Atualizado 8 de dezembro de 2025 por Sergio A. Loiola
O processo evolutivo humano foi adaptado durante milhões de anos para nichos ecológicos naturais, sendo incompatível com a vida nas cidades, afirmam cientistas em uma nova pesquisa.
A pesquisa foi publicada na Revista: Biological Reviews.

A pesquisa comparou os habitats humanos contemporâneos e ancestrais antes de avaliar os efeitos dessas mudanças nas funções biológicas essenciais que sustentam a aptidão evolutiva.
Veremos a seguir como os pesquisadores testaram a hipótese da incompatibilidade ambiental, e as implicação para a saúde e bem estar. Em texto, imagens e vídeos.
Como melhorar as moradias e o ambiente das cidades afim de tornar os habitat humano mais agradáveis a sua aptidão evolutiva? Deixe seu comentário no final!
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Problemas de saúde modernos podem ter origem na incompatibilidade evolutiva entre nossa biologia ancestral e os ambientes das cidades
Um novo estudo dos antropólogos evolucionistas Colin Shaw (Universidade de Zurique) e Daniel Longman (Universidade de Loughborough) argumenta que o ritmo da vida moderna tem sido mais acelerado do que a evolução humana consegue acompanhar.
De acordo com o trabalho deles, muitos problemas de estresse crônico e uma ampla gama de preocupações com a saúde contemporâneas podem surgir de uma incompatibilidade entre a biologia moldada em ambientes naturais e o mundo altamente industrializado em que vivemos hoje.

Os pesquisadores compararam os habitats humanos contemporâneos e ancestrais antes de avaliar os efeitos dessas mudanças nas funções biológicas essenciais que sustentam a aptidão evolutiva.
Em seguida, observaram se a industrialização criou uma incompatibilidade entre nossa biologia, primariamente adaptada à natureza, e os novos desafios impostos pelos ambientes industrializados contemporâneos – uma possibilidade que enquadrada sob a ótica da Hipótese da Incompatibilidade Ambiental.
Por fim avaliaram abordagens experimentais para testar essa hipótese e apresentaram as implicações mais amplas de tal incompatibilidade.
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Humanos vivem em desarmonia com o ambiente, longe de sua aptidão evolutiva
Durante centenas de milhares de anos, os humanos se adaptaram às condições da vida de caçadores-coletores, que envolvia movimento constante, breves períodos de perigo e contato regular com paisagens naturais.
Em contraste, a industrialização remodelou rapidamente o ambiente humano em apenas alguns séculos.

Essa mudança trouxe consigo poluição sonora, do ar e luminosa, microplásticos, pesticidas, estímulos sensoriais contínuos, iluminação artificial, dietas processadas e um comportamento muito mais sedentário.
“Em nossos ambientes ancestrais, éramos bem adaptados para lidar com o estresse agudo, seja para escapar ou confrontar predadores”, explica Colin Shaw, que lidera o grupo de pesquisa em Ecofisiologia Evolutiva Humana (HEEP) juntamente com Daniel Longman.
“O leão aparecia de vez em quando, e você tinha que estar pronto para se defender – ou fugir. O importante é que o leão vá embora.”

As pressões modernas – trânsito, estresse no trabalho, redes sociais e ruído constante, entre outras – ativam as mesmas vias internas de estresse, mas sem oferecer a recuperação que antes se seguia a ameaças passageiras.
“Nosso corpo reage como se todos esses fatores estressantes fossem leões”, diz Longman.
“Seja uma discussão difícil com seu chefe ou o barulho do trânsito, seu sistema de resposta ao estresse continua o mesmo como se você estivesse enfrentando um leão atrás do outro. Como resultado, você tem uma resposta muito forte do seu sistema nervoso, mas nenhuma recuperação.”
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Industrialização e o crescimento das cidades reduzem a aptidão evolutiva humana
Em sua análise, Shaw e Longman sintetizam pesquisas que indicam que a industrialização e o crescimento das cidades podem estar reduzindo a aptidão evolutiva humana geral.
Em termos evolutivos, uma espécie prospera quando seus membros são capazes de sobreviver e se reproduzir.

Os autores argumentam que ambas as medidas fundamentais têm sido afetadas negativamente desde o início da Revolução Industrial.
Eles apontam para a queda nas taxas globais de fertilidade e o aumento dos níveis de doenças inflamatórias crônicas, como as doenças autoimunes, como sinais de que os ambientes industriais estão causando um impacto biológico.

“Existe um paradoxo: por um lado, criamos imensa riqueza, conforto e assistência médica para muitas pessoas no planeta”, diz Shaw,
“mas, por outro lado, algumas dessas conquistas industriais estão tendo efeitos prejudiciais em nossas funções imunológicas, cognitivas, físicas e reprodutivas.”
Um exemplo bem documentado é o declínio global na contagem e motilidade dos espermatozoides observado desde a década de 1950, que Shaw associa a fatores ambientais.
“Acredita-se que isso esteja ligado a pesticidas e herbicidas nos alimentos, mas também a microplásticos”, observa ele.
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A evolução biológica não consegue acompanhar as mudanças tecnológicas e ambientais
Dado o ritmo das mudanças tecnológicas e ambientais, a evolução biológica não consegue acompanhar.
“A adaptação biológica é muito lenta. As adaptações genéticas de longo prazo são multigeneracionais – de dezenas a centenas de milhares de anos”, diz Shaw.

Isso significa que a discrepância entre nossa fisiologia evoluída e as condições modernas dificilmente se resolverá naturalmente.
Em vez disso, argumentam os pesquisadores, as sociedades precisam mitigar esses efeitos repensando sua relação com a natureza e projetando ambientes mais saudáveis e sustentáveis.
Segundo Shaw, resolver essa discrepância exige soluções tanto culturais quanto ambientais.

“Uma abordagem é repensar fundamentalmente nossa relação com a natureza – tratando-a como um fator essencial para a saúde e protegendo ou regenerando espaços que se assemelhem aos do nosso passado de caçadores-coletores”, afirma.
Outra é projetar cidades mais saudáveis e resilientes que levem em consideração a fisiologia humana.
“Nossa pesquisa pode identificar quais estímulos afetam mais a pressão arterial, a frequência cardíaca ou a função imunológica, por exemplo, e repassar esse conhecimento aos tomadores de decisão”, explica Shaw. “Precisamos acertar em nossas cidades – e, ao mesmo tempo, regenerar, valorizar e passar mais tempo em espaços naturais.”
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Bibliografia
Revista Biological Reviews
Artigo: Homo sapiens, industrialisation and the environmental mismatch hypothesis
Autores: Daniel P. Longman, Colin N. Shaw
DOI: 10.1111/brv.70094
Scitech Daily
New research suggests that humans evolved for nature, not for cities.
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Pesquisa: Aptidão Evolutiva Humana é Para a Natureza, Não Para Cidades


















