Atualizado 1 de maio de 2026
Biólogos descobriram que alertas de ameaças e medo dos animais da Amazônia é compartilhado por muitas espécies como em uma rede de “internet” de comunicação além dos nichos, moldando a comunidades animais.
A pesquisa foi publicada na Revista Current Biology.
Estaríamos começando a desvendar as complexas comunicações intraespecíficas das comunidades animais ao identificar fluxos de informações que atravessa nichos ecológicos e fronteiras taxonômicas?

A seguir veremos como os animais estabeleceram uma complexa rede de cooperação emitindo chamados de alarme enquanto escutam os de outras. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Como monitorar os animais que vivem na Amazônia?
Vídeo 2: Animais selvagens da Amazônia
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A floresta amazônica não reside apenas em sua biodiversidade, mas em sua sofisticada rede de comunicação das comunidades animais
A complexidade da floresta amazônica não reside apenas em sua biodiversidade, mas em sua sofisticada rede de comunicação das comunidades com grande biodiversidade de animais.
Há muito tempo observadores de aves, primatas e outros mamíferos reportam que parece haver uma comunicação sincronizada entra os animais nas florestas.
Agora pesquisadores mapearam uma ‘internet da floresta’ Amazônica, revelando que animais no dossel, como aves e macacos, compartilham alertas de ameaças como em uma rede de informações cooperativa.

Como relataram os pesquisadores, redes de comunicação interespecífica sobre ameaças podem moldar comunidades animais, visto que muitas espécies emitem chamados de alarme enquanto escutam os de outras, resultando em fluxo de informações que atravessa nichos ecológicos e fronteiras taxonômicas.
Algumas espécies contribuem desproporcionalmente para essas redes por serem particularmente vigilantes, precisas na detecção de predadores e consistentes na emissão de chamados de alarme.
Esses informantes-chave influenciam a forma como outros percebem o perigo e produzem informações utilizadas em diversos grupos taxonômicos.
Além disso, encontros com predadores por si só também podem alterar a paisagem sonora de forma mais ampla, produzindo breves sinais relacionados ao risco que alcançam muitos ouvintes.

No entanto, informações sobre como a informação relacionada a predadores se espalha pelas comunidades animais ainda são pouco compreendidas.
Para alcançar resultados mais rápidos, os pesquisadores montaram um “laboratório experimental in sito”.
Em uma região remota da Amazônia peruana, de forma inusitado, com um especialista falcoeiro e aves de rapina treinadas, eles provocaram deliberadamente o medo na floresta.
É importante ressaltar que o objetivo não era assustar os animais, mas sim observar o que aconteceria em seguida.
E os resultados que levariam muitos anos vieram mais rápido.
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Vídeo 1: Como monitorar os animais que vivem na Amazônia?
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A floresta tropical está interligada por uma rede de informações, onde o medo de uma espécie pode ser um alerta para todas as outras
Durante a pesquisa os biólogos examinara a disseminação de informações sobre predadores em uma comunidade animal megadiversa nas florestas de planície da Amazônia peruana (compreendendo mais de 370 espécies de aves e 10 de primatas).
O foco da pesquisa foi para duas características em nível de espécie, massa corporal e estrato de forrageamento, se relacionam com a probabilidade de uma espécie propagar tais informações.

Para simular a propagação de alarmes, ou seja, quando um indivíduo emite um sinal de alarme após ouvi-lo, entre diferentes espécies e estratos florestais, reproduziram combinações de chamados de alarme urgentes de uma ou mais espécies, incluindo aves e primatas, que diferiam em tamanho corporal e estrato florestal (copa versus sub-bosque).
Em seguida, registraram as respostas das comunidades de aves e primatas em termos de propagação de alarmes e mudanças gerais na paisagem sonora.
As duas primeiras classes incluíam primatas e aves, enquanto as duas últimas incluíam apenas aves, pois não há primatas com menos de 100 g na comunidade.
As gravações de reprodução consistiam em pares de chamados de alarme, tanto de espécies da mesma classe de tamanho corporal e estrato quanto de espécies diferentes.
Quando da mesma classe de tamanho corporal e estrato, os pares de chamados de alarme podiam ser da mesma espécie ou de espécies diferentes.

Após o laboratório experimental estabelecido viram resultados surpreendentes.
Quando pássaros e macacos avistaram as aves de rapina, emitiram chamados de alarme. Os cientistas gravaram esses alertas e os reproduziram na floresta para observar como outros animais reagiriam.
O que eles descobriram sugere que a floresta tropical está interligada por uma rede de informações compartilhadas que se move rapidamente, onde o medo de uma espécie pode se tornar rapidamente um alerta para todas as outras.
O estudo mostra que, quando alguns animais detectam um predador, seus chamados de alarme não se restringem à sua própria espécie.
Outros animais ouvem os sons, compreendem o perigo e, muitas vezes, transmitem a mensagem. Por um breve instante, a floresta parece se conectar a uma espécie de sistema de transmissão de emergência.
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Os animais, aves ou mamíferos, compartilham predadores, reconhecem os avisos uns dos outros, e em seguida, divulgam para os outros
Os cientistas já sabiam que algumas aves reagem aos chamados de alarme de outras aves. Em alguns casos, elas respondem até mesmo a avisos emitidos por animais completamente diferentes, incluindo primatas.
O que não estava tão claro era o quão comum esse comportamento realmente é em toda uma comunidade.
Essa foi a questão central deste projeto do Laboratório de Medo da Floresta da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz.
Os pesquisadores queriam saber até que ponto esses avisos se espalhavam e quais animais eram mais importantes para mantê-los em movimento.

