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Atualizado 19 de janeiro de 2026 por Sergio A. Loiola

Cientistas da USP São Carlos desenvolveram método que monitora Pontos Quânticos em tempo real usando frequência da luz cromática emitida, permitindo controlar o processo.

A pesquisa foi publicada na Revista Revista Nature Scientific Reports

Amostras de pontos quânticos de CdTe sintetizados a 70, 80 e 90 °C. [Imagem: P. F. G. M. da Costa et al. – 10.1038/s41598-024-57810-8]


Nova tecnologia é um ganho bastante significativo. Monitorar a solução onde os pontos quânticos são produzidos permite controlar o processo.

A seguir veremos o novo método para produção de pontos quânticos desenvolvidos por pesquisadores da USP, e a importância para a revolução que os pontos quânticos promete nas area de semicondutores, energia e outros. Em texto, imagens e vídeos.

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Por que a tecnologia dos pontos quânticos pode revolucionar a produção de energia solar, telas de alta resolução, LEDs, e sensores de vários tipos? Deixe seu comentário no final!

Vídeo 1: Como funcionam os Pontos Quânticos?

vídeo 2: Como Pontos Quânticos Podem Tornar o Painel Solar Mais Eficiente

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As nanopartículas semicondutoras emissoras de luz levaram o Prêmio Nobel de Química

As nanopartículas semicondutoras emissoras de luz levaram o Prêmio Nobel de Química aos pesquisadores. Hoje formam os píxeis das telas mais modernas, e muitas outras aplicações, células solares revolucionárias, LEDs feitos com cascas de arroz e até qubits para computadores quânticos.

Moungi Bawendi, Louis Brus e Alexei Ekimov sintetizaram e desenvolveram os pontos quânticos. [Imagem: Niklas Elmehed/Nobel Prize]

A luminescência é um fenômeno observado em materiais que absorvem luz em uma determinada faixa de frequência e, posteriormente, a reemitem em frequências diferentes.

Por meio da absorção, os elétrons no estado eletrônico fundamental do material são excitados a um estado de mais alta energia.

Após um tempo, característico de cada estado excitado, decaem a estados de mais baixa energia, inclusive o estado fundamental, emitindo luz.

Esse fenômeno possibilita uma gama de aplicações tecnológicas, mediante dispositivos emissores de alta eficiência e reprodutibilidade, que podem ser facilmente miniaturizados.

Entre os materiais que exibem a mais alta eficiência de luminescência, destacam-se os pontos quânticos (Quantum Dots, QDs).

Estes são os famosos pontos quânticos. À esquerda, imagem de microscópio eletrônico de transmissão de um nanocristal de seleneto de cádmio (CdSe). No centro, a estrutura atômica de um ponto quântico. À direita, os estados eletrônicos em um ponto quântico. [Imagem: Efros/Brus – 10.1021/acsnano.1c01399]

É nesse contexto de controle do processo que se destaca a nova tecnologia de pontos quânticos da USP.

A nova técnica permite monitorar em tempo real o que está acontecendo na solução onde os pontos quânticos são produzidos, isto é, acompanhar o crescimento cristalino por meio da cor (frequência) que os pontos quânticos emitem.

Isso é crucial porque as características de emissão de luz dos pontos quânticos (PQs) estão diretamente ligadas ao seu tamanho, devido ao fenômeno do confinamento quântico.

Os elétrons ficam presos, ou confinados, no interior do ponto quântico como se estivessem em uma caixa cujas paredes são as barreiras de potencial criadas pelo material semicondutor.

Assim, do mesmo modo que ocorre em um átomo, os elétrons só podem ocupar níveis discretos de energia. E esses níveis discretos são determinados pelo tamanho do ponto quântico – quanto menor o ponto, mais próximos os níveis de energia se tornam, determinando sua emissão de luz.

Vídeo 1: Como funcionam os Pontos Quânticos?

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Nanopartículas semicondutoras que emitem luz diretamente associada ao tamanho dos pontos, devido ao fenômeno de confinamento quântico

Os pontos quânticos são nanopartículas semicondutoras cujas características emissivas estão diretamente ligadas ao tamanho dos pontos, devido ao fenômeno de confinamento quântico.

Por essa razão, o monitoramento e o controle do crescimento cristalino, durante a síntese dos Pontos quânticos em solução, oferecem a oportunidade de planejamento inteligente da luminescência desejada.

Dispositivo de monitoramento de luminescência in situ criado pela equipe, acoplado a um espectrômetro de fluorescência. [Imagem: P. F. G. M. da Costa et al. – 10.1038/s41598-024-57810-8]

Em trabalho publicado no periódico Scientific Reports, pesquisadores do grupo da professora Andrea de Camargo, no Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), e colaboradores da Kiel University, na Alemanha, apresentaram uma nova abordagem para o monitoramento da formação de QDs.

Sem interferir na síntese dos Pontos Quânticos, a técnica permite monitorar em tempo real o que está acontecendo na solução, isto é, acompanhar o crescimento cristalino por meio da cor (frequência) de emissão detectada.

