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Atualizado 31 de janeiro de 2026 por Sergio A. Loiola

Pesquisadores demonstraram que os grandes modelos de linguagem de IA agora podem usar os comandos escritos para entender, interpretar e adaptar respostas aos dados fisiológicos e emocionais.

Significa que estamos entrando em novas fronteiras da IA: a Computação Afetiva.

O artigo foi publicado na Revista Frontiers in Digital Health.

Imagem figurativa sobre computação afetiva ou emocional. Imagem gerada pela IA Copilot, da Microsoft.

Veremos a seguir como os pesquisadores desenvolveram essa nova fronteira da IA, e quais os significados e cuidados que precisamos ter, desde a ética, regulação e limites que precisamos ter. Em texto, Imagens e vídeos.

Seria seguro deixar as máquinas reconhecerem suas emoções? Como a sociedade deve participar do desenvolvimento das IAs para evitar o uso e invasão da vida pessoal emocional? Deixe seu comentário no final!

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Interface técnica coleta dados fisiológicos para ser transmitidos ao modelo de linguagem em tempo real

As máquinas estão chegando cada vez mais perto das inspirações da ficção científica, tanto das utopias, quanto das distopias, destacando de modo um tanto preocupante que a sociedade precisa decidir – e agir – em relação a que futuro deseja quando o assunto é a convivência da humanidade com a tecnologia

Os pesquisadores Morris Gellisch (Universidade de Zurique, Suíça) e Boris Burr (Universidade Bochum, Alemanha) demonstraram que, além de saber interpretar instruções linguísticas, agora os grandes modelos de linguagem podem se valer apenas dos comandos escritos para entender, interpretar e adaptar suas respostas aos dados fisiológicos e emocionais das pessoas.

Alterações na frequência cardíaca podem fornecer informações sobre o bem-estar físico e emocional, mas as possibilidades de erros e viés são grandes.
[Imagem: RUB/Kramer]

A dupla desenvolveu uma interface técnica por meio da qual os dados fisiológicos podem ser transmitidos ao modelo de linguagem em tempo real.

Assim, a inteligência artificial também pode levar em conta sinais fisiológicos sutis, como alterações na atividade cardíaca e biomarcadores de estresse.

O objetivo declarado da pesquisa é abrir caminhos para o uso dos aplicativos de IA em aplicações médicas e de assistência, incluindo o atendimento médico à distância, ou telemedicina.

Mas criar máquinas que consigam interpretar e moldar suas respostas tomando por base os estados emocionais das pessoas também levanta inúmeras preocupações éticas e de controle, sobretudo sobre consumidores e funcionários de empresas.

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A computação afetiva levanta preocupações: dados pessoais e íntimos podem ser coletadas e utilizadas sem consentimento

Embora tenha de fato um potencial inovador, a chamada computação afetiva levanta preocupações significativas, especialmente no que diz respeito à privacidade, autonomia e potencial de manipulação das pessoas.

O risco reside no fato de que as emoções, sendo dados profundamente pessoais e íntimos, podem ser coletadas, armazenadas e utilizadas sem o total conhecimento ou consentimento dos usuários.

O conceito de computação afetiva pode transmitir uma sensação de algo amigável, mas pode ser justamente o oposto. [Imagem: Site Inovação Tecnológica/Gerado por IA]

Vale lembrar da ficção, em que um dos personagens mais instigantes do cinema é uma máquina dotada de inteligência artificial (IA).

Criado por Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke como antagonista no filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), o computador HAL 9000 tem a função de comandar a nave Discovery One rumo a Júpiter, além de conversar com os membros da tripulação de uma forma mais natural do que hoje fazemos com dispositivos como a Alexa, assistente virtual da Amazon.

Em um determinado momento, um erro de HAL faz com que os dois astronautas a bordo passem a questionar sua capacidade operacional e planejem sua substituição.

O computador percebe a desconfiança dos colegas de missão e, acuado, começa a sabotá-los

O que torna esse computador um personagem tão marcante é sua capacidade de movimentar o enredo lançando mão de sua habilidade de compreender as emoções dos astronautas e de tomar decisões com base nisso. No filme, HAL perde a disputa e acaba desligado.

No mundo real, porém, os sistemas de IA vêm ganhando cada vez mais espaço.

Brian Bernardo do CPQD alerta para o Uso de informação falsa. As tecnologias avançam muito rápido e o debate público anda devagar. As demais áreas do saber, como a filosofia e a sociologia, precisam se debruçar sobre isso”, reflete Bernardo. Foto: Jornal da Unicamp. https://jornal.unicamp.br/edicao/714/entre-bits-e-emocoes-computacao-afetiva-e-fronteira-tecnologica/

É importante lembrar que o conceito de afeto – que dá nome à computação afetiva – na Psicologia é mais amplo e complexo do que o uso comum do termo, geralmente associado apenas a relações positivas de conexão.

