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Atualizado 25 de fevereiro de 2026 por Sergio A. Loiola

Análise das maiores moléculas orgânicas complexas detectadas em Marte sugere que a presença destes compostos são difíceis de explicar sem a presença de vida. 

A pesquisa foi publicada na Revista SAGE Publications – AstroBiology.

Pesquisadores haviam encontrado compostos orgânicos complexos ao analisar rochas pulverizadas a bordo do rover Curiosity da NASA encontraram os maiores compostos orgânicos já encontrados no Planeta Vermelho.

Agora uma nova análise revelou que seria difícil explicar a existência dos compostos encontrados sem a existência de vida, ao manos no passado.

O rover Curiosity da NASA tirou esta selfie em Marte em um local apelidado de Mary Anning, em homenagem a uma paleontóloga inglesa do século XIX. O Curiosity coletou três amostras de rocha perfurada neste local em sua saída da região de Glen Torridon. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Entenda por que a complexidade desses compostos pode indicar vida antiga.

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Veremos a seguir por que os pesquisadores sugerem possibilidades de vida orgânica no passado para produzir os compostos orgânicos encontrados, e as implicações para a astrobiologia. Em texto, imagens e vídeos.

Estamos brincando de esconde-esconde com a vida em Marte há décadas. Mas agora, as moléculas encontradas são tão complexas que a ‘química morta’ já não consegue explicar o que estamos vendo.

Seriam esses os restos mortais de uma biosfera marciana de bilhões de anos atrás?

O que você acha: estamos perto de confirmar que nunca estivemos sozinhos no sistema solar?

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Fontes não biológicas não conseguiram explicar completamente a abundância de compostos orgânicos em uma amostra coletada em Marte

Em um novo estudo, pesquisadores afirmam que as fontes não biológicas que consideraram não conseguiram explicar completamente a abundância de compostos orgânicos em uma amostra coletada em Marte pelo rover Curiosity da NASA.

Essas moléculas analisadas foram obtidas de amostra de rocha coletada pelo rover Curiosity da NAS. São as maiores moléculas orgânicas já detectadas em Marte.

Os compostos — decano, undecano e dodecano — podem ser fragmentos de ácidos graxos, que na Terra são mais frequentemente associados à vida.

Este gráfico mostra as moléculas orgânicas de cadeia longa decano, undecano e dodecano. Estas são as maiores moléculas orgânicas descobertas em Marte até o momento. Elas foram detectadas em uma amostra de rocha perfurada chamada “Cumberland”, que foi analisada pelo laboratório Sample Analysis at Mars, localizado no interior do rover Curiosity da NASA. O rover, cuja selfie está à direita na imagem, explora a Cratera Gale desde 2012. Uma imagem do furo de perfuração de Cumberland é levemente visível ao fundo das cadeias de moléculas. Baixe o gráfico aqui:  https://svs.gsfc.nasa.gov/14808/#media_group_377732 NASA/Dan Gallagher

Embora processos não biológicos, como impactos de meteoritos, também possam criar tais moléculas, os pesquisadores descobriram que essas fontes não explicam completamente as quantidades detectadas.

Compostos orgânicos são moléculas que contêm carbono e formam os blocos de construção químicos da vida como a conhecemos. Eles podem ser criados por organismos vivos, mas alguns também podem se formar por meio de reações químicas naturais que não envolvem vida.

O rover Curiosity, que explora a Cratera Gale desde 2012, carrega um laboratório químico em miniatura projetado para aquecer amostras de rocha e analisar os gases liberados.

Usando esse laboratório a bordo, os cientistas detectaram diversos compostos intrigantes em uma amostra de rocha coletada por perfuração.

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As maiores moléculas orgânicas já encontradas em Marte: decano, undecano e dodecano são Hidrocarbonetos feitos de carbono e hidrogênio, relacionadas aos ácidos graxos.

Em março de 2025, pesquisadores anunciaram a identificação de traços de decano, undecano e dodecano. Esses são hidrocarbonetos, ou seja, compostos apenas por átomos de carbono e hidrogênio. Pertencem a um grupo de moléculas que podem ser relacionadas aos ácidos graxos.

Os ácidos graxos são componentes importantes das membranas celulares em organismos vivos na Terra, embora moléculas semelhantes também possam se formar por meio de reações puramente geológicas sob certas condições.

A rocha que continha esses compostos é um antigo folhelho argiloso localizado na Cratera Gale. O folhelho argiloso se forma a partir de sedimentos de granulação fina que outrora se depositaram na água, sugerindo que a área pode ter abrigado lagos bilhões de anos atrás.

O rover Curiosity da NASA perfurou esta rocha, “Cumberland”, durante o 279º dia marciano, ou sol, de sua missão em Marte (19 de maio de 2013) e coletou uma amostra pulverizada do material do interior da rocha. O Curiosity utilizou a câmera MAHLI (Mars Hand Lens Imager) em seu braço para capturar esta imagem do furo em Cumberland no mesmo sol em que o furo foi feito. O diâmetro do furo é de aproximadamente 1,6 centímetros (0,6 polegadas). A profundidade do furo é de aproximadamente 6,6 centímetros (2,6 polegadas). Baixe o GIF aqui:  https://svs.gsfc.nasa.gov/14808/#media_group_377749 NASA/JPL-Caltech/MSSS

Os cientistas propuseram que as moléculas detectadas pelo Curiosity poderiam ser fragmentos de ácidos graxos que foram preservados na rocha ao longo de vastos períodos de tempo.

Será que os meteoritos poderiam explicar a presença de matéria orgânica em Marte?

Os instrumentos do Curiosity conseguem identificar moléculas, mas não podem determinar diretamente como essas moléculas se formaram. Devido a essa limitação, os pesquisadores não puderam afirmar se os compostos foram produzidos por atividade biológica ou por processos químicos não biológicos.

Para explorar essa questão, os cientistas realizaram uma investigação complementar focada em fontes não biológicas conhecidas. Uma possibilidade é que meteoritos que atingiram Marte tenham depositado material orgânico na superfície.

Sabe-se que os meteoritos contêm moléculas à base de carbono, e os impactos têm sido comuns ao longo da história marciana.

A equipe avaliou se esse tipo de deposição externa, juntamente com outras reações químicas abióticas, poderia explicar os níveis de compostos orgânicos medidos na amostra.

Em artigo publicado em 4 de fevereiro na revista Astrobiology , os pesquisadores relataram que os mecanismos não biológicos que examinaram não explicavam completamente a abundância de compostos orgânicos detectados pelo Curiosity.

Com base em sua análise, concluíram que é razoável considerar a possibilidade de que organismos vivos possam ter contribuído para a formação dessas moléculas.

Isso não significa que a vida tenha sido confirmada em Marte. Em vez disso, sugere que explicações não biológicas, por si só, podem não ser suficientes para explicar os dados.

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O Modelo indicou que a quantidade de material que existia antes de ser degradado era muito maior do que a produzida por processos não biológicos típicos

Para entender melhor a quantidade de matéria orgânica que pode ter estado presente originalmente, os cientistas combinaram experimentos de radiação em laboratório, simulações computacionais e medições do Curiosity.

Marte não possui uma atmosfera densa nem um campo magnético global como a Terra, o que significa que sua superfície está constantemente exposta à radiação cósmica. Com o tempo, essa radiação pode quebrar moléculas complexas.

A equipe tentou “retroceder o relógio” em cerca de 80 milhões de anos, que é o tempo estimado em que a rocha ficou exposta na superfície de Marte.

Representação artística do rover Curiosity, que explora Marte há 13 anos. Crédito: Rawpixel.com – Shutterstock

Modelando como a radiação destrói gradualmente as moléculas orgânicas, eles calcularam a quantidade de material que existia antes de ser degradado.

Os resultados indicam que a quantidade original de compostos orgânicos era provavelmente muito maior do que a produzida por processos não biológicos típicos.

É necessário realizar mais pesquisas sobre moléculas orgânicas em Marte.

Os pesquisadores enfatizam que são necessários mais experimentos para entender a rapidez com que as moléculas orgânicas se decompõem em rochas semelhantes às de Marte, sob condições ambientais similares.

Estudos laboratoriais que reproduzam com maior precisão as temperaturas, os níveis de radiação e a composição química marciana ajudarão a refinar essas estimativas.

Até que mais dados estejam disponíveis, os cientistas não podem tirar conclusões definitivas sobre se esses compostos indicam vida passada ou se podem ser explicados apenas pela química.

O que as descobertas mostram é que a história química preservada nas rochas marcianas pode ser mais complexa e intrigante do que se pensava anteriormente.

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Bibliografia

SAGE Publications – AstroBiology

Does the Measured Abundance Suggest a Biological Origin for the Ancient Alkanes Preserved in a Martian Mudstone?

doi.org/10.1177/15311074261417879

NASA

NASA’s Curiosity rover detects the largest organic molecules ever found on Mars.

Análise Audiovisual

Vídeo 1 – Mistério do Espaço: NASA encontra indício de vida em Marte

Vídeo 2 – Matéria do Universo: Todas as Evidências de Vida em Marte Que a Ciência Já Encontrou

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Vida em Marte? Molécula Encontrada Pode Ser de Atividade Biológica no Passado | Nature Space

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