Atualizado 16 de fevereiro de 2026 por Sergio A. Loiola
Arqueólogos na América do Norte identificaram a peça de roupa de couro mais antiga já encontrada, em uma caverna no Oregon, da era glacial, com impressionantes 12 mil anos!
Mais do que proteção contra o frio, essa peça é um testemunho da sofisticação e da cultura dos primeiros habitantes das Américas.
A pesquisa foi publicada na Revista Science Advances.

Descubra como nossos ancestrais ‘se vestiam para a sobrevivência’ nesta viagem no tempo pela história da moda e da civilização.
A seguir veremos os achados arqueológicos de roupas de couro costuradas e como os antigos humanos usavam suas roupas para se proteger do frios estremo do glacial. Em texto, imagens e vídeos.
Como os indígenas americanos usavam tecnologia complexa para costurar? Quando começaram a desenvolver roupas costuradas? As roupas foram uma adaptação ao frio extremo? Deixe seu comentário no final!
Vídeo 1: Agulhas de costura pré-históricas reescrevem a ‘história da moda’
Vídeo 2: Quando começamos a usar roupas?
Vídeo 3: MÚMIAS PARACAS | Os tecidos mais antigos das Américas!
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Indígenas americanos há 12 mil anos usavam tecnologia complexa para sobreviver às temperaturas extremas da era glacial e como expressão social
Tecnologias estrutural e funcionalmente complexas foram um elemento definidor das sociedades do Pleistoceno Superior, mas exemplos físicos delas permanecem extremamente raros no registro arqueológico, pois a maioria era feita de matérias-primas perecíveis.

Por isso a grande relevância do estudo que descobriu as roupas costuradas mais antigas do mundo, pedaços de pele de animal que povos indígenas costuraram com cordas de origem vegetal e animal e depois deixaram em uma caverna no Oregon há cerca de 12 mil anos, durante a última era glacial.
Embora seu uso exato seja desconhecido, a pele costurada é “muito provavelmente um fragmento de roupa ou calçado“, o que representaria o único item de vestuário conhecido recuperado do Pleistoceno até o momento, escreveram os pesquisadores no estudo.
Um arqueólogo amador descobriu as peles costuradas em 1958, mas o novo estudo é o primeiro a datar os artefatos.

Em seu artigo, a equipe determinou que 55 peças de materiais animais e vegetais trabalhados, previamente desenterradas em duas cavernas no Oregon — incluindo peles costuradas, cordas e barbantes — datam do Dryas Recente, um período de resfriamento repentino que ocorreu entre 12.900 e 11.700 anos atrás.
O couro costurado, as cordas e as agulhas mostram como os indígenas americanos usavam tecnologia complexa para sobreviver às temperaturas congelantes do final da última era glacial e como meio de expressão social.
A descoberta fornece evidências claras de que os povos indígenas da América do Norte se protegiam do frio mais intenso usando uma tecnologia complexa feita de materiais perecíveis.
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Vídeo 1: Agulhas de costura pré-históricas reescrevem a ‘história da moda’
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Confecção de roupas justas costuradas veda melhor contra o frio, mas não se sabe quando os humanos começaram a usar roupas
Costurar pedaços de pele permitia a confecção de roupas justas, que proporcionavam mais aquecimento do que as simples vestimentas de pele drapeadas e folgadas.
“Já sabíamos que sim, só tínhamos que supor e imaginar como eram”, disse Richard Rosencrance , autor principal do estudo e pesquisador de doutorado em antropologia na Universidade de Nevada, Reno.
“Eles eram costureiros habilidosos e dedicados durante a Era do Gelo.”

As roupas, juntamente com outras tecnologias necessárias para manter as pessoas aquecidas, eram essenciais para a residência permanente em latitudes setentrionais, incluindo áreas da América do Norte.
Mas não se sabe exatamente quando os humanos começaram a usar roupas, e a natureza perecível dos materiais faz com que elas sejam raramente encontradas.
Até o momento, existem apenas quatro sítios arqueológicos — todos no Oregon e em Nevada — onde foram descobertos artefatos animais e vegetais não ósseos do Pleistoceno Superior no Hemisfério Ocidental.
O Pleistoceno Superior abrangeu o período de 126.000 a 11.700 anos atrás e inclui a última era glacial.
Segundo o estudo, arqueólogos já haviam descoberto duas das maiores coleções de ferramentas perecíveis do Pleistoceno Superior do mundo na Caverna Cougar Mountain e nas Cavernas Paisley, no Oregon.

Esses artefatos incluíam 37 cordas de fibra, cestos e nós; 15 utensílios de madeira; e três peles costuradas.
Rosencrance e sua equipe usaram a datação por radiocarbono para determinar a idade desses artefatos e confirmaram que todos datam do Dryas Recente.
As cordas eram trançadas com três fios e feitas de fibras de artemísia, apocino, zimbro e bitterbrush. Como as cordas variavam de 0,33 a 2,5 centímetros de largura, provavelmente eram usadas para diversos fins, escreveram os pesquisadores no estudo.
Os três pedaços de pele animal haviam sido processados e depilados, com um cordão feito de uma combinação de fibra vegetal e pelo animal costurado nas laterais.
A pele costurada data de entre 12.600 e 11.880 anos atrás, e uma análise da composição química das peles revelou que elas pertenciam a alces norte-americanos (Cervus canadensis).
Os sapatos mais antigos conhecidos no mundo também são de uma caverna no Oregon e datam de cerca de 10.400 anos atrás.
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Vídeo 2: Quando começamos a usar roupas?
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Mais do que proteção contra o frio, essa peça é um testemunho da sofisticação e da cultura dos primeiros habitantes das Américas
Os autores do novo estudo também examinaram 14 agulhas ósseas com orifício e três sem orifício, previamente descobertas na Caverna Cougar Mountain e nas Cavernas Paisley, bem como nas Cavernas Connley e no Abrigo Rochoso de Tule Lake, nas proximidades.

Além disso, analisaram quatro possíveis itens ornamentais encontrados nas Cavernas Connley, incluindo um dente de porco-espinho com um furo na parte superior e linhas riscadas na superfície.
“A abundância de agulhas de osso e a presença de itens de adorno e agulhas com orifícios muito finos sugerem que as roupas eram mais do que uma estratégia utilitária de sobrevivência, sendo também uma forma de expressão e identidade”, escreveram os autores.
“Essas evidências vão além das suposições convencionais para confirmar que os povos do Pleistoceno nas Américas usavam roupas tanto como tecnologia de sobrevivência quanto como prática social.”

Segundo Rosencrance, agulhas de osso com orifício desapareceram do registro arqueológico no Oregon há cerca de 11.700 anos, o que sugere que roupas justas se tornaram menos importantes com o aquecimento do clima.
A Caverna Cougar Mountain e as Cavernas Paisley, no Oregon, EUA, apresentam os restos físicos mais antigos conhecidos de couro costurado.
A pesquisa forneceu dados sobre agulhas de osso com orifício provenientes de quatro sítios regionais, mostrando que elas estão entre as agulhas de osso mais refinadas produzidas no Pleistoceno.
Assim, o estudo ilumina a complexa interação entre cultura, clima e tecnologia no Pleistoceno.
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Vídeo 3: MÚMIAS PARACAS | Os tecidos mais antigos das Américas!
Bibliografia
Revista Science Advances
DOI: 10.1126/sciadv.aec2916
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