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Atualizado 23 de novembro de 2025 por Sergio A. Loiola

Cientistas encontraram um híbrido humano-neandertal que viveu muito depois da extinção de seu povo. A ‘Criança Lapedo’, foi sepultada em uma caverna, em Portugal, há 28.000 anos.

De forma surpreendente, descendente de neandertais e humanos, a ‘Criança Lapedo’ viveu dezenas de milhares de anos após a extinção de nossos parentes mais próximos.

A pesquisa foi publicado na Revista Science Advances.

Uma ilustração do esqueleto da criança de Lapedo mostrando a localização de amostras e itens enterrados com a criança.(Crédito da imagem: G. Casella)

A Criança de Lapedo, descoberta em Portugal em 1998, impressionou a comunidade científica com uma mistura de características neandertais e humanas.

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Um sepultamento com um esqueleto de coelho em cima chamou a atenção

O esqueleto ocre da criança de aproximadamente 4 ou 5 anos — especialistas acreditam que o corpo foi envolto em uma pele de animal pintada para ser sepultado no abrigo rochoso do Lagar Velho.

Arqueólogos encontraram o esqueleto da criança de Lapedo durante uma escavação em 1998. (Crédito da imagem: João Zilhão e Cidália Duarte)

Observações iniciais mostraram marcadores distintos, como um queixo proeminente semelhante ao humano, mas pernas curtas e robustas, semelhantes às de um neandertal.

As novas datas, que variam de 25.830 a 26.600 a.C., mudam o que os arqueólogos pensavam inicialmente sobre os rituais de sepultamento da “criança de Lapedo” no que hoje é Portugal.

Os detalhes do sepultamento indicam ser bastente sofisticado, junto com um coelho em cima, e coberto com peles tingidas de ocre.

Visão geral do abrigo rochoso a partir do noroeste em dezembro de 1998, na época da descoberta. Crédito da imagem: JZ

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O ritual de sepultamento envolvia ossos de coelho e pele tinginda de ocre

Três aspectos levaram faziam parte do ritual de sepultamento da criança de Lapedo:

Um coelho jovem cujos ossos foram encontrados em cima da criança, ossos de veado vermelho descobertos perto do ombro da criança e carvão sob as pernas da criança, que se supôs ter sido uma fogueira ritual.

(i) a criança de Lapedo revelou um “mosaico” morfológico de características humanas anatomicamente modernas e neandertais, evidenciando uma ancestralidade compartilhada ; (ii) o contraste entre os padrões de sepultamento por idade na morte no Paleolítico Médio (refletindo a mortalidade) e no Gravettiano (refletindo um forte preconceito contra os juvenis) foi interpretado como significando que este último era sustentado por regras sociais baseadas em eventos-chave da história de vida, nomeadamente, o desmame e a puberdade ; e (iii) a variação no ritual mortuário e na ornamentação pessoal permite inferências sobre a diversidade interindividual ou inter-regional, por exemplo, em termos de língua ou etnia. Crédito da imagem: G. Casella

Os pesquisadores descobriram, no entanto, que apenas os ossos de coelho eram contemporâneos da criança de Lapedo, enquanto os ossos de carvão e de veado eram muito mais antigos, sugerindo que já estavam presentes no local quando a criança foi enterrada.

Como resultado da nova técnica de datação, os pesquisadores levantaram a hipótese de que o coelho foi colocado sobre o corpo amortalhado da criança de Lapedo como uma oferenda antes que o túmulo fosse preenchido, há cerca de 28.000 anos.

O local ficou então abandonado por pelo menos dois milênios.

Os pesquisadores estão descobrindo a quantidade exata de sobreposição temporal entre os dois grupos e se características específicas compartilhadas por um grupo para o outro foram vantajosas, especialmente considerando que os neandertais foram extintos há cerca de 40.000 anos, mas os humanos modernos persistiram.

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O novo metodo de datação radiocarbono específico de compostos (CSRA)

Usando um novo método chamado análise de radiocarbono específico de compostos (CSRA), os pesquisadores determinaram que a criança de Lapedo viveu milhares de anos antes do que se pensava inicialmente.

O primeiro autor do estudo, Bethan Linscott, geoquímico da Universidade de Miami, afirma que embora o método CSRA já exista há algum tempo, ele só foi usado recentemente para reclassificar sítios neandertais onde o carbono moderno contaminou as amostras antigas.


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CRIANÇA HIBRIDA NEANDERTAL-SÁPIENS VIVEU HÁ 28 MIL MIL ANOS

Bibliografia

Sience Advance

Direct radiocarbon dating with hydroxyproline of the Lapedo Child (Abrigo do Lagar Velho, Leiria, Portugal)

Live Science

28,000-year-old ‘Lapedo Child’ descended from Neanderthals and humans, lived tens of thousands of years after our closest relatives went extinct

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