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Atualizado 11 de março de 2026 por Sergio Almeida Loiola

Simular viagem ao passado é possível usando o emaranhamento, demonstraram físicos da Universidade de Cambridge, e permitirá solucionar problemas insolúveis.

Entre as possibilidades está a correção de erros e resolver cálculos considerados impossíveis por métodos tradicionais.

A pesquisa foi publicada na Revista Physical Review Letters.

A seguir veremos como os pesquisadores demonstraram que a simulação de modelos de hipotéticas para viagens no tempo ao passado pode resolver problemas experimentais que parecem impossíveis. Em texto, imagens e vídeos.

Se o emaranhamento quântico nos permite ‘dobrar’ a linha do tempo para corrigir o presente a partir de um estado futuro, estaria o Universo nos dizendo que o tempo é apenas uma variável de organização e não uma barreira intransponível?

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Estaremos prestes a criar máquinas que não apenas processam dados, mas que ‘negociam’ com a causalidade para encontrar a melhor resposta?

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Vídeo 1: O Emaranhamento Quântico Pode Simular Uma Viagem No Tempo E Ajudar A Resolver Problemas Impossíveis

Vídeo 2: Pela Primeira Vez Cientistas Fazem Teletransporte Quântico Em Fibra Usada Para Internet

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Simulação de eventos passados pode resolver problemas experimentais que parecem impossíveis de solucionar usando a física convencional

Pesquisadores da Universidade de Cambridge demonstraram que, ao manipular o emaranhamento quântico – uma característica da teoria quântica que faz com que as partículas estejam intrinsecamente ligadas – é possível simular o que aconteceria se pudéssemos viajar para o passado.

Assim, jogadores, investidores e experimentalistas quânticos poderiam, em alguns casos, alterar retroativamente suas ações passadas e melhorar seus resultados no presente.

De volta para o futuro não, mas de volta para o passado dá certo – algumas vezes. Imagem: Gabe Raggio/Pixabay

A possibilidade de partículas viajarem para trás no tempo é um tema controverso entre os físicos, embora cientistas já tenham simulado modelos de como esses laços espaço-temporais poderiam se comportar, caso existissem.

Ao conectar sua nova teoria à metrologia quântica, que utiliza a teoria quântica para realizar medições de alta sensibilidade, a equipe de Cambridge demonstrou que o emaranhamento quântico pode solucionar problemas que, de outra forma, pareceriam impossíveis.

“Agora imagine que você pode alterar o que envia no primeiro dia com as informações da lista de desejos recebida no segundo dia. Nossa simulação usa manipulação de emaranhamento quântico para mostrar como você poderia alterar retroativamente suas ações anteriores para garantir que o resultado final seja o desejado.”

A simulação é baseada no emaranhamento quântico, que consiste em fortes correlações que as partículas quânticas podem compartilhar e as partículas clássicas — aquelas regidas pela física do dia a dia — não podem.

A particularidade da física quântica é que, se duas partículas estiverem suficientemente próximas para interagirem, elas podem permanecer conectadas mesmo quando separadas.

Essa é a base da computação quântica: o aproveitamento de partículas conectadas para realizar cálculos complexos demais para computadores clássicos.

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O efeito do método ocorre apenas uma vez em cada quatro: A simulação do passado tem 75% de chance de falhar, mas é possível saber que falhou

Ainda que a maioria das leis básicas da física não tenha problemas com a direção do tempo – elas têm simetria temporal – se as partículas podem viajar para trás no tempo ou não ainda é um tema controverso entre os físicos.

Contudo, já foram feitas diversas simulações de como esses loops de espaço-tempo poderiam se comportar caso existam na realidade.

Agora os cientistas de Cambridge parece ter uma método operacional com grandes benefícios para os cientistas, que podem, em alguns casos, alterar retroativamente os parâmetros passados dos seus experimentos – as ações passadas do cientista, em outras palavras – e, com isso, melhorar os resultados que ele obtém no presente.

