tecnologia no Pleistoceno.

Vídeo 3: MÚMIAS PARACAS | Os tecidos mais antigos das Américas!

Bibliografia

Revista Science Advances

Complex perishable technologies from the North American Great Basin reveal specialized Late Pleistocene adaptations

DOI: 10.1126/sciadv.aec2916

Política de Uso

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