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Atualizado 9 de fevereiro de 2026 por Sergio A. Loiola

Pesquisadores desenvolveram um processo que permite construir tubos de metal que nunca afundam. Independente da avaria que sofram, os tubos sempre mantem a flutuabilidade.

A pesquisa foi publicada na Revista Advanced Functional Materials.

Aplicações direta na navegação: tubos podem ser interligados para criar jangadas e servir de base para navios, boias e plataformas flutuantes. Imagem customizada pela Gemini, IA do Google.


A técnica inovadora desenvolvida pelo laboratório da Universidade de Rochester usa pulsos de laser de femtosegundos para “gravar” as superfícies de metais com padrões complexos em micro e nanoescala.

Veremos a seguir como os pesquisadores conseguiram o feito notável do processo que constrói tubos metálicos que não afundam, e os benefícios para projetos de engenharia. Em texto, imagens e videos.

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Como um metal poderia manter a flutuabilidade? Quais as aplicações que um tubo metálico que não afunda poderia ter? Deixe seu comentário no final!

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Técnica de flutuabilidade inspirados na Biomimética das aranhas-mergulhadoras e grupos de formigas-de-fogo

Pesquisadores da Universidade de Rochester, inspirados na Biomimética das aranhas-mergulhadoras e grupos de formigas-de-fogo, criaram uma estrutura metálica tão repelente à água, ou super-hidrofóbica, que se recusa a afundar, não importa quantas vezes seja forçada a entrar na água ou o quanto seja danificada ou perfurada.

Uma estrutura metálica super-hidrofóbica flutua na superfície da água no Laboratório Guo. Foto da Universidade de Rochester / J. Adam Fenster

A estrutura utiliza uma técnica inovadora desenvolvida pelo laboratório que usa pulsos de laser de femtosegundos para “gravar” as superfícies de metais com padrões complexos em micro e nanoescala que aprisionam o ar e tornam as superfícies super-hidrofóbicas.

Tubo metálico flutuante feito de alumínio gravado quimicamente. Imagem: J. Adam Fenster/University of Rochester

Quando o tubo tratado com o novo processo entra em contato com a água, a superfície super-hidrofóbica aprisiona bolhas de ar estáveis em seu interior, impedindo que ele fique encharcado e afunde. A flutuabilidade é garantida, dizem os pesquisadores.

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Aplicações direta na navegação: tubos podem ser interligados para criar jangadas e servir de base para navios, boias e plataformas flutuantes

A equipe vem desenvolvendo técnicas para criar estruturas de metal que nunca afundam desde 2019, quando eles demonstraram dispositivos flutuantes super-hidrofóbicos, compostos por dois discos selados para criar a flutuabilidade.

Mas o projeto atual do tubo simplifica e aprimora a tecnologia.

Novas estruturas feitas pela equipe permaneceu meses no funda da agua, e retornou a superfície apor ser liberada. Foto da Universidade de Rochester / J. Adam Fenster

Os discos desenvolvidos anteriormente podiam perder a capacidade de flutuar quando girados em ângulos extremos, mas os tubos são resistentes a condições turbulentas, como as encontradas no mar.

A estrutura super-hidrofóbica permanece flutuando mesmo após danos estruturais significativos — sendo perfurada com seis furos de 3 milímetros de diâmetro e um furo de 6 milímetros. mFoto da Universidade de Rochester / J. Adam Fenster

Vários tubos podem ser interligados para criar jangadas que poderiam servir de base para navios, boias e plataformas flutuantes.

Em experimentos de laboratório, a equipe testou o projeto usando tubos de comprimentos variados, chegando a quase meio metro, mas eles acreditam que a tecnologia possa ser facilmente adaptada para fabricar tubos de tamanhos maiores, necessários para dispositivos flutuantes que suportem carga.

Vídeo 2: O Metal que Flutua Água

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Revolução na flutuabilidade de metais: superfícies super-hidrofóbicas (SH) multifacetadas podem ser usadas para criar dispositivos flutuantes

Existia um problema crucial ainda para ser resolvido.

Os pesquisadores descobriram que após ficarem imersas em água por longos períodos, as superfícies podem começar a perder suas propriedades hidrofóbicas.

Uma estrutura metálica gravada a laser, à direita, flutua na superfície da água no laboratório do professor Chunlei Guo. Foto da Universidade de Rochester / J. Adam Fenster

Entram em cena as aranhas e as formigas-de-fogo, que conseguem sobreviver longos períodos debaixo d’água ou na superfície. Como?

Aprisionando ar em um espaço fechado.

As aranhas aquáticas do gênero Argyroneta, por exemplo, criam uma teia subaquática em forma de cúpula — o chamado sino de mergulho — que preenchem com ar transportado da superfície entre suas patas e abdômen super-hidrofóbicos.

De forma semelhante, as formigas-de-fogo conseguem formar uma espécie de jangada aprisionando ar entre seus corpos super-hidrofóbicos.

O laboratório de Guo criou uma estrutura na qual as superfícies tratadas em duas placas paralelas de alumínio ficam voltadas para dentro, e não para fora, de modo que fiquem protegidas e livres de desgaste e abrasão externos.

As superfícies são separadas pela distância exata para aprisionar e reter ar suficiente para manter a estrutura flutuando — criando, em essência, um compartimento à prova d’água. 

Configuração experimental utilizada para determinar a distância ideal entre as placas tratadas para aprisionar e reter ar suficiente para manter a estrutura flutuando. Foto da Universidade de Rochester / J. Adam Fenster

Superfícies super-hidrofóbicas impedem a entrada de água no compartimento, mesmo quando a estrutura é forçada a submergir.

Mesmo após serem forçadas a submergir por dois meses, as estruturas retornaram imediatamente à superfície assim que a carga foi liberada, afirma Guo.

As estruturas também mantiveram essa capacidade mesmo após serem perfuradas diversas vezes, porque o ar permanece aprisionado em partes remanescentes do compartimento ou em estruturas adjacentes.

Vários tubos metálicos insubmergíveis interligados em forma de jangada podem servir de base para navios, boias e plataformas flutuantes do futuro. Imagem: J. Adam Fenster/University of Rochester

Quando o laboratório de Guo demonstrou a técnica de corrosão pela primeira vez, levava uma hora para criar o padrão em uma área de superfície de uma polegada por uma polegada.

Agora, usando lasers sete vezes mais potentes e com varredura mais rápida, o laboratório acelerou o processo, tornando-o mais viável para aplicações comerciais em larga escala.

Os coautores incluem o autor principal Zhibing Zhan, Mohamed ElKabbash, Jihua Zhang e Subhash Singh, todos candidatos a doutorado ou pós-doutorandos no laboratório de Guo, e Jinluo Cheng, professor associado do Instituto de Óptica, Mecânica Fina e Física de Changchun, na China.

Bibliografia

Revista Advanced Functional Materials


Artigo: Geometry-Enabled Recoverable Floating Superhydrophobic Metallic Tubes
Autores: Tianshu Xu, Zhibing Zhan, Yichen Deng, Mohamed Akeel Faris, Subhash C. Singh, Chunlei Guo
DOI: 10.1002/adfm.202526033

Rochester University

Superhydrophobic metal that does not sink

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Processo Constrói Tubos de Metal Que Nunca Afundam, Independente da Avaria | Nature & Space

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