“Os animais, independentemente da diversidade da comunidade – sejam aves ou mamíferos – compartilham predadores. Portanto, eles reconhecem os avisos uns dos outros”, disse o coautor do estudo, Ari Martínez, professor assistente de ecologia e biologia evolutiva.
“Cabe a eles reconhecer essas informações sobre os predadores e, em seguida, divulgá-las para os outros.”
Isso faz muito sentido em um lugar como a Amazônia.
Se muitas espécies são ameaçadas pelos mesmos gaviões, corujas ou outros predadores, então prestar atenção ao pânico de outra espécie pode ser uma das coisas mais inteligentes que um animal pode fazer.
A maior parte desse drama se desenrola bem acima do solo.
A parte mais densa e movimentada da floresta tropical é o dossel, onde vive a maioria dos animais e onde o som se propaga rapidamente entre as árvores. Abaixo dele fica o sub-bosque, mais escuro e silencioso, mas ainda repleto de vida.
Essa estratificação vertical é importante, pois molda a forma como a informação se propaga. A copa das árvores é barulhenta e densamente povoada, mas também é um lugar onde ouvir com atenção pode fazer a diferença entre a fuga e a morte.
É justamente isso que torna os alarmes de emergência tão importantes. Eles são rápidos, públicos e impossíveis de ignorar.

O autor principal do estudo, Ettore Camerlenghi, é pesquisador associado da Universidade Deakin em Melbourne.
“Há muita informação em um chamado de alarme, mas a primeira nota é realmente importante. Porque se você precisar escapar de um predador, não pode ficar parado esperando para decidir o que fazer. Você precisa se mover – um milésimo de segundo pode salvar sua vida”, disse Camerlenghi.
Essa urgência é fácil de imaginar. Em uma floresta tropical densa, onde a visibilidade é limitada e o perigo pode surgir instantaneamente, a hesitação pode ser custosa.
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Outra Rede de comunicação na floresta além das redes de fungos e árvores: um tipo diferente de rede feita de som, principalmente por pássaros pequenos
Uma das conclusões mais claras do estudo foi que as espécies de aves menores desempenhavam um papel especialmente importante na disseminação de chamados de alarme.
As aves com menos de 100 gramas eram as que mais provavelmente iniciavam ou repassavam os avisos. Outras pequenas aves da copa das árvores frequentemente captavam esses chamados e os retransmitiam, mas não eram as únicas a ouvi-los.

Animais maiores também participaram, incluindo macacos-prego e macacos-aranha.
Duas espécies em particular se destacaram: a freira-de -testa-preta e a freira-de-testa-branca. Essas aves da copa das árvores eram especialmente propensas a repetir e divulgar os avisos de animais próximos.
Isso sugere que nem todas as espécies desempenham o mesmo papel na rede de informações da floresta. Alguns animais podem ser melhores ouvintes, responder mais rapidamente ou simplesmente ser mais centrais no fluxo de informações do que outros.
“Essa é a beleza da informação vocal: é informação pública e, uma vez disseminada, está disponível para todos que puderem acessá-la”, explicou Camerlenghi. “Isso é especialmente importante em um ambiente tão denso quanto a floresta tropical.”
Os cantos dos pássaros além do território ou acasalamento, também carrega outro tipo de mensagem: medo
Nos últimos anos, as pessoas se acostumaram a ouvir frases como “a vasta rede da madeira”, geralmente se referindo a redes subterrâneas de fungos que ajudam a conectar as plantas.
Este estudo aponta para um tipo diferente de rede, uma feita não de raízes e fungos, mas de som.
Acima do solo da floresta, os animais podem estar constantemente ouvindo uns aos outros, usando chamados de alarme compartilhados para monitorar o perigo em tempo real.

A maioria das pessoas pensa nos cantos dos pássaros como algo relacionado a território ou acasalamento. Mas esta pesquisa mostra que a paisagem sonora da floresta também carrega outro tipo de mensagem: medo.
Às vezes, o sinal mais claro de perigo não é um chamado, mas sim a sua repentina ausência. Um trecho de floresta que fica silencioso pode estar contando a mesma história que uma série de gritos de alarme.
Essa é uma maneira impressionante de pensar sobre a floresta tropical. Não apenas como um habitat físico, mas como um lugar vivo, com vigilância, interpretação e resposta constantes.
Tecnologia acústica pode rastrear como a informação se move pela floresta e criar mapas de sinais de alerta, e a propagação no espaço e no tempo
Os cientistas ainda não sabem tudo o que esses chamados de alarme contêm.
Elas claramente sinalizam perigo, mas também podem conter mais detalhes. Alguns pesquisadores suspeitam que os chamados podem revelar onde um predador está, que tipo de predador é ou quão urgente pode ser a ameaça.
Estudos futuros poderão utilizar tecnologia acústica para rastrear como a informação se move pela floresta e criar mapas que mostrem como esses sinais de alerta se propagam no espaço e no tempo.
Isso poderia revelar um panorama ainda mais detalhado de como os animais compartilham conhecimento na natureza.
O que este estudo já deixa claro é que a floresta tropical não está apenas repleta de espécies vivendo lado a lado. Ela está repleta de espécies que se comunicam, compartilham informações e sobrevivem em parte porque fazem isso.
Por alguns segundos após um alerta soar, a floresta se torna algo como uma mente coletiva. Um animal percebe o perigo e muitos outros reagem a ele.
Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Current Biology
doi: 10.1016/j.cub.2026.02.006
Collegium Helveticum – ETH Zurich
Burwood – VIC
Department of Ecology and Evolutionary Biology – University of California
CORBIDI – URB
Department of Biology – University of Florida
Department of Ecology and Evolutionary Biology – University of California
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Reporte Eco: Como monitorar os animais que vivem na Amazônia?
Vídeo 2 Canal Aves: Animais selvagens da Amazônia
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