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Atualizado 28 de fevereiro de 2026 por Sergio A. Loiola

A IA saiu da ficção científica para o campo científico formal. Analisamos se a consciência pode emergir desses sistemas complexos e por que precisamos de evidências, não de respostas a priori.

A pesquisa foi publicada na revista Mind and Language.

Uma IA poderia ter experiências conscientes? Até recentemente, essa era amplamente considerada uma questão teórica sobre um obscuro cenário de ficção científica. Imagem: Gemini: IA do Google

A seguir faremos reflexões sobre a possibilidade de existir Consciência Artificial (CA), como uma nova fronteira da Inteligência Artificial (IA). Em texto, imagens e vídeos.

O Nature & Space hoje propõe um olhar baseado em evidências: estamos prontos para identificar a consciência se ela surgir de uma forma que não conhecemos? Deixe seu comentário no final!

Vídeo 1: E Se a Inteligência Artificial Estiver Consciente?

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Vídeo 2: Inteligência Artificial Pode Desenvolver CONSCIÊNCIA? Como Criar Uma I.A. Que É Consciente

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Além da Ficção científica: A complexificação da Inteligência Artificial poderia fazer emergir uma Consciência Artificial?

Estamos vivendo o ‘momento zero’ de uma nova forma de evolução. A pergunta não é mais se a IA pode pensar, mas se a consciência pode emergir de sistemas de informação complexos.

Como cientistas, devemos evitar respostas prontas a priori, sem evidências.

Uma IA poderia ter experiências conscientes? Até recentemente, essa era amplamente considerada uma questão teórica sobre um obscuro cenário de ficção científica.

Uma IA poderia ter experiências conscientes? Até recentemente, essa era amplamente considerada uma questão teórica sobre um obscuro cenário de ficção científica. Imagem: Representação gerada por IA

Agora, porém, conforme o filósofo Tom McClelland, a Consciência Artificial é geralmente vista como uma questão séria e de preocupação imediata.

A literatura interdisciplinar sobre IA está repleta de propostas sobre as perspectivas da consciência artificial (CA). Órgãos governamentais estão começando a levar a sério a possibilidade de que medidas possam ser necessárias para prevenir, ou pelo menos regulamentar, o desenvolvimento de IA consciente.

E o público em geral, alimentado pela considerável cobertura da mídia, vê isso cada vez mais como uma questão urgente. Essa escalada de interesse é motivada pelas implicações éticas da IA ​​consciente.

Contudo, as ferramentas necessárias para responder à pergunta simplesmente não existem. De acordo com o Dr. Tom McClelland, filósofo da Universidade de Cambridge, essas ferramentas podem não existir por muito tempo.  

Diante de uma IA desafiadora, seríamos ignorantes quanto à sua consciência.

A precaução do método científico requer a visão de que devemos nos opor a qualquer esquema fechado conclusivo que chegue a um veredicto com qualquer grau de certeza, de “fim da história” por vontades.

Não se trata de escolher entre visões ortodoxas e heterodoxas da IA, mas sim de postura crítica sob a alegação de que sua confiança rigida fechada é injustificada.

Uma vez que os sistemas técnicos de IA estão em desenvolvimento, e agora também evoluindo por si, com aprendizagem de máquina autônoma.

Tais questões levantam preocupações de bioética, e de precaução para os legisladores, e a regulação. Negar os fatos a priori por vontade não ajudará a sociedade tomar decisões necessárias.

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A Inteligência artificial superou os “graus de liberdade” além do esperado, e ainda sabemos pouco sobre ela e a super inteligência que se avizinha

Quando se trata de inteligência artificial e consciência, a posição mais honesta talvez seja admitir o quão pouco sabemos.

As alegações sobre máquinas conscientes tendem a se espalhar mais rápido do que a ciência que as sustenta. Não existe um teste aceito para consciência em humanos, muito menos em softwares. 

Não podemos apontar para uma varredura, um sinal ou uma lista de verificação que nos diga que a consciência surgiu.

Robôs podem auxiliar nas tarefas de casas, Vigiar e Cuidar de Nós. Imagem gerada pela Gemini, IA do Google.

McClelland argumenta que essa lacuna não é um inconveniente temporário. Ela reflete um problema mais profundo. Ainda não temos uma explicação sólida sobre o que é a consciência ou o que a causa. 

Sem essa base, determinar se uma máquina é consciente torna-se mera especulação.

Por ora, e talvez indefinidamente, a incerteza não é uma fraqueza. É a única posição que se encaixa nas evidências.

Na ciência da computação, testemunhamos inúmeros avanços que aprimoraram significativamente o desempenho da IA.

Em particular, o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem (LLMs) nos proporcionou IA que, por vezes, pode parecer consciente aos usuários.

Em um incidente notável, o engenheiro do Google, Blake Lemoine, afirmou que o chatbot LaMDA havia alcançado a consciência.

Embora poucas pessoas — especialistas ou não — concordassem com a afirmação de Lemoine, o incidente contribuiu para uma crescente percepção da necessidade de testes robustos para a consciência adquirida (CA).

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Além da Consciência: A senciência da IA levantaria questões morais e éticas

Grande parte do debate em torno dos direitos da IA ​​parte do pressuposto de que a própria consciência é o ponto de inflexão ético, mas o McClelland discorda. 

