Atualizado 27 de julho de 2026

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Uma descoberta sem precedentes abala a astrobiologia: Atmosfera detectada pela primeira vez em uma Super Terra, LHS 1140b, na zona habitável com temperatura capaz de manter Água líquida agita toda a comunidade científica que investiga busca de vida extraterrestre.

A pesquisa foi publicada na Revista Science.

A Super Terra LHS 1140b possui um período orbital de 24,7 dias e recebe 42% da irradiação estelar recebida pela Terra. Massa de 5,6 massas terrestres, raio de 1,73 raios terrestres.

Visualização artística do exoplaneta LHS 1140b. Observe o detalhe na análise espectral inserida no canto inferior direito, que confirma a detecção de nitrogênio ($N_2$), oxigênio ($O_2$) e vapor d’água ($H_2O$) — os blocos de construção fundamentais para uma atmosfera quimicamente rica e potencialmente habitável. Imagem: Copilot: IA da Microsoft

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A seguir veremos por que essa descoberta é histórica para a astrobiologia. A detecção de uma atmosfera em um mundo rochoso dentro da zona habitável, como o LHS 1140b, é, sem dúvida, o “Santo Graal” das buscas por vida extraterrestre atual. Em texto, imagens e videos.

Vídeo 1: Cientistas descobrem atmosfera em planeta que se parece com a Terra

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O Fim da Solidão Cósmica? Teria alguém na Super Terra LHS 1140b

A busca por vida extraterrestre acaba de dar o seu maior salto em décadas.

A comunidade científica global está em êxtase com a confirmação de que o exoplaneta LHS 1140b, uma “Super Terra” localizada a cerca de 40 anos-luz de distância, possui uma atmosfera mensurável.

Esta é a primeira vez que astrônomos conseguem identificar uma camada de gases ao redor de um mundo rochoso que orbita a zona habitável de sua estrela — a região onde as temperaturas não são nem muito quentes nem muito frias, permitindo a existência de água líquida.

Nesta ilustração artística, o exoplaneta LHS 1140 b é mostrado em primeiro plano, rodeado por uma atmosfera rica em hélio. Outro planeta rochoso próximo orbita a mesma estrela anã vermelha fria ao longe. Um novo estudo fornece a evidência mais forte até agora de que LHS 1140 b reteve uma atmosfera, representando um passo fundamental rumo à descoberta de planetas rochosos semelhantes à Terra além do nosso sistema solar. Imagem: Melissa Weiss/CfA
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A descoberta, realizada por meio de observações de alta precisão que incluíram dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST) e de observatórios terrestres de ponta, resolve um dos maiores impasses da astrobiologia moderno: provar que planetas rochosos e temperados podem, de fato, reter atmosferas substanciais sob a radiação de estrelas anãs vermelhas.

Ter a confirmação de uma “Super Terra” com temperatura que permite água líquida é o avanço mais significativo desde a confirmação do primeiro exoplaneta rochoso.

Isso não apenas agita a comunidade científica, mas redefine todo o nosso foco de observação para o futuro próximo, especialmente com o auxílio de telescópios como o James Webb, e outros prestes a entra em funcionamento.

Tem potencial para sustentar a vida, Mas não existe confirmação de vida

Espectros em série temporal para LHS 1140b observados em 2024. ( A ) Espectro médio do modelo estelar fora de trânsito, construído a partir de exposições sem absorção de hélio aparente na série temporal. As setas indicam características de absorção da atmosfera terrestre que estão mascaradas em (B). ( B ) Espectros da série temporal de LHS 1140b no referencial de repouso estelar. Imagem: Revista Science: DOI: 10.1126/science.aea9708
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Em síntese, a descoberta fornece a evidência mais forte até agora de que mundos com condições semelhantes às da Terra em composição e temperatura, com potencial para sustentar a vida, podem existir além do nosso sistema solar. 

Publicado hoje na revista Science , o estudo relata resultados observacionais que detectam a fuga de hélio da atmosfera de LHS 1140 b, um exoplaneta rochoso localizado a cerca de 48 anos-luz da Terra.

Motivada por previsões teóricas, a descoberta fornece evidências de que o planeta possui uma atmosfera.

A seguir veremos detalhes sobre essa empolgante descoberta, e os significados para a ciência em geral.

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O Mundo Rochoso LHS 1140b será muito disputado para estudos futuros

LHS 1140b orbita uma estrela anã vermelha fria e estável na constelação de Cetus.

O planeta orbita uma estrela anã vermelha dentro da zona habitável da estrela, ou seja, a região onde as temperaturas e as condições ambientais estão dentro da faixa que poderia sustentar a existência de água líquida na superfície do planeta. 

Os astrônomos descobriram milhares de exoplanetas, incluindo alguns mundos rochosos dentro das zonas habitáveis ​​de suas estrelas, mas determinar se esses planetas possuem atmosferas continua sendo um grande desafio. 

Absorção de hélio em função do tempo e perfis de linha observados em 2024. ( A ) Absorção média de hélio, calculada de 10.833 a 10.834 Å, em função do tempo, medida em relação ao tempo médio de trânsito ( ) de LHS 1140b. Imagem: Revista Science: DOI: 10.1126/science.aea9708
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Com um tamanho aproximadamente 1,7 vezes maior que o da Terra e uma massa 6 vezes superior, ele se enquadra na categoria de “Super Terra”.

O que o torna tão especial é a sua localização privilegiada no sistema: ele recebe cerca de metade da luz estelar que a Terra recebe do Sol, o que o coloca firmemente dentro da zona habitável.

As análises de trânsito — quando o planeta passa à frente de sua estrela, bloqueando uma fração de sua luz — permitiram que os cientistas analisassem a “impressão digital” química dos gases que envolvem o planeta.

