Atualizado 29 de março de 2026
Domesticação de Cães tem recuou surpreendente para mais de 15 mil anos, na Eurásia central, indicou uma pesquisa multidisciplinar sofisticada. Recuando em 5 mil anos datas anteriores.
A pesquisa foi publicada na Revista Nature.
A seguir veremos como lobos e caçadores-coletores criaram o vínculo de amizade mais duradouro da nossa espécie, os locais, a região e como essa relação de sucesso se estabeleceu. Em Texto, imagens e vídeos.

Para Refletir:
E se essa aliança não foi apenas por utilidade, mas por uma conexão social e emocional autêntica?
Estaríamos olhando para o momento em que a biologia e a empatia transformaram predadores em protetores, cuidadores, fornecendo melhores condições de sobrevivência e adaptação?
Vídeo 1: O SEGREDO DO DNA DOS CÃES! Somos Amigos Há 16 MIL ANOS? A Descoberta que Mudou a História!
Vídeo 2: Cães: A Incrível História Do Melhor Amigo Do Homem
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Confiar e cuidar: A relação entre humanos e cães não é apenas a mais antiga, é uma das coevoluções mais bem-sucedida dos humanos no planeta
A relação entre humanos e cães não é apenas a mais antiga, é uma das coevoluções mais bem-sucedida dos humanos no planeta.
Nós não apenas domesticamos o lobo, nós coevoluímos com ele. Há 15 mil anos, nas estepes geladas da Eurásia, o ser humano e o antepassado do cão tomaram uma decisão evolutiva sem precedentes: confiar e cuidar.
Contudo, quando humanos e cães se tornaram companheiros pela primeira vez é uma dos problemas mais enigmáticos da biologia evolutiva e comportamental.
Essa pergunta intrigou os cientistas durante anos. Agora, uma nova pesquisa oferece uma resposta mais clara.

Para responder essas questões uma grande equipe de cientistas realizou uma pesquisa com resultados reveladores:
>> Os cães se separaram dos lobos há mais de 15.000 anos na Eurásia central. Recuando as datações anteriores em mais de 5 mil anos.
Estudos anteriores tiveram dificuldade em comprovar isso de forma clara. Os ossos dos primeiros cães eram quase idênticos aos dos lobos, o que dificultava a identificação.

“Há muito tempo acreditamos que os cães evoluíram dos lobos cinzentos durante a última Era Glacial, mas as evidências físicas de sua associação com os humanos têm sido difíceis de confirmar”, disse o professor Oliver Craig, da Universidade de York .
Durante os estágios iniciais da domesticação, cães e lobos eram quase idênticos, e diferenças comportamentais não aparecem no registro arqueológico.
Esta pesquisa multidisplinar, baseada em genoma total paleogenética, arqueozoologia e geocronologia está de fato recuando as datas e, mais importante, refinando o local e o contexto.
Ela sugere que a Eurásia Central foi um caldeirão onde caçadores-coletores nômades e lobos iniciaram uma simbiose de proteção, caça, cuidado e companhia, milênios antes da agricultura.
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Vídeo 1: O SEGREDO DO DNA DOS CÃES! Somos Amigos Há 16 MIL ANOS? A Descoberta que Mudou a História!
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Cão mais antigo revelado pela genética: Na Turquia data de 15.800 anos atrás, um dos cães mais antigos já identificados
Cientistas estudaram restos mortais antigos de locais como a Caverna de Gough, no Reino Unido, e Pınarbaşı, na Turquia. Esses restos têm mais de 14.000 anos. Análises genéticas confirmaram que esses animais eram cães, e não lobos.
O estudo também encontrou um cão ainda mais antigo na Turquia, datado de cerca de 15.800 anos atrás. Isso o torna um dos cães mais antigos já identificados.

O Dr. William Marsh, do Museu de História Natural, afirmou que essas descobertas demonstram que os cães já habitavam grandes regiões. Rastros de cães primitivos foram encontrados na Alemanha, Itália, Suíça e outras partes da Europa.
Estudos anteriores baseavam-se na forma dos ossos, mas esse método frequentemente causava confusão. Nesta nova pesquisa, os cientistas utilizaram técnicas avançadas de DNA. Eles estudaram genomas completos em vez de pequenos fragmentos.
Isso os ajudou a diferenciar cães de lobos. Por exemplo, um animal da Bélgica que antes era considerado um cão, revelou-se um lobo após testes genéticos.
“Sem usar essas ferramentas genéticas avançadas, não seríamos capazes de distinguir com segurança cães de lobos com base apenas em evidências esqueléticas”, disse Anders Bergström, da Universidade de East Anglia.
Isso demonstra a importância dos métodos modernos de análise de DNA para solucionar antigos mistérios científicos.
“Também não teríamos conseguido reunir uma visão tão abrangente da sua evolução. Como o cão de Kesslerloch, com 14.200 anos, já era mais semelhante aos cães posteriores da Europa do que aos da Ásia, os cães devem ter sido domesticados muito antes desse período, dando tempo para que essas diferenças genéticas surgissem”, explicou Bergström.
“No entanto, muitas perguntas permanecem: ainda estamos pesquisando onde e como os cães se espalharam pela Europa após a provável domesticação em algum lugar da Ásia. Cada nova descoberta é um passo adiante nessa jornada.”
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Vídeo 2: Cães: A Incrível História Do Melhor Amigo Do Homem
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Co-evolução muda tudo, deixou de ser Dispersão? A expansão dos Cães se espalhou com os humanos
O estudo mostra que os cães não estavam restritos a um único local. Uma única população canina se espalhou pela Europa e por partes da Ásia entre cerca de 18.500 e 14.000 anos atrás.
Curiosamente, esses cães viviam com diferentes grupos humanos, incluindo caçadores-coletores magdalenianos e epigravetianos. Apesar das diferenças entre esses grupos, eles compartilhavam cães semelhantes.
Isso sugere que as pessoas podem ter trocado cães entre si. Os cães transitavam entre grupos mesmo quando os humanos não interagiam muito.

