Atualizado 26 de abril de 2026
Ampla pesquisa paleogenetica desvendou as origens dos primeiros agricultores do período Neolítico na Anatólia, atual Turquia, há 12 mil anos. A partir de três grupos, as origens se revelaram mais complexas do que as suposições anteriores.
A pesquisa foi publicada na Revista Science.
Estaríamos perto de encontrar as chaves para entender como nossos antepassados superaram os desafios da transição para a domesticação, cultivo e a agricultura, ou ainda estamos começando a entrar nesse labirinto?

Este artigo é o primeiro de uma série sobre o tema das origens das agriculturas, da coleta seletiva, origens dos primeiros cultivadores e como estava a complexidade cultural, social e tecnológica das sociedades desde 50 mil anos atrás.
A seguir veremos como esta descoberta da arqueologia genética redefine nossa compreensão da história humana, ao demonstrar que a transição para o neolítico não foi simples, não foi rápida e nem se originou em apenas um lugar. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Origens genéticas dos primeiros agricultores reveladas por DNA antigo
Vídeo 2: A Revolução Agrícola: Como o Arado Criou a Escrita, as Leis, a Matemática, o Estado e a Astronomia
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Muito se tem perguntado pelo início do cultivo, da domesticação e da agricultura. Mas pouco se pergunta sobre quem eram os primeiros cultivadores e os primeiros agricultores
O Neolítico foi um divisor de águas na história da humanidade, marcando a transição de um estilo de vida nômade para um sedentarismo baseado na agricultura.
Mas onde, quando e como exatamente este processo teve início e quem foram os seus protagonistas?
Muito se tem perguntado pelo início do cultivo, da domesticação e da agricultura. Mas pouco se pergunta sobre quem eram os primeiros cultivadores e os primeiros agricultores.

Em resposta, aqui apresentaremos uma sólida e extensa pesquisa sobre quem eram os primeiros agricultores. Em outros artigos seguiremos divulgando pesquisas sobre as origens dos cultivadores, e também sobre a domesticação e a agricultura.
Até recentemente imaginava-se o advento da agricultura como uma quebra abrupta no estilo de vida de caça e coleta em que os humanos viviam. Ou seja, o quadro descrito era de um transição rápida. Na mais falso. As pesquisas mudaram drasticamente esse quadro.
Pensava-se que as culturas domesticadas apareciam muito em breve depois que as pessoas começaram a cultivar os campos, e que teria surgido num único lugar, primeiro no Oriente Médio, a partir de 13.000 anos atrás, em seguida difundida para outras regiões.
As evidências arqueológicas, peleobotanicas e paleogeneticas sugerem que o processo de mudança da coleta de plantas silvestres para cultivo, e posteriormente domesticação, foi longa, sinuosa, e gradual ao longo de muitos milênios.
Esse longo processo, sabemos agora, teve início há mais de 20 mil anos, possivelmente há dezenas de milhares de anos. Um processo de mudança de pelo menos 10 mil anos, e não apenas séculos ou poucos milhares de anos.

Um processo tão longo certamente não se restringe a um único grupo humano, nem a um só local. Pois, os grupos eram bastante moveis no espaço no período, e trocavam cultura, saberes e genética.
Aqui conheceremos uma pesquisa que apresentou resultados esclarecedores sobre um lugar significativo para uma das origens da agricultura, em especial as origens dos personagens da história de sociedade agrárias na região da atual Turquia.
Essa ampla pesquisa paleogenética desvendou as origens dos primeiros agricultores do período Neolítico na Anatólia, atual Turquia, há 12 mil anos.
Esta descoberta não apenas redefine nossa compreensão de um dos berço da civilização neolítica, mas também oferece insights valiosos sobre a genética da sobrevivência e a adaptação humana a novas condições climáticas e ambientais.
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Vídeo 1: Origens genéticas dos primeiros agricultores reveladas por DNA antigo
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Os resultados da pesquisa genética contradizem as pesquisas anteriores, de que apenas uma população local havia se estabelecido na Anatólia
Como se formaram as primeiras populações neolíticas do mundo, há cerca de 12.000 anos?
Durante séculos, a arqueologia ofereceu pistas, mas a história completa de nossos ancestrais permaneceu oculta.
Uma pesquisa genética desse passado apresentou dados surpreendentes recente. A partir de extensa análise inovadora de DNA antigo, paleogenetica, realizada por centenas de pesquisadores a pesquisa revelou a história épica do povo que transformou o mundo, passando de uma vida de caça e coleta para a construção das primeiras cidades e impérios.
Eles apresentaram um panorama sistemático das histórias interligadas dos povos da região do Arco Meridional, desde as origens da agricultura até o final da Idade Média.

O estudo apresenta os primeiros dados de DNA antigo de agricultores neolíticos pré-cerâmicos da região do Tigre, no norte da Mesopotâmia, tanto no leste da Turquia quanto no norte do Iraque, uma das regiões fundamentais para as origens da agricultura.
Apresenta também o primeiro DNA antigo de agricultores pré-cerâmicos da ilha de Chipre, que testemunhou a expansão marítima inicial de agricultores do Mediterrâneo oriental.
O pesquisadores fizeram um esforço massivo de sequenciamento genômico completo de 727 indivíduos antigos distintos, com o qual foi possível testar hipóteses arqueológicas, genéticas e linguísticas de longa data.
Uma grande surpresa sobre as origens dos primeiros agricultores veio da região da Anatólia, atual Turquia.
Especificamente na região da Atanólia, atual Turquia, os resultados revelam uma mistura de fontes pré-neolíticas relacionadas a três origens: caçadores-coletores da Anatólia, do Cáucaso e do Levante, e mostram que essas primeiras culturas agrícolas formaram um contínuo de ancestralidade que reflete a geografia da Ásia Ocidental.
Os resultados também mostram pelo menos dois fluxos migratórios do coração do Crescente Fértil até os primeiros agricultores da Anatólia.
Além disso, uma sequência de artigos, fornece novos dados DNA antigo sobre os primeiros agricultores do Neolítico Pré-Cerâmico da Mesopotâmia (sudeste da Turquia e norte do Iraque), Chipre e noroeste dos Montes Zagros, juntamente com os primeiros dados do Neolítico da Armênia.
Os resultados da pesquisa genética contradizem as pesquisas anteriores, de que apenas uma população local havia se estabelecido na Anatólia e realizado a transição de caçador coletor, nômades e semi nômades, para uma sociedade agrária.
Ao contrário das pesquisas anteriores, a nova pesquisa demonstrou que essas populações da Anatólia, bem como as vizinhas, foram formadas pela mistura de fontes pré-neolíticas relacionadas a caçadores-coletores de grupos locais da Anatólia, do Cáucaso e do Levante.

Assim, pelo menos três grupos estiveram envolvidos na formação dos primeiros agricultores da Anatólia. Um dos grupos mais antigos conhecidos.
!- Grupos locais da própria Anatólia
2- Sociedade de caçadores coletores que migraram do Cáucaso.
3- Sociedades que migraram do Levante, mais próximo ao Mediterrâneo, para a Anatólia. Possivelmente pescadores, e também cultivadores em estágios iniciais.
Ao analisar as populações do Neolítico Pré-Cerâmico e Cerâmico da Anatólia, mostramos que as primeiras derivaram da mistura entre fontes relacionadas à Mesopotâmia e fontes epipaleolíticas locais, enquanto as últimas experimentaram fluxo gênico adicional relacionado ao Levante, documentando, assim, pelo menos dois pulsos migratórios do coração do Crescente Fértil para os primeiros agricultores da Anatólia. Escrevem os autores
Ao preencher essas lacunas, os autores puderam estudar a história genética dessas sociedades, para as quais a pesquisa arqueológica documentou interações econômicas e culturais complexas, mas não conseguiu rastrear sistemas de acasalamento e interações que não deixam vestígios materiais visíveis.
“Os resultados genéticos corroboram um cenário de uma rede de contatos pan-regionais entre as primeiras comunidades agrícolas. Eles também fornecem novas evidências de que a transição para o Neolítico foi um processo complexo que não ocorreu apenas em uma região central, mas em toda a Anatólia e o Oriente Próximo”, afirma Ron Pinhasi.
A pesquisa foi conduzida Ron Pinhasi, do Departamento de Antropologia Evolutiva e Evolução Humana e Ciências Arqueológicas (HEAS) da Universidade de Viena, e Songül Alpaslan-Roodenberg, da Universidade de Viena e da Universidade de Harvard, Iosif Lazaridis e David Reich, também da Universidade de Harvard, juntamente com 202 coautores.
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As sociedades anterior ao neolítico já estavam bastante desenvolvidas e sofisticadas cultural, social e tecnológico, e buscaram intencionalmente a domesticação e o cultivo
Com base nesses resultados da extensa pesquisa genética, os autores sugerem que a dependência anterior em fenótipos modernos e em escritos e representações artísticas antigas forneceu uma imagem pouco precisa, dos primeiros agricultores e dos primeiros indo-europeus.
A pesquisa com paleogenetica apresentou uma história revisada das complexas migrações e integrações populacionais que moldaram essas culturas.

Importante ressaltar que as sociedades do período anterior ao neolítico já estavam bastante desenvolvidas e sofisticadas do ponto de vista cultural, social e tecnológico.
Apesar de viverem sem agricultura, os vestígios arqueológicos tem mostrado, como a alta sofisticação em Goblekli Tepe e outras regiões próximas, que é um erro considerar sociedades antes da agricultura como sendo rudes, ou de baixa organização social e cultural.
As sociedades antes da agricultura já estavam sofisticadas desde há 40 mil anos. Organizadas em grandes grupos. E foram elas que buscaram sistematicamente a domesticação, a coleta seletiva, a estocagem de alimentos em silos, o cultivo e por fim a agricultura.
Usaram de formo sofisticada ferramentas de pedra polidas com esmero, compostas para as mais variadas atividade. A sociedade já contava com trabalho especializado, por atividade.
Desta forma, a agricultura e a domesticação foram atos intencionais, perseguidos, buscado de forma consciente, pelos grupos humanos por pelo menos 10 mil anos antes da agricultura.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Science
The genetic history of the Southern Arc: a bridge between Western Asia and Europe.
A genetic investigation into the ancient and medieval history of southern Europe and Western Asia
Ancient Mesopotamian DNA suggests distinct Pre-Pottery and Pottery Neolithic migrations to Anatolia
Ancient genomes and the history of Western Eurasia
Revista PNAS – Proc Natl Acad Sci
Unveiling the origins of agriculture
UFG – Universidade Federal de Goiás
Loiola, Sergio Almeida
TESE de Doutorado
Variabilidade paleoclimática e a evolução de sistemas complexos adaptativos nos humanos modernos
http://repositorio.bc.ufg.br/tede/handle/tede/4655
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Discovery Future: Origens genéticas dos primeiros agricultores reveladas por DNA antigo
Vídeo 2 Giuseppe Consentini: A Revolução Agrícola: Como o Arado Criou a Escrita, as Leis, a Matemática, o Estado e a Astronomia
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