Atualizado 3 de abril de 2026
Tecnologias de radar laser LIDAR e imageamento orbital estão acelerando descobertas arqueológicas globais. Entenda como a ciência espacial está revelando civilizações ocultas sob a floresta amazônica, no campo emergente da Arqueologia espacial.
A seguir veremos como a Arqueologia Espacial transformou as imagens de satélite e o radar LIDAR em uma máquina do tempo. Especialmente em locais cobertos por florestas densas, como na Amazônia. Em texto, imagens e vídeos.

Não estamos apenas mapeando as florestas, estamos redescobrindo quem somos. Estaria a tecnologia do futuro nos dando as chaves para entender o nosso passado mais profundo?
Vídeo 1: Antes dos europeus, Amazônia tinha cidades e pirâmides
Vídeo 2: Arqueólogos descobrem cidades antigas na Amazônia que revelam sociedades complexas
Vídeo 3: Os segredos da floresta
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A tecnologia espacial não está apenas construindo o futuro de sociedades modernas, também resgata o passado que a floresta e o tempo encobriram
A tecnologia espacial não está apenas construindo o futuro de sociedades modernas, está também resgatando o passado que a floresta e o tempo encobriram.
A Arqueologia Espacial é uma das vertentes mais fascinantes da ciência moderna.
O uso do LIDAR (Light Detection and Ranging) a partir de aeronaves e satélites permite “remover” digitalmente a densa cobertura vegetal da Amazônia e de outras florestas, revelando cidades perdidas, geoglifos e sistemas de estradas que mudam completamente a nossa compreensão sobre a densidade populacional e a sofisticação das civilizações.

Ao disparar bilhões de pulsos de laser que atravessam a copa das árvores, o LIDAR desenha o relevo de civilizações que nunca imaginamos terem existido
Acelerando descobertas arqueológicas na Amazônia e em todo o mundo, ajudam revelar e reescrever as histórias dos povos.
Aqui compreendemos por arqueologia espacial o uso tecnologias espaciais, seja em orbita, embarcada em aviões ou radar em veículos, para encontrar sítios arqueológicos sem a necessidade de escavar, construindo mapas em 3D da paisagem encoberta com precisão.
O que não significa que a tecnologia espacial substitua a abordagem posterior do sítio arqueológico in sito pelo arqueólogo para investigar em profundidade por outros métodos no terreno. Desde a coleta de materiais para análise, registro dos artefatos, investigação minuciosa, datação, construção das narrativas histórias, tombamento e proteção.
Em geral a Arqueologia espacial usa sensores espaciais orbitais e aéreos que atuam em variados espectros eletromagnéticos para descobrir assentamentos antigos, vestígios culturais e paisagens ocultos, devido à vegetação, solo ou água.
Arqueólogos usam dados da NASA, e satélites comerciais, ou adquirindo de aviões, processando as informações em plataformas digitais.
Esses conjuntos de dados nos permitem ver além da parte visível do espectro de luz para o infravermelho próximo, médio e distante.
Diferenças espectrais podem mostrar diferenças sutis na vegetação, solo e geologia, que, em seguida, pode revelar características antigas escondidas.
Outro sistema importante é o sensor LIDAR (sigla para Light Detection and Ranging).
O radar laser LIDAR utiliza lasers para fazer a varredura do terreno em detalhes, penetra nas densas florestas, permitindo aos arqueólogos obter imagens abaixo da vegetação e do solo, para revelar construções, marcas de uso do solo, vestígios sutis de casas antigas, corpos de água, objetos, artefatos, caminhos e sistemas viários.

