Atualizado 20 de julho de 2026
Pela primeira vez na história astrônomos detectaram açúcar no espaço interestelar, a eritulose, também encontrado nas framboesas e base estrutural do RNA, DNA e da vida. O Achado reforça a hipótese da panspermia.
A pesquisa foi publicada na Revista Nature Astronomy.
Presença desse composto complexo no espaço interestelar reforça a hipótese de que nosso sistema solar pode ter sido “semeado” com moléculas orgânicas preexistentes.
A detecção de eritulose, um açúcar complexo que encontramos aqui na Terra em frutas como a framboesa e que serve de bloco de construção para o RNA e o DNA, diretamente no meio interestelar é um argumento avassalador para a astrobiologia.

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Veremos a seguir como os cientistas fizeram essa descoberta extraordinária, demonstrando que o universo é uma grande fábrica de tijolos orgânicos, valorizando a hipótese da panspermia. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: A vida pode ter começado antes da Terra existir?
Vídeo 2: Descoberta de tipo de açúcar no espaço ajuda a explicar como a vida surgiu na Terra
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Os Tijolos Cósmicos da Biologia: açúcar também encontrado em frutas como a framboesa presente no espaço interestelar contraria previsões
Pela primeira vez na história, astrônomos detectaram a presença de eritulose no espaço interestelar.
Esse açúcar, também encontrado em frutas como a framboesa, é um dos componentes estruturais do RNA e do DNA, reforçando a hipótese da panspermia.
A resposta para a maior pergunta da humanidade — se a vida é um milagre exclusivo da Terra ou um imperativo cósmico — pode estar flutuando nas densas e frias nuvens de gás que preenchem o espaço entre as estrelas.
Em uma descoberta histórica para a astrobiologia, uma equipe internacional de astrônomos detectou, pela primeira vez, a presença de um açúcar complexo no espaço interestelar.

A molécula identificada é a eritulose. Para nós, ela é uma velha conhecida: trata-se do mesmo açúcar que dá sabor às framboesas aqui na Terra.
No entanto, no cenário da ciência molecular, a eritulose é muito mais do que um ingrediente doce: ela é uma das bases estruturais fundamentais para a formação do RNA, do DNA e, consequentemente, de toda a vida como a conhecemos.
A equipe internacional liderada por astrônomos do Centro de Astrobiologia da Espanha, coordenada pelo pesquisador do CAB, Izaskun Jiménez-Serra, identificou a eritulose, o primeiro açúcar no espaço interestelar.
Essa molécula é a única cetose possível com quatro carbonos e, na Terra, é comumente encontrada em framboesas, kiwis, frutas vermelhas e produtos autobronzeadores.
A eritulose foi detectada na nuvem molecular G+0,693−0,027, localizada perto do centro da nossa galáxia, a Via Láctea.

Os açúcares são biomoléculas essenciais nos organismos vivos, pois formam a estrutura básica do DNA e do RNA e desempenham um papel fundamental nos processos metabólicos.
Nas teorias sobre a origem da vida, os açúcares também são essenciais para a síntese dos primeiros ácidos nucleicos.
Apesar do açúcar ser importante, uma das principais questões na pesquisa sobre a origem da vida é como os primeiros açúcares se formaram na Terra, pois os experimentos em laboratório mostram que eles não se formariam em quantidades suficientes em condições pré-bióticas.
Nossa descoberta demonstra que açúcares relativamente complexos já podem ser sintetizados no espaço interestelar, antes mesmo do nascimento de estrelas e planetas. Izaskun Jiménez-Serra, astrônomo do Centro de Astrobiologia de Madri e do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha. principal autor da pesquisa
Por isso a descoberta de açúcar em meio interestelar