Conforme os pesquisadores, “A síntese é realizada a partir de uma mistura de soluções precursoras de íons de cádmio (Cd2+) e telúrio (Te2-), na presença de um reagente para controle de tamanho. Com o aumento da temperatura, a reação química é iniciada, mediante a aproximação e agrupamento de íons de telureto e de cádmio.

a ) Espectros 3D e ( b ) perfil de mapa de cores a 70, 80 e 90 °C em função do tempo de reação. A Figura  3a mostra os espectros de emissão registrados in situ para QDs preparados a 70, 80 e 90 °C. Para a reação realizada a 70 °C, observa-se um crescimento mais lento dos QDs, que exibem emissão em 480 nm após 20 min de reação, e após 180 min o centro de emissão desloca-se para 555 nm. Para as reações realizadas a 80 e 90 °C, as faixas de emissão foram de 510 a 605 nm e de 545 a 665 nm, respectivamente, para os mesmos tempos de reação. Figura: Artigo Nature: https://www.nature.com/articles/s41598-024-57810-8

À medida que a reação prossegue, unidades adicionais de CdTe vão se agrupando esfericamente em um processo chamado de automontagem. Graças ao monitoramento rápido e preciso das frequências de emissão, pode-se estimar o tamanho das nanopartículas.

QDs de telureto de cádmio com diâmetro em torno de 1 a 2 nanômetros (nm) emitem na região do azul e verde do espectro visível, enquanto QDs maiores, na faixa de 4 a 5 nm, emitem em frequências mais baixas, como amarelo e vermelho, respectivamente”, explica Leonnam Gotardo Merizio, pós-doutorando no IFSC-USP e coautor do artigo.

Costa ressalta a vantagem do novo método em relação à estratégia convencional de síntese.

“Na técnica convencional, é preciso retirar pequenas alíquotas de amostra da solução, para medir o tamanho dos pontos quânticos. Na técnica in situ, as medidas são feitas enquanto o processo ocorre, sem a necessidade de interferir no meio reacional retirando amostras.

Isso possibilita obter maior número de espectros por unidade de tempo, além de não alterar o volume reacional e evitar descartes desnecessários. Desse modo, a técnica permite controlar, de forma bem mais precisa, a cor de emissão dos QDs de interesse.

O mesmo equipamento que entrega a luz de excitação, através de uma fibra óptica, no comprimento de onda apropriado, é também responsável pela coleta da luz emitida e determinação de sua frequência característica, no sistema de cores RGB [do inglês, red, green and blue].

Vale ressaltar que o controle do sistema RGB é relevante para a formação das imagens em diversos dispositivos luminescentes, como monitores e telas de celulares”, afirma.

O pesquisador acrescenta que os QDs assim sintetizados foram adicionalmente caracterizados por análises de difração de raios X, microscopia eletrônica de transmissão, espectroscopia de absorção UV-Vis e espectroscopia vibracional no infravermelho.

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Pontos Quânticos, ou efeito de confinamento quântico, foram teoricamente previstos em 1937

A existência dos pontos quânticos foi prevista teoricamente em 1937 pelo físico alemão, naturalizado britânico, Herbert Fröhlich (1905-1991).

Na década de 1980, Alexey Ekimov (nascido em 1945), na antiga União Soviética, e Louis Brus (nascido em 1943), nos Estados Unidos, observaram o fenômeno de confinamento quântico em nanopartículas semicondutoras pela primeira vez.

Estrutura cristalina dos pontos quânticos de CdTe, apresentando uma fase cristalina cúbica, onde o cádmio está representado em azul e o telúrio em vermelho. À direita, micrografias dos pontos em níveis crescentes de aproximação. [Imagem: P. F. G. M. da Costa et al. – 10.1038/s41598-024-57810-8]

Na década de 1990, o francês de origem tunisiana Moungi Bawendi (nascido em 1961) também contribuiu com estudos de aperfeiçoamento da síntese das nanopartículas por diferentes técnicas.

Em 2023, os três, Ekimov, Brus e Bawendi, foram premiados com o Nobel de Química por suas contribuições no desenvolvimento desse material.

Embora existam muitas publicações relatando a síntese de Pontos Quânticos de CdTe, a maior contribuição do trabalho em pauta está no desenvolvimento e aplicação do sistema de medidas de luminescência in situ, extremamente versátil.

Além de permitir a inferência dos tamanhos das nanopartículas cristalinas, como neste caso-modelo, a metodologia também possibilita caracterizar a formação de compostos intermediários em reações químicas, por associação in situ de outras técnicas que permitam análise química e/ou estrutural [FT-IR, Raman, DRX etc.].

De modo geral, essa aproximação possibilita avaliar a evolução de processos de síntese resultando na otimização do rendimento químico e economizando energia”, diz Camargo.

Bibliografia

Revista Nature Scientific Reports

Artigo: Real-time monitoring of CdTe quantum dots growth in aqueous solution
Autores: P. F. G. M. da Costa, L. G. Merízio, N. Wolff, H. Terraschke, A. S. S. de Camargo
Vol.: 14, Article number: 7884
DOI: 10.1038/s41598-024-57810-8

Agência Fapesp

Novo método aprimora a produção de pontos quânticos luminescentes com tamanho controlado

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Método Criado na USP Monitora Pontos Quânticos em Tempo Real Com Luz Cromática

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