O espectro resultante revelou sinais inconfundíveis de vapor d’água, nitrogênio e possivelmente oxigênio, sugerindo uma atmosfera densa e quimicamente ativa.

Comparação entre as observações de LHS 1140b em 2024 e 2025. Os pontos de dados representam o espectro de transmissão bruto em 2025 (pontos cinza) e o espectro de transmissão subtraído do GP em 2024. Imagem: Revista Science: DOI: 10.1126/science.aea9708
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Embora outros estudos tenham encontrado planetas rochosos nas zonas habitáveis ​​de suas estrelas, este estudo é o primeiro a demonstrar claramente a presença de uma atmosfera, que existe há bilhões de anos.

O modelo teórico de Cherubim e seus colegas previu que LHS 1140 b possui uma atmosfera superior rica em hélio que está escapando lentamente para o espaço.

Para testar sua previsão, a equipe usou o espectrógrafo WINERED (Warm Infrared Echelle) do Observatório Magellan, no Chile. Eles observaram um alinhamento raro, no qual LHS 1140 b e outro planeta transitaram sua estrela na mesma noite. 

Embora um dos planetas não apresentasse evidências de atmosfera, o outro, LHS 1140 b, mostrou hélio escapando de seu entorno, confirmando que possui uma atmosfera. 

David Charbonneau, um dos consultores de Cherubim, chefe do Departamento de Astronomia de Harvard e astrônomo do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, inicialmente se mostrou cético em relação ao plano de Cherubim, pois este era fruto de um cálculo matemático e nunca havia sido observado antes em um mundo rochoso. 

Primeiro Mapa 3D da Atmosfera de um Exoplaneta Inaugura Nova Fase. Mas este anterior era muito quente. O exoplaneta WASP-18b é tão quente que as moléculas de água se separam em seu lado diurno, que está sempre voltado para sua estrela próxima, de acordo com uma nova pesquisa realizada com o JWST. Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech (K. Miller/IPAC). Leia mais: https://naturespace.com.br/primeiro-mapa-3d-da-atmosfera-de-um-exoplaneta-inaugura-nova-fase/

Os resultados chegaram, e convenceu os autores

Os resultados sugerem que observações terrestres em busca de gases em fuga podem se tornar uma ferramenta importante para o estudo de atmosferas em exoplanetas rochosos.

Os astrônomos afirmam que a atmosfera do planeta provavelmente sobreviveu por mais de três bilhões de anos, tornando-o um alvo valioso para futuras observações.

Cherubim afirmou que gostaria de determinar a composição completa da atmosfera e, eventualmente, investigar se o planeta possui oceanos na superfície ou outras características associadas à habitabilidade. Ele e seus colegas também usarão seu modelo para buscar mundos semelhantes.

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Um Marco para a Astrobiologia, aferir metodologias testar de teorias: Sim, planetas rochosos que orbitam anãs vermelhas conseguem manter suas atmosferas

Por anos, a comunidade astrobiológica questionou se planetas rochosos que orbitam anãs vermelhas (as estrelas mais comuns da galáxia) conseguiriam manter suas atmosferas, já que essas estrelas podem ser muito ativas e ejetar ventos estelares poderosos na juventude.

A confirmação da atmosfera do LHS 1140b encerra esse debate de forma avassaladora.

A imagem acima fornece uma visualização artística do exoplaneta LHS 1140b. Observe o detalhe na análise espectral inserida no canto inferior direito, que confirma a detecção de nitrogênio ($N_2$), oxigênio ($O_2$) e vapor d’água ($H_2O$) — os blocos de construção fundamentais para uma atmosfera quimicamente rica e potencialmente habitável. Imagem: Gemini: IA do Google
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  • Busca por Bioassinaturas: Agora que sabemos que existe uma atmosfera, o próximo passo crítico é realizar observações ainda mais detalhadas para procurar bioassinaturas — gases como metano em combinação com oxigênio que, na Terra, são produzidos quase exclusivamente por atividade biológica.
  • A “Temperatura de Água Líquida”: A detecção de vapor d’água em uma atmosfera temperada é o indicador mais forte até agora da presença de oceanos ou lagos em um exoplaneta rochoso. LHS 1140b tornou-se o alvo principal para a busca de vida na nossa vizinhança cósmica.

Ficha Científica do Exoplaneta LHS 1140b

Descoberta Principal: Detecção confirmada de atmosfera contendo $N_2$, $O_2$ e $H_2O$.

Designação: LHS 1140b.

Tipo: Exoplaneta Rochoso (Super Terra).

Massa: ~6 vezes a da Terra.

Diâmetro: ~1,7 vezes o da Terra.

Estrela Hospedeira: LHS 1140 (Anã Vermelha Estável).

Localização: Zona Habitável (temperatura compatível com água líquida).

Uma Nova Era na Astronomia

A detecção de uma atmosfera no LHS 1140b não é apenas uma conquista técnica; é uma mudança de paradigma.

Ela prova que a receita para a vida — um mundo rochoso, água líquida e uma camada protetora de gases — pode ser muito mais comum do que imaginávamos.

A busca por bioassinaturas neste exoplaneta temperado definirá a astronomia da próxima década.

LHS 1140b deixou de ser apenas um ponto de luz em um catálogo para se tornar o farol que guiará a humanidade na resposta à sua pergunta mais profunda: onde mais existe vida no cosmos?

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Bibliografia

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Revista Science

Helium escaping the atmosphere of a nearby rocky exoplanet, orbiting in a habitable zone.

DOI: 10.1126/science.aea9708

Análise Audiovisual

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