Atualizado 8 de abril de 2026
A Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) da China e da Rússia consolidará a economia espacial, fundada na cooperação internacional com 50 países, uma nova “rota de seda lunar“, com a Rússia sendo a construtora da usina nuclear.
O programa da estação lunar da China foi divulgado pela Agência Espacial chinesa (CNSA) e a Agência Espacial russa (ROSCOSMOS), e publicado na Revista Science Direct.
A seguir veremos como os planos de cooperação internacional China-Rússia estão moldando a nova economia espacial, em que dezenas de países são convidados a participar.

Para sustentar esse programa a China e a Rússia mantêm investimentos contínuos e formação de alto nível, com o objetivo de realizar o primeiro pouso lunar tripulado até 2030, e o início da operação da Estação Lunar ILRS para 2035.
Estaríamos assistindo ao nascimento de um sistema econômico onde a cooperação orbital é mais lucrativa que a competição terrestre?
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A ILRS (Estação Internacional de Pesquisa Lunar) liderada por China e Rússia representa a multipolaridade da economia espacial
A consolidação da Estação Internacional de Pesquisa Lunar da China (ILRS) mostra que a economia do século XXI não termina na atmosfera da Terra.
Ao unir 50 nações em um projeto de infraestrutura permanente, China e Rússia propõem um modelo de cooperação que pode ser o motor de uma nova era industrial. Literalmente inaugura uma nova rota de seda lunar.

Enquanto o programa Artemis da NASA e ESA avança com fôlego, o amadurecimento da ILRS (Estação Internacional de Pesquisa Lunar) liderada por China e Rússia traz um contrapeso fundamental para o debate global: a multipolaridade da economia espacial.
O ponto central é brilhante: a transição da “corrida espacial” para a “consolidação” de um economia espacial centrada mais na cooperação do que na competição.
Ao atrair 50 parceiros internacionais, a China não está apenas construindo uma base de concreto e metal no polo sul lunar, ela está estabelecendo um novo padrão de infraestrutura e comércio cislunar.

Sob uma cooperação global, a Lua está se tornando o primeiro mercado verdadeiramente internacional fora da Terra. Uma Economia Espacial Interplanetária emergente.
Na atual exploração lunar internacional, as nações tradicionais com capacidade espacial continuam a realizar missões, as nações espaciais emergentes estão constantemente aderindo e o voo espacial comercial está florescendo, observou Bian Zhigang, vice-diretor da CNSA, na Conferência Internacional sobre Desenvolvedores do ILRS.
As atividades de exploração lunar estão evoluindo de missões de curto prazo para construções de longo prazo, da exploração com uma única espaçonave para a colaboração entre múltiplas espaçonaves e de missões nacionais para a cooperação internacional, afirmou Bian.
Os modos de exploração e cooperação estão passando por mudanças fundamentais.
Bian enfatizou que o ILRS oferecerá novas oportunidades e plataformas para promover a integração global da inteligência, a inovação tecnológica, a cooperação inclusiva e o desenvolvimento compartilhado.
Wu Weiren, o projetista-chefe do programa de exploração lunar da China, afirmou que o ILRS, uma instalação experimental científica composta por seções na superfície lunar e em órbita lunar, está projetado para ser construído em duas fases:
1- Um modelo básico a ser construído até 2035 na região do polo sul lunar e
2- Um modelo ampliado a ser construído na década de 2040.
Chang’e-7 e Chang’e-8 passarão a fazer parte do modelo básico.

O ILRS possuirá capacidades como transporte Terra-Lua, fornecimento de energia, controle centralizado, comunicação, navegação, exploração científica da superfície lunar e capacidades de suporte em solo, disse Wu.
Wu acrescentou que a instituição conduzirá continuamente atividades científicas e tecnológicas multidisciplinares, com múltiplos objetivos e abrangentes.
O ILRS integra observação, exploração, experimentos científicos e utilização de recursos in situ em um único sistema.
A Estação ILRS realizará observações contínuas, síncronas e em tempo real, de longa duração e em múltiplos pontos, em larga escala, de acordo com Wang Chi, diretor do Centro Nacional de Ciências Espaciais da Academia Chinesa de Ciências (CAS) e acadêmico da CAS.
Os objetivos científicos gerais do ILRS incluem geologia lunar, observação astronômica lunar, observação do ambiente espacial do sistema Sol-Terra-Lua, experimentos de ciência fundamental na Lua e utilização de recursos in situ lunares, observou Wang.

A CNSA sempre aderiu aos princípios da igualdade, benefícios mútuos, utilização pacífica do espaço e cooperação vantajosa para todos, observou Bian. Ela acolhe com satisfação a participação de parceiros internacionais em várias etapas do ILRS e em todos os níveis da missão.
Isso promoverá o uso da tecnologia espacial em benefício da humanidade e impulsionará a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade no campo do espaço sideral, afirmou ele.
Amjad Ali, vice-diretor geral e presidente do secretariado da Comissão de Pesquisa Espacial e da Alta Atmosfera (SUPARCO) do Paquistão, afirmou que a CNSA lidera a exploração espacial inclusiva, permitindo que nações espaciais emergentes como o Paquistão se desenvolvam.
Segundo Ali, a próxima missão Chang’e-8 levará um veículo explorador lunar de 30 quilos desenvolvido pela SUPARCO, que contribuirá para o mapeamento do terreno e a análise do regolito.
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O programa da Estação Internacional de Pesquisa Lunar ficará a 100 Km do polo sul lunar
O projeto ILRS tem como objetivo estabelecer uma base de pesquisa científica na Lua, localizada a menos de 100 quilômetros (62 milhas) do polo sul lunar.
O projeto incluirá operações autônomas de longo prazo e missões humanas de curto prazo.
“A estação realizará pesquisas espaciais fundamentais e testará tecnologia para operações não tripuladas de longo prazo do ILRS, com a perspectiva de uma presença humana na Lua”, disse a Roscosmos em um comunicado.