Exemplos de partículas que violam a cronologia atravessando CTCs hipotéticas. 𝜌cv denota os estados de tais partículas. O tempo 𝑡, experimentado por um observador que respeita a cronologia, corre de baixo para cima. A partícula que viaja no tempo experimenta o tempo 𝑇. (a) Circuito fechado. (b) 𝜌cv retorna ao seu passado e então viaja para frente no tempo novamente. (c) Interpretação CTC dos ensaios bem-sucedidos do nosso experimento mental. 𝜌cv é criado em 𝑇1 e viaja para frente no tempo até 𝑇2. Então, ele inverte a direção temporal e viaja para trás no tempo até atingir 𝑇3. Depois disso, ele viaja para frente no tempo novamente. 𝜌cv então interage com um estado que respeita a cronologia, 𝜌cr, e é subsequentemente destruído, antes da criação de 𝜌cv (𝑇1). Para comparação, a figura inserida (d) representa a teletransportação padrão, através do espaço, de um estado quântico necessário como entrada para uma interação. Figura: Do Artigo. https://journals.aps.org/prl/abstract/10.1103/PhysRevLett.131.150202

Os físicos construíram um experimento de metrologia no qual o metrologista pode, por vezes, modificar o estado de entrada simulando uma curva temporal fechada, uma linha de mundo que viaja para trás no tempo.

A existência de curvas temporais fechadas é hipotética.

No entanto, elas podem ser simuladas probabilisticamente por circuitos de teletransporte quântico. Aproveitamos essas simulações para identificar uma vantagem não clássica contraintuitiva alcançável com o emaranhamento quântico.

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Não é uma máquina do tempo, as simulações não permitem alterar o passado, mas permitem criar um amanhã melhor, resolvendo os problemas de ontem hoje

Para dar relevância tecnológica ao seu modelo, os teóricos o conectaram à metrologia quântica.

Em um experimento comum de metrologia quântica, fótons — pequenas partículas de luz — são incididos sobre uma amostra de interesse e registrados por um tipo especial de câmera.

Para que esse experimento seja eficiente, os fótons precisam ser preparados de uma certa maneira antes de atingirem a amostra.

Os pesquisadores demonstraram que, mesmo que aprendam a melhor forma de preparar os fótons somente depois que eles já tiverem atingido a amostra, podem usar simulações de viagem no tempo para alterar retroativamente os fótons originais.

Os cientistas afirmam que não estão propondo uma máquina de viagem no tempo, mas uma pesquisa que ajuda compreender melhor os fundamentos da mecânica quântica.
Foto:  Getty Images 

Para contrariar a alta probabilidade de falha, os teóricos propõem enviar um grande número de fótons emaranhados, sabendo que alguns deles eventualmente carregarão a informação correta e atualizada.

Em seguida, eles usariam um filtro para garantir que os fótons corretos cheguem à câmera, enquanto o filtro rejeitaria os demais fótons “ruins”.

“Considere nossa analogia anterior sobre presentes”, disse o coautor Aidan McConnell, que realizou esta pesquisa durante seu mestrado no Laboratório Cavendish em Cambridge e agora é doutorando na ETH Zurique.

“Digamos que enviar presentes seja barato e possamos enviar vários pacotes no primeiro dia. No segundo dia, sabemos qual presente deveríamos ter enviado. Quando os pacotes chegam no terceiro dia, um em cada quatro presentes estará correto, e selecionamos esses dizendo ao destinatário quais entregas descartar.” Conclui a reflexão Aidan McConnell.

“O fato de precisarmos usar um filtro para que nosso experimento funcione é, na verdade, bastante reconfortante”, disse Arvidsson-Shukur.

“O mundo seria muito estranho se nossa simulação de viagem no tempo funcionasse sempre. A relatividade e todas as teorias sobre as quais estamos construindo nossa compreensão do universo seriam descartadas.” Pondera Arvidsson-Shukur.

Bibliografia

Revista Physical Review Letters

Nonclassical Advantage in Metrology Established via Quantum Simulations of Hypothetical Closed Timelike Curves

doi.org/10.1103/PhysRevLett.131.150202

University Of Cambridge

Simulations of ‘time travel to the past’ could enhance scientific experiments.

Análise Audiovisual

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