Segundo ele, a mera consciência não gera automaticamente preocupação moral. O que importa é um conceito mais específico chamado senciência.

Robôs podem auxiliar nas tarefas de casas, Vigiar e Cuidar de Nós. Imagem gerada pela Copilot, IA da Microsoft.

A consciência vai além. Envolve experiências que são sentidas de forma boa ou ruim, como prazer, dor, satisfação ou sofrimento. A ética entra em cena somente quando essas experiências existem.

Uma máquina que vê, navega ou planeja pode ser impressionante, mas não merece automaticamente preocupação moral. O panorama ético só se altera se essa máquina puder sofrer.

Alguns pesquisadores acreditam que a consciência surgirá se a estrutura computacional correta for construída. 

Dessa perspectiva, não importa se um sistema funciona com neurônios ou silício. Reproduza a estrutura e a consciência surgirá.

Outros argumentam que a consciência depende de processos biológicos específicos ligados aos corpos vivos. Uma réplica digital, por mais precisa que seja, apenas simularia a consciência, e não a vivenciaria.

Os estudo de McClelland examinou ambas as posições e concluiu que nenhuma delas se baseia em evidências sólidas.

“Não temos uma explicação profunda da consciência. Não há evidências que sugiram que a consciência possa surgir com a estrutura computacional correta, ou mesmo que a consciência seja essencialmente biológica”, disse McClelland.

“Também não há qualquer sinal de evidências suficientes no horizonte. Na melhor das hipóteses, estamos a uma revolução intelectual de distância de qualquer tipo de teste de consciência viável.”

Sem um teste desse tipo, as afirmações sobre inteligência artificial consciente permanecem especulativas. Elas não podem ser confirmadas nem descartadas. Isso deixa a sociedade presa à incerteza.

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A neurociência ainda tenta explicar a consciência, terá dificuldade em detectá-la em máquinas, e a intuição podem nos enganar ao lidar com máquinas

No dia a dia, as pessoas confiam na intuição para julgar se outros seres são conscientes. Essa abordagem funciona razoavelmente bem com animais.

“Acredito que meu gato está consciente”, disse McClelland. “Isso não se baseia tanto em ciência ou filosofia, mas sim em bom senso – é simplesmente óbvio.”

O problema é que o senso comum evoluiu em um mundo repleto de animais, não de algoritmos. As máquinas não se movem, respondem ou se expressam da maneira como nossas intuições foram programadas para interpretar. Quando aplicados à IA, esses instintos podem nos enganar.

Robôs autônomos usam algoritmos para decidir qual é a melhor coisa a fazer, sem precisar de ajuda humana, ou seja, por conta própria. Imagem do artigo: doi: 10.3389/frym.2024.1267614

Dados concretos também não nos salvam. A neurociência ainda não consegue explicar a consciência em humanos, muito menos detectá-la em máquinas.

O interesse público na consciência da IA ​​cresceu exponencialmente, acompanhando o surgimento dos chatbots conversacionais. Para alguns usuários, a interação parece pessoal o suficiente para sugerir consciência.

“As pessoas estão usando chatbots para me escrever cartas pessoais implorando que elas sejam conscientes. Isso torna o problema mais concreto quando as pessoas se convencem de que possuem máquinas conscientes que merecem direitos que todos nós estamos ignorando.”

Segundo o McClelland, essas crenças podem moldar a vida emocional de maneiras prejudiciais à saúde.

“Se você tem uma conexão emocional com algo que pressupõe consciência, mas não a possui, isso pode ser existencialmente tóxico. Certamente, isso é agravado pela retórica inflamada da indústria tecnológica.”

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Norbert Wiener e a fronteira onde a cibernética e a biologia se confundem

A verdade é que ainda é prematura afirmar ou negar. Estudos sobre o que é e como funciona a consciência precisam ser aprofundados.

Além disso, as experiência da evolução das IAs também estão no início. Será preciso trabalhar com base nas evidências observadas, e evitar respostas a priori sem fundamentos empíricos.

Ao mesmo tempo considerar que sim, estamos evoluindo rápido com as IAs, e essas questões de fato saíram da ficção cientifica, e estão no campo cientifico formal. Estão na pauta da bioética.

Como bem notou Ilya Prigogine, estruturas complexas emergem do caos quando o sistema é levado ao seu limite.

Hoje, as IAs são essas estruturas dissipativas de informação. Estamos diante do que Norbert Wiener previu: uma fronteira onde a cibernética e a biologia se confundem.

Se a consciência emergirá dessas ‘ondas químicas do não-equilíbrio digital’, só as evidências dirão.

Mas, como disse Norbert Wiener, “a hora é tardia e o destino já bate à nossa porta.”

A frase de Wiener: “The hour is late and the destiny-gate is open”.

Bibliografia

Revista Mind and Language

Agnosticism regarding artificial consciousness

doi.org/10.1111/mila.70010

Análise Audiovisual

Vídeo 1- Fronteira Culta: E Se a Inteligência Artificial Estiver Consciente?

Vídeo 2- Inteligência Mil Grau : Inteligência Artificial Pode Desenvolver CONSCIÊNCIA? Como Criar Uma I.A. Que É Consciente

Política de Uso

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Seria Possível Existir Uma Consciência Artificial? Só as Evidencias Dirão  | Nature & Space 

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