Nature & SpaceNature & Space

Atualizado 4 de fevereiro de 2026 por Sergio A. Loiola

Pesquisa experimental demonstrou que componentes de proteínas essenciais à vida podem se formar com facilidade no espaço, ampliando a probabilidade de vida extra terrestre.

A pesquisa foi publicada na Revista Nature Astronomy.

Representação artística da glicina em uma superfície no meio interestelar (um grão de poeira), bombardeada por raios cósmicos, resultando na produção de peptídeos, os blocos básicos das proteínas. Imagem: Alfred Thomas Hopkinson/(Estrelas: NIRCam). Imagem alterada pela iA Copilot, da Microsoft

A seguir veremos coo foram encontrados os resultados desta pesquisa, e os significados para a chances de encontrar vida em outros mundos. Em texto, imagens e vídeos.

Se componentes de proteínas podem ser processados facilmente no espaço a vida deveria ser abundante no cosmo? Deixe seu comentário no final!

Vídeo 1: Moléculas Da Vida São Encontradas Pela Primeira Vez No Espaço

Nature & SpaceNature & Space

Vídeo 2: Proteína De Origem Extraterrestre É Encontrada Em Meteorito

LEIA MAIS

Origem e Evolução da Vida Deve Ser Comum, Nada Improvável

Raio Cósmico Pode Sustentar Vida em Marte, Europa e Encélado | Nature & Space

Encontrado Organismo no Limiar Entre a Vida e Não Vida

Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!

Contrariando pressupostos anteriores, componentes proteicos essenciais à vida como podem se formar facilmente no espaço

A origem dos blocos moleculares da vida é uma questão central na ciência. Alguns α-aminoácidos, como a glicina, o aminoácido proteinogênico mais simples, foram detectados em meteoritos e cometas, indicando uma origem extraterrestre para algumas moléculas prebióticas.

Representação artística da glicina em uma superfície no meio interestelar (um grão de poeira), bombardeada por raios cósmicos, resultando na produção de peptídeos, os blocos básicos das proteínas. Imagem: Alfred Thomas Hopkinson/(Estrelas: NIRCam).

No entanto, a formação de peptídeos, cadeias curtas de α-aminoácidos ligados por ligações peptídicas, permanece um mistério sob condições astrofísicas.

Contrariando pressupostos científicos de longa data, experimentos demonstraram que os componentes proteicos essenciais para a emergência da vida como a conhecemos podem se formar facilmente no espaço, sem a necessidade de condições extraordinárias.

Esta descoberta aumenta significativamente a probabilidade estatística de encontrarmos vida extraterrestre, afirmam Alfred Hopkinson e colegas da Universidade Aarhus, na Dinamarca, e do Instituto de Pesquisa Nuclear da Academia Húngara de Ciências.

Pesquisa anterior já havia sugerido o potencial dos raios cósmicos para manter a vida. A pesquisa mostra que os raios cósmicos podem não apenas ser inofensivos em certos ambientes, mas também podem, na verdade, ajudar a vida microscópica a sobreviver. Ver: https://naturespace.com.br/raio-cosmico-pode-sustentar-vida-em-marte-europa-e-encelado/

Dentro de uma pequena câmara, os cientistas simularam o ambiente encontrado em gigantescas nuvens de poeira cósmica, que cobrem largas porções do Universo visível.

A temperatura nessas regiões é de congelantes -260 °C. E a pressão é quase nula, o que significa que o experimento exigiu um bombeamento constante das partículas de gás no interior da câmara, para manter um vácuo ultra-alto.

A ideia era simular essas condições em laboratório para observar como as moléculas e partículas restantes reagem à radiação, exatamente como reagiriam em um ambiente interestelar real.

Vídeo 1: Moléculas Da Vida São Encontradas Pela Primeira Vez No Espaço

LEIA MAIS

Origem da Vida Poderia Ter Iniciado em Gel Aderente a Superfície na Terra Primitiva | Nature & Space

Vida Complexa Apareceu Um Bilhão de Anos Antes do Oxigênio Saturar a Atmosfera | Nature & Space

Oxigênio Escuro Produzido no Leito Oceânico É Fonte de Vida

Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!

Blocos de construção de proteínas podem se formar em análogos de gelo interestelar expostos à radiação ionizante, sem a presença de água líquida

Os resultados foram entusiasmantes: Quando os pesquisadores colocaram glicina na câmara e a irradiaram com análogos de raios cósmicos, a mágica se fez.

Formação de peptídeos induzida por processamento energético no meio interestelar. Imagem: Alfred Thomas Hopkinson et al. – 10.1038/s41550-025-02765-7

O experimento mostrou que os blocos de construção de proteínas podem se formar em análogos de gelo interestelar expostos à radiação ionizante, mesmo sem a presença de água líquida.

Usando glicina marcada isotopicamente e irradiada com prótons em temperaturas criogênicas, foi dectada a formação de glicilglicina, o dipeptídeo mais simples, juntamente com água deuterada e não deuterada como subprodutos.

A formação de ligações peptídicas foi confirmada por espectroscopia de infravermelho e espectrometria de massa de alta resolução, que também revelam a produção de outras espécies orgânicas complexas. 

Pesquisa anterior demonstrou que a vida depende mais da Janelas de habitabilidade depende mais do ambiente do planeta. A distribuição temporal dos famosos “passos difíceis”, que agora se tornaram desnecessários. Imagem: Daniel B. Mills et al. – 10.1126/sciadv.ads5698

Peptídeos são aminoácidos ligados entre si em cadeias curtas. Quando os peptídeos se ligam uns aos outros, eles formam proteínas, que são essenciais para a vida como a conhecemos.

A busca pelos precursores das proteínas, portanto, é vital na investigação da origem da vida, sobretudo na astrobiologia.

Essas nuvens de gás eventualmente acabam colapsando, formando discos estelares e protoplanetários e, em última instância, estrelas e planetas.

E os minúsculos blocos de construção em seu interior podem oportunamente se depositar em planetas rochosos. Se esses planetas estiverem em uma zona habitável, então existe uma probabilidade real de que a vida possa surgir.

Essas descobertas demonstram uma rota não aquosa para a formação de peptídeos em condições semelhantes às do espaço e sugerem que tais moléculas poderiam se formar no frio meio interestelar e serem incorporadas em sistemas planetários em formação.

Os resultados desafiam modelos aquosos-cêntricos da evolução bioquímica inicial e ampliam os cenários potenciais para a origem da vida.

Vídeo 2: Proteína De Origem Extraterrestre É Encontrada Em Meteorito

LEIA MAIS

Astrobiologa de 24 Quer Ser a Primeira a Pisar em Marte | Nature & Space

NASA: Rover Perseverance Encontrou Bioassinatura em Marte | Nature & Space

Artemis 3: Missão Tripulada da NASA ao Polo Sul da Lua | Nature & Space

Bibliografia

Revista Nature Astronomy
Artigo: An interstellar energetic and non-aqueous pathway to peptide formation
Autores: Alfred Thomas Hopkinson, Ann Mary Wilson, Joe Pitfield, Alejandra Traspas Muiña, Richárd Rácz, Duncan V. Mifsud, Péter Herczku, Gergö Lakatos, Béla Sulik, Zoltán Juhász, Sándor Biri, Robert W. McCullough, Nigel J. Mason, Carsten Scavenius, Liv Hornekær, Sergio Ioppolo
DOI: 10.1038/s41550-025-02765-7

Política de Uso

Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!

Experimento: Componentes Proteicos da Vida Podem se Formar Com Facilidade no Espaço | Nature & Space

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here