Na verdade, para os psicólogos o afeto é um conceito genérico que engloba a totalidade das experiências emocionais e sentimentais de uma pessoa.

E as informações coletáveis vão muito além de batimentos cardíacos e ritmos respiratórios, com os que a dupla de pesquisas trabalhou.

Por exemplo, uma pesquisa recente mostrou que os pensamentos e intenções podem ser lidos nas expressões faciais, o que pode ser feito por uma câmera comum.

O diagrama ilustra um pipeline em tempo real para processamento de sinais autonômicos e acesso a dados na nuvem. Os intervalos R-R são capturados usando uma cinta torácica de VFC validada e transmitidos via Bluetooth para uma camada de processamento local em Python, que decodifica os sinais brutos. Imagem: Artigo: https://www.frontiersin.org/journals/digital-health/articles/10.3389/fdgth.2025.1670464/full

Para seu experimento de demonstração, os dois pesquisadores utilizaram um dispositivo comum que mede a variabilidade da frequência cardíaca por meio de uma cinta torácica.

Os dados coletados eram decodificados, filtrados e inseridos no modelo de linguagem GPT-4 em tempo real.

Em resposta a um comando correspondente, a IA conseguiu apresentar corretamente os dados cardíacos transmitidos na forma de uma tabela, contendo valores médios, mínimos, máximos e outras informações.

E, mediante um novo comando de solicitação, a IA também mostrou os dados cardíacos medidos.

O sistema foi capaz de identificar diferenças nos padrões de frequência cardíaca entre tarefas de baixa e alta demanda cognitiva e, em seguida, reagir a essas diferenças na saída da IA.

O objetivo era mostrar que o modelo de linguagem pode responder a parâmetros fisiológicos e emocionais em tempo real quando estes são inseridos por meio da interface.

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Modelos de IA refletem viés cultural, podem errar interpretações, além do risco de vazamento de informações pessoais

Se o termo “desregulação emocional“, usado acima pelo pesquisador, já abre caminho para excessos de vigilância, os críticos apontam muitas outras possibilidades, da vigilância emocional invasiva e o monitoramento emocional constante, até os riscos de vazamento de dados, os erros de interpretação incorreta e os vieses.

A professora Paula Dornhofer, coordenadora de uma das linhas de pesquisa: desenvolvendo sistemas capazes de sintetizar a expressão humana. Foto: Jornal da Unicamp. https://jornal.unicamp.br/edicao/714/entre-bits-e-emocoes-computacao-afetiva-e-fronteira-tecnologica/

Por exemplo, os modelos de IA são treinados com base em conjuntos de dados que podem apresentar viés cultural ou demográfico – uma expressão facial que significa uma coisa em uma cultura, como um sorriso para disfarçar uma emoção, pode ser interpretada de forma errada pelo sistema quando este interagir com pessoas de outra cultura, gerando resultados tendenciosos, injustos e, potencialmente, discriminatórios.

O conhecimento das emoções e intenções de um usuário também abre o caminho para o uso da tecnologia de IA com o objetivo de influenciar o comportamento desse usuário, o que afeta diretamente a autonomia e a livre-escolha das pessoas.

As possibilidades de mau uso vão da indução ao consumo e da influenciação política e social até a criação de vínculos danosos, como uma dependência emocional da máquina, que se torna capaz de simular empatia e gerar respostas que criem laços de apego com o usuário, algo que os psicólogos chamam de “ilusão terapêutica”.

Outra área de preocupações está no relacionamento das empresas com os empregados.

Análises desses dados podem ser usadas como métrica de produtividade, levando a decisões de contratação ou demissão baseadas em “estados de espírito” detectados pela máquina, o que é subjetivo e passível de erro.

Será mesmo isso o que queremos?

As tecnologias avançam muito rápido e o debate público anda devagar. As demais áreas do saber, como a filosofia e a sociologia, precisam se debruçar sobre isso”, reflete Brayan Bernardo, mestre e pesquisador do grupo em IA do CPQD, ao Jornal da Unicamp (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações).


Bibliografia

Revista: Frontiers in Digital Health

Artigo: Establishing a real-time biomarker-to-LLM interface: a modular pipeline for HRV signal acquisition, processing, and physiological state interpretation via generative AI
Autores: Morris Gellisch, Boris Burr
DOI: 10.3389/fdgth.2025.1670464

Jornal da Unicamp

Entre bits e emoções, computação afetiva é fronteira tecnológica

Inovação Tecnológica

Computação afetiva: É seguro deixar as máquinas reconhecerem suas emoções?

 Política de Uso  

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Computação Afetiva: Nova Fronteira da IA Reconhece Emoções. Benefício ou Risco?

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