Na atualidade o uso de tecnologias espaciais de imageamento na arqueologia é generalizado, de forma que são ferramentas imprescindíveis. Reduzem o custo da prospecção arqueológica, aceleram o processo pesquisa, tombamento e proteção dos sítios.
Além disso, facilita o uso posteiro de Inteligência artificial na reconstrução de conexões culturais a partir dos artefato, vestígios encontrados com outros dados e datações.
A seguir conheceremos dois grandes projetos no Brasil e no mundo que realizam a prospecção arqueológica a partir de tecnologias espaciais de radar laser LIDAR e de imageamento de bandas espectrais de satélites.
O primeiro grande projeto de arqueologia espacial que veremos é o projeto regional “Amazônia Revelada: Mapeando Legados Culturais”. O projeto é uma parceria com Povos da Floresta, e sobrevoo da Amazônia com a tecnologia Lidar para mapear sítios arqueológicos encobertos pela vegetação.
O segundo grande projeto de arqueologia espacial a ser visto é global, denominado GlobalXplorer. Uma plataforma online que utiliza o poder da colaboração coletiva por pessoas interessadas em todo o mundo para ajudar a analisar a incrível quantidade de imagens de satélite atualmente disponíveis para arqueólogos. .
Lançada pela Dra. Sarah Parcak, vencedora do Prêmio TED de 2016 e membro da National Geographic, como seu “desejo para o mundo”, a GlobalXplorer° visa levar a maravilha da descoberta arqueológica a todos e nos ajudar a compreender melhor nossa conexão com o passado.
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Vídeo 1: Antes dos europeus, Amazônia tinha cidades e pirâmides
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Barreira mental enganosa: A teoria do “degeneracionismo” e o pensamento aristotélico imaginavam que os trópicos não seriam um lugar para desenvolver grandes civilizações
Por muito tempo, acreditou-se que a Amazônia não oferecia condições para o desenvolvimento de sociedades mais complexas.
A teoria do degeneracionismo e o pensamento aristotélico de que os trópicos não seriam um lugar para desenvolver grandes civilizações era na realidade uma barreira mental do colonizador invasor. A umidade e a vegetação densa seriam obstáculos intransponíveis, diziam naturalistas europeus do século 19.
Nada mais enganos do que essa visão eurocêntrica, da época, e ainda predominante hoje na sociedade. A arqueologia em zonas de florestas tropicais em todo mundo tem provado o contrário. Enorme volumes de achados em todo o planeta mostram o estabelecimento de civilizações em areas de densas florestas tropicais no passado.

Civilizações antigas como os incas, os maias e os astecas usavam pedras para construir vias, casas e templos, alguns dos quais seguem de pé até hoje.
Já os povos originários da Amazônia alteravam seu ambiente com movimentações de terra e o uso de madeira e palha, que se decompõem com o tempo.
Por isso, era mais fácil para um naturalista antigo nas Américas encontrar um monumento maia ou uma estrada inca do que vestígios de uma vila na Amazônia.
Isso vem mudando nos últimos anos, com o uso da tecnologia espacial LiDAR, um radar de pulsos de laser que consegue escanear com detalhes o solo abaixo da copa das árvores.
A imagem do LIDAR pode revelar estruturas construídas pelo homem na floresta, como valas, estradas e vestígios de casas.
No Brasil o uso do LiDAR está sendo usado no projeto Amazônia Revelada, que tem como meta escanear áreas da floresta em busca de sítios arqueológicos, em parceria com os povos tradicionais da Amazônia.
Antes, em 2015 uma pesquisa do tipo no Equador encontrou um conjunto de antigas cidades na floresta que abrigaram milhares de pessoas há cerca de 2.500 anos. Em 2019, um grupo de arqueólogos bolivianos e alemães também fez isso na Amazônia boliviana.
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Vídeo 2: Arqueólogos descobrem cidades antigas na Amazônia que revelam sociedades complexas
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Amazônia Revelada: Povos milenares da Amazônia atuam em parceria com arqueólogos para construir a própria história
Com mais de 60 sítios arqueológicos identificados, o projeto Amazônia Revelada: Mapeando Legados Culturais está ajudando a reconstituir a história da porção brasileira do bioma, combinando pesquisa arqueológica com o conhecimento tradicional dos povos da floresta.
O projeto recupera registros arqueológicos de populações que ocuparam a Amazônia brasileira por mais de 12.000 anos. Com isso, adiciona uma nova camada de proteção ao bioma, uma vez que os sítios arqueológicos são considerados bens culturais que devem ser protegidos pelas autoridades públicas no Brasil, sob a tutela do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Duas estratégias complementares estão em vigor para identificar sítios arqueológicos:
1- Sobrevoos que registram modelos tridimensionais da superfície terrestre usando a tecnologia LiDAR (Detecção e Alcance por Luz);
2- Levantamentos realizados por pesquisadores locais, pertencentes aos povos indígenas e tradicionais da região.
“Ao estabelecerem seus assentamentos, esses povos da Amazônia antiga deixaram uma espécie de impressão digital humana presente na floresta, na terra e até mesmo na água”, explica Carlos Augusto da Silva, arqueólogo indígena da Universidade Federal do Amazonas (UFA), em Manaus, e um dos pesquisadores do projeto Amazônia Revelada desde sua concepção.
Conhecido como Dr. Tijolo, o pesquisador afirma que, além de fragmentos de cerâmica, foram encontradas evidências de que esses povos já praticavam uma forma primitiva de bioeconomia e economia circular, baseada na troca de sementes e no manejo florestal sustentável.