A primeira fase do ILRS, denominada reconhecimento, envolve a coleta de dados e a verificação de pousos suaves de alta precisão entre 2021 e 2025 com as missões chinesas Chang’e-4, -6 e -7, as missões russas Luna 25, 26 e 27 e possíveis missões de parceiros.
A segunda fase de construção consiste em duas etapas (2026-30, 2031-35).
a) Primeira etapa da segunda fase: Envolve verificações tecnológicas, retorno de amostras, entrega de carga maciça e
b) O início de operações conjuntas. As missões planejadas são a Chang’e-8 e a Luna 28, além de potenciais contribuições internacionais.
A segunda fase visa concluir a infraestrutura em órbita e na superfície para energia, comunicações, utilização de recursos in situ e outras tecnologias.

As missões denominadas ILRS-1 a 5 se concentrarão, respectivamente, em energia e comunicações, instalações de pesquisa e exploração, utilização de recursos in situ, tecnologias gerais e capacidades astronômicas. Veículos de lançamento superpesados russos estão programados para lançar as missões.
A fase final de “utilização”, após 2036, marcaria o início dos pousos tripulados permanentes, aquele que serão de longa duração em solo lunar, não mais visitas de ida e volta.
A CNSA publicou um roteiro em suas páginas na internet, enquanto a Roscomcos compartilhou um vídeo de apresentação.
As naves espaciais mostradas no vídeo incluem orbitadores e satélites de retransmissão, veículos de descida e ascensão, infraestrutura de superfície para energia e comunicações, robôs saltadores e minirrovers inteligentes.

A localização do ILRS ainda não foi definida. Está em estudo.
Possíveis destinos mencionados na apresentação foram a cratera Aristarco e as Colinas Marius, no noroeste do lado visível da Lua, e a cratera Amundsen, perto do polo sul.
Sergey Saveliev, vice-diretor geral de Cooperação Internacional da Roscosmos, afirmou ser “difícil superestimar a importância científica do projeto”.
A Rússia e a China assinaram um memorando de entendimento sobre o ILRS em março.
Parceiros internacionais, mais de 50 países, centenas de empresas e instituições de pesquisa, foram abertamente convidados à margem da Subcomissão Científica e Técnica do Comitê das Nações Unidas para a Utilização Pacífica do Espaço Exterior (COPUOS).
A China e a Rússia apresentaram cinco áreas de cooperação nas quais os potenciais parceiros poderiam colaborar.
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A CNSA e a ROSCOMOS convidaram parceiros para cooperar na exploração e uso pacíficos da Lua no interesse de toda a humanidade, sob princípios de igualdade, abertura e integridade
Abaixo segue a transcrição de um memorando histórico, datado de junho de 2021, em que a Agência espacial chinesa, CNSA, e a Agência espacial russa, ROSCOSMOS, celebram o acordo, e convidam parceiros internacionais pra participar na construção, operação e pesquisas na Estação Lunar ILRS.
Autoridades espaciais chinesas e russas revelaram os planos em 16 de junho de 2021 na conferência Global Space Exploration (GLEX) em São Petersburgo, na Rússia:
“O vasto universo desperta o sonho de exploração da humanidade. Como o corpo celeste mais próximo da terra, a Lua sempre foi o objeto mais importante para a exploração do universo, e é o primeiro passo da pegada humana para o espaço profundo.

Com o aprofundamento da exploração, a Lua mostra seus grandes valores potenciais em pesquisa científica. Muitos países lançaram seus próprios planos para a exploração lunar. A cooperação internacional na exploração e utilização lunar é benéfica para melhor promover o bem-estar e os interesses da humanidade.
Considerando a experiência frutífera da República Popular da China e da Federação Russa nas áreas de tecnologia espacial, ciência espacial e aplicação espacial, a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) e a Corporação Espacial Estatal “Roscosmos” (ROSCOSMOS) iniciaram conjuntamente a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) com base no plano de exploração lunar existente de cada um. Doravante, China e Rússia, CNSA e ROSCOSMOS são mencionados em ordem alfabética.
A investigação, exploração e uso mais eficientes e produtivos da Lua podem ser alcançados apenas em uma ampla parceria internacional com a atração de outros países, organizações internacionais e parceiros internacionais (doravante denominados “Parceiros”)
A CNSA e a ROSCOMOS convidam conjuntamente todos os parceiros internacionais interessados a cooperar e contribuir mais para a exploração e uso pacíficos da Lua no interesse de toda a humanidade, aderindo aos princípios de igualdade, abertura e integridade.

A CNSA e a ROSCOSMOS oferecem uma série de oportunidades de cooperação para todos os parceiros internacionais interessados nas fases de planejamento, demonstração, design, desenvolvimento, implementação, operação e pesquisa científica do projeto ILRS. China e Rússia dão as boas-vindas aos parceiros internacionais para participar em todas as fases acima e em todos os níveis hierárquicos de cada fase.
A definição, áreas científicas, domínio de cooperação e oportunidades de colaboração da ILRS foram discutidos e aprovados pelo Grupo de Trabalho Conjunto (JWG) China e Rússia e são descritos neste Guia, que é usado para facilitar que os parceiros encontrem as áreas e missões aplicáveis para participar.”
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Science Direct
doi.org/10.1016/j.spacepol.2022.101537
China Space Agency
CNSA – China National Space Administration
China’s International Lunar Station
International Lunar Research Station (ILRS) Partnership Guide
Space News
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Análise Audiovisual
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