Os cães não eram apenas animais de vizinhança. Evidências mostram que humanos e cães viviam em estreita proximidade. Cientistas estudaram suas dietas usando marcadores químicos em ossos.
Em locais como a Caverna de Gough, cães e humanos comiam alimentos semelhantes. Isso sugere que os humanos compartilhavam suas refeições com os cães domesticados.
“Uma descoberta fundamental veio de Pınarbaşı, onde os dados mostraram que os cães domésticos consumiam uma dieta rica em peixe, muito semelhante à dos humanos locais”, acrescentou Lizzie Hodgson, da Universidade de York.
“É improvável que os cães estivessem pescando quantidades significativas por conta própria, o que sugere que eles estavam sendo alimentados ativamente por pessoas.
Isso demonstra que os humanos cuidavam de cães desde tempos muito remotos.
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Muito antes da agricultura: Mais do que apenas parceiros de sobrevivência cães foram tratados de maneira semelhante a humanos após a morte
A relação entre humanos e cães pode ter ido além da mera sobrevivência. Em alguns sítios arqueológicos, restos mortais de cães foram tratados de maneira semelhante a humanos após a morte.
Por exemplo, na Caverna de Gough, ossos humanos e de cães apresentavam tratamento semelhante após a morte. Em Pınarbaşı, cães jovens foram enterrados perto de sepulturas humanas.
Isso sugere que os cães tinham importância emocional ou cultural mesmo há milhares de anos.
Os cães provavelmente foram os primeiros animais domesticados pelos humanos. Isso aconteceu muito antes do início da agricultura. Isso torna os cães únicos entre todos os animais domésticos.
“Os cães foram os únicos animais domesticados antes da agricultura, então sua evolução pode nos ajudar a entender como uma grande mudança no estilo de vida moldou nossa própria história”, disse Pontus Skoglund, do Instituto Francis Crick.
“É fascinante que os cães que viveram antes da era da agricultura tenham contribuído substancialmente para a genética dos cães agrícolas e dos cães europeus atuais. Os cães eram claramente importantes para os nossos antepassados, já que os primeiros agricultores parecem ter incorporado cães de antigos caçadores-coletores aos seus grupos à medida que se deslocavam para a Europa”, acrescentou Skoglund.
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Mais do que domesticação, humanos e cães construíram uma forte ligação de amizade no longo tempo. Esse vínculo moldou nossas vidas e a do cães
O estudo também mostra que os cães primitivos moldaram as raças caninas modernas. Muitos cães europeus modernos ainda carregam genes desses cães ancestrais.
As análises indicam que uma população canina geneticamente homogênea já estava amplamente distribuída pela Europa e Anatólia durante o Paleolítico Superior Tardio.
Essa descoberta sugere que houve troca de cães entre populações humanas do Paleolítico Superior da Eurásia Ocidental geneticamente e culturalmente distintas, entre esses povos estavam os caçadores-coletores Magdalenianos, Epigravetianos e Anatólios.
O Dr. Lachie Scarsbrook, da LMU Munique, explicou que diferentes linhagens de cães já existiam há muito tempo. “Cães com ancestrais muito diferentes já existiam por toda a Eurásia, de Somerset à Sibéria”, observou ele.
“Este estudo revela o início de um vínculo entre humanos e cães que perdura até hoje. É uma narrativa que começou no final da Era do Gelo, mas foi fundamental para muitas das raças modernas que vemos atualmente”, acrescentou a Dra. Sophy Charlton, da Universidade de York.
Esta pesquisa conta uma história poderosa. Humanos e cães construíram uma forte ligação há milhares de anos. Esse vínculo perdurou ao longo do tempo e ainda hoje molda nossas vidas.
Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Nature
Dogs were widely distributed throughout Western Eurasia during the Paleolithic period.
doi.org/10.1038/s41586-026-10170-x
Participaram da pesquisa:
Universidade de York
Museu de História Natural
Instituto Francis Crick
Instituto Max Planck
Análise Audiovisual
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