“Espécies vegetais como castanha-do-pará, caju, açaí, cacau, pupunha e bacaba parecem ter sido plantadas e manejadas por essas populações. Também encontramos solos de terra preta [ricos em matéria orgânica e fértil], o que indica ocupação humana de longa data e manejo intencional do meio ambiente”, afirma.
As escavações recentes ocorreram no município de Altamira (PA), às margens dos rios Riozinho e Iriri, afluentes do Xingu, onde foram identificados quatro sítios arqueológicos monumentais.
O projeto também possui uma componente educativa, com atividades no laboratório de arqueologia da UFA e em escolas primárias e secundárias.
“Vejo este conhecimento como uma espécie de semente, como a castanha, que carrega esta sabedoria com saúde“, acrescenta Tijolo.
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Indiana Jones encontra o Google Earth: GlobalXplorer é um projeto global de arqueologia espacial por imagens de satélite, popular, acessível a todos
O segundo projeto de arqueologia espacial mais proeminente, reconhecido mundialmente, estimula o público a buscar sítios arqueológicos usando imagens de satélite (incluindo tecnologias Google), é o GlobalXplorer.
Descrito como “Indiana Jones encontra o Google Earth“, é uma plataforma de arqueologia participativa (citizen science) que permite a qualquer pessoa com internet ajudar a identificar e mapear sítios arqueológicos.
GlobalXplorer é uma plataforma online que utiliza o poder da colaboração coletiva para analisar a incrível quantidade de imagens de satélite atualmente disponíveis para arqueólogos.

Lançada pela Dra. Sarah Parcak, vencedora do Prêmio TED de 2016 e membro da National Geographic, como seu “desejo para o mundo”, a GlobalXplorer visa levar a maravilha da descoberta arqueológica a todos e nos ajudar a compreender melhor nossa conexão com o passado.
O GlobalXplorer só foi possível graças ao TED. Primeiro, por ter popularizado o trabalho da arqueóloga por meio de duas palestras; mas, principalmente, por ter concedido a última edição de seu prêmio anual de US$ 1 milhão ao projeto.
A partir do valor do prêmio, a plataforma foi desenvolvida ao longo de 2016 em parceria com a empresa de imagens de satélite DigitalGlobe, que criou também o sistema Tomnod, responsável pelo crowdsourcing das imagens.
“Foi uma oportunidade não apenas para que fôssemos propagadores de ideias, mas para que agíssemos juntos para solucionar algumas das questões mais complicadas do mundo”, diz Anna Verghese, diretora do Prêmio TED
Para Anna Verghese, a arqueóloga Sarah Parcak é uma “visionária Indiana Jones feminina capaz de engajar uma massa crítica de pessoas para executar sua ideia audaciosa.”. Pois a depredação sistemática do patrimônio cultural cresce em ritmo acelerado sobretudo no Egito e no Oriente Médio.
Além da identificação de estruturas ancestrais perdidas, as imagens de satélite permitem monitorar locais históricos já reconhecidos, pois revelam indícios de saque ou danos.

Munida dessas evidências, a equipe do GlobalXplorer vai poder informar os governos para que tomem atitudes e também os arqueólogos que arriscam a própria vida na tentativa de preservar os patrimônios.
Outro trabalho de impacto será feito para atenuar uma triste realidade: muitas das comunidades mais pobres do mundo coexistem com os sítios mais famosos.
Para reverter o quadro, o projeto firmou parceria com a ONG Sustainable Preservation Initiative (Iniciativa de Preservação Sustentável).
“Desde 2010, a SPI tem trabalhado em países como o Peru para identificar sítios arqueológicos e empoderar as comunidades ao redor para que prosperem economicamente por meio de seus patrimônios culturais”, diz o porta-voz Daniel Lampert.
A organização estimula o empreendedorismo com foco nas mulheres.
Unidas em cooperativas, adquirem autossuficiência pelo turismo ao se apropriar, de maneira sustentável, da cultura dos ancestrais. Salva-se o passado e constroem-se futuros mais inspiradores.
E é assim que aquelas antigas bolachas-da-praia de Maine, além de terem contribuído para a descoberta de pirâmides no Egito, vão ajudar a melhorar a vida das pessoas no Peru — e, em breve, também de outros lugares do planeta.
Rodrigo Almeida de Sousa, geógrafo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) especialista em arqueologia, acompanha há anos o trabalho de Sarah Parcak — e o vê com bons olhos.
Sousa diz que a chegada da plataforma seria uma boa oportunidade para estimular o uso de técnicas mais modernas por pesquisadores brasileiros.
“Eles têm que começar a sair da caixinha e pensar em novas formas de utilizar as tecnologias de maneira menos ortodoxa.”
Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Projeto Amazônia Revelada
Amazônia Revelada: Mapeando Legados Culturais
IPAM – Amazônia
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DW
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Projeto Global Xplorer
Galileu
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Arqueologia e Pre-historia
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