Atualizado 27 de maio de 2026

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A Terra e o Sistema Solar estão atravessando uma nuvem de poeira e gás de estrela que explodiu, indica pesquisa com amostras de camadas de gelo de 100 mil anos na Antártica. Resolvendo parcialmente um enigma de dez anos.

A pesquisa foi publicada na Revista Physical Review Letters.

Se o Sistema Solar e a Terra estão atravessando os restos gasosos de uma antiga explosão estelar, quando essa estrela se desintegrou, que tipo de estrela era? O que essa nuvem de gás influencia no Sistema Solar e na Terra?

Representação artística do sistema solar dentro de uma nuvem de poeira e gás. Imagem: Gemini. IA do Google

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A seguir veremos como os astrônomos decifraram parcialmente um enigma interestelar de 10 anos coletando amostras em camadas de gelo na Antártica, a importância e o que falta saber. Em texto, imagens e vídeos.

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Sistema Solar está, neste exato momento, viaja através dos restos difusos de uma estrela morta que explodiu há milhões de anos

Guardado nas profundezas do gelo mais antigo e puro da Antártica estava o segredo para decifrar um mistério cósmico que intrigava os astrônomos há dez anos.

Cientistas analisando camadas de neve antártica descobriram vestígios de poeira estelar extraterrestre, isótopos raros de ferro-60 que não são produzidos naturalmente na Terra.

O veredito é fascinante: o nosso Sistema Solar está, neste exato momento, viajando através dos restos difusos de uma estrela morta que explodiu há milhões de anos.

Extração de amostras de gelo na Antártica. Imagem: Wikipedia The European project Beyond EPICA
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Essa descoberta extraordinária não apenas resolve um quebra-cabeça de longa data sobre a nossa vizinhança galáctica, mas prova que a história do Cosmos está literalmente escrita na geologia do nosso próprio planeta.

Eventos cataclísmicos no espaço profundo deixam marcas físicas permanentes na terra.

Nesse exato momento o Sistema Solar está atravessando a Nuvem Interestelar Local, uma região de gás e poeira altamente diluídos entre as estrelas.

Em sua trajetória, a Terra acumula continuamente ferro-60, um raro isótopo radioativo de ferro produzido em explosões estelares. Isso foi agora confirmado por uma equipe internacional de pesquisa liderada pelo Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf (HZDR) por meio da análise de gelo antártico com dezenas de milhares de anos.

A partir do fluxo constante, porém variável ao longo do tempo, os pesquisadores concluíram que o isótopo radioativo está armazenado na nuvem desde uma explosão estelar ocorrida há muito tempo.

Mapa de nuvem de poeira e gas em que o sistema solar está inserido. Imagem: Wikipédia
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O ferro-60 se forma no interior de estrelas massivas e é ejetado para o espaço quando elas explodem. Registros geológicos mostram que nosso Sistema Solar foi atingido duas vezes por ferro-60 proveniente de supernovas milhões de anos atrás.

Em tempos mais recentes, no entanto, não houve explosões estelares próximasm e, portanto, nenhuma fonte direta de ferro-60.

Por isso, o enigma apareceu quando cientistas descobriram ferro-60 na neve superficial da Antártida com menos de vinte anos, há alguns anos, e surgiu a questão de sua origem.

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Vídeo 1: O FERRO do Seu Sangue Veio de UMA ESTRELA MORTA — E os Cientistas Sabem Qual

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Nuvem Interestelar Local proveniente de explosões estelares: As novas amostras de gelo da Antártida que datam de 40.000 a 80.000 anos atrás confirmam

Nos últimos anos, a equipe liderada por Koll e pelo Prof. Anton Wallner analisou amostras adicionais, incluindo sedimentos de águas profundas com até 30.000 anos.

Ferro-60 também foi encontrado ali, mas teorias concorrentes persistiram. As novas amostras de gelo da Antártida datam de 40.000 a 80.000 anos atrás. A análise agora deixa claro: a Nuvem Interestelar Local é a fonte provável.

Compilação de dados produzidos por supernovas Fe 60 depósitos em arquivos geológicos. As incertezas de medição são dadas como 1-𝜎Os intervalos e as resoluções temporais individuais são exibidos como linhas horizontais. Imagem: Artigo: https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/nxjq-jwgp
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Nosso Sistema Solar entrou na Nuvem Interestelar Local há várias dezenas de milhares de anos e sairá dela novamente em alguns milhares de anos. Atualmente, estamos localizados perto de sua borda.

Para o estudo, os pesquisadores analisaram um núcleo de gelo do período próximo à suposta entrada na nuvem. O Instituto Alfred Wegener, Centro Helmholtz para Pesquisa Polar e Marinha (AWI), forneceu uma amostra do projeto europeu de perfuração de gelo EPICA.

A comparação do teor de ferro-60 com amostras anteriores de águas profundas e neve mostrou que, entre 40.000 e 80.000 anos atrás, menos ferro-60 chegou à Terra do que hoje e em tempos mais recentes.

O sinal do ferro-60, portanto, muda em apenas algumas dezenas de milhares de anos – uma velocidade notavelmente rápida em escalas de tempo cósmicas.

Acelerador de Íons Pesados ​​(HIAF, na sigla em inglês) da Universidade Nacional da Austrália – atualmente a única instalação no mundo capaz de detectar quantidades tão ínfimas de ferro-60. Imagem: Universidade Nacional da Austrália
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Com essa descoberta, os pesquisadores puderam descartar explicações alternativas para a origem do influxo de ferro-60, como o enfraquecimento gradual de explosões estelares de milhões de anos.

Em busca de vestígios no gelo da Antártida.

Para as medições, a equipe transportou cerca de 300 quilos de gelo do AWI em Bremerhaven para Dresden, onde foi processado quimicamente; um procedimento demorado que, no final, resultou em apenas algumas centenas de miligramas de pó.

Passo a passo, eles isolaram o ferro-60, tomando muito cuidado para evitar perdas em cada etapa.

No laboratório de Espectrometria de Massa com Acelerador DREsden (DREAMS) do HZDR, eles verificaram a amostra após o preparo químico usando dois outros radioisótopos: berílio-10 e alumínio-26.

As concentrações esperadas desses isótopos no gelo são bem conhecidas. Qualquer perda de ferro-60 teria sido acompanhada por uma redução também em suas quantidades. A equipe conseguiu descartar essa possibilidade.

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O arquivo Cósmico da Antártica pode revelar quando, como e de que era feito a estrela que se desintegrou e a influencia desta nuvem no clima espacial

Bem como investigar qual a influência desta nuvem para o clima espacial do Sistema Solar.

Para a medição final, a equipe utilizou o Acelerador de Íons Pesados ​​(HIAF, na sigla em inglês) da Universidade Nacional da Austrália – atualmente a única instalação no mundo capaz de detectar quantidades tão ínfimas de ferro-60.

Utilizando filtros elétricos e magnéticos, eles separaram os átomos indesejados de acordo com sua massa até que restasse apenas um punhado de átomos de ferro-60 de um total inicial de 10 trilhões de átomos.

Trajetória do sistema solar através da Nuvem Interestelar Local. O perfil da nuvem está preservado como uma impressão digital interestelar no gelo da Antártida. Imagem: B. Schröder/HZDR/ NASA/Goddard/Adler/U.Chicago/Wesleyan
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“É como procurar uma agulha em 50.000 estádios de futebol lotados de feno. A máquina encontra a agulha em uma hora”, explica Annabel Rolofs, da Universidade de Bonn.

A equipe já está planejando novas medições. O objetivo é analisar um núcleo de gelo ainda mais antigo, datado de antes da entrada do Sistema Solar na Nuvem Interestelar Local.

O AWI é um parceiro fundamental no projeto Beyond EPICA – Oldest Ice, que visa recuperar núcleos de gelo dessa idade.

Esses resultados sugerem que a o gelo da Antártica tem locais que são arquivos cósmicos para material particulado produzido por supernovas.

No caso especifico, o perfil temporal evidencia uma mudança no ambiente interestelar local ao longo dos últimos 80 mil anos.

Contudo, falta agora descobrir quando, como e de que era feito a estrela que se desintegrou em uma explosão e deu origem a nuvem de gás que agora atravessamos.

Bem como investigar qual a influência desta nuvem para o clima espacial do Sistema Solar.

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Bibliografia

Revista Physical Review Letters

Local structure of interstellar clouds imprinted on Antarctic ice by a 60 Fe supernova.

DOI: https://doi.org/10.1103/nxjq-jwgp

Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf

Análise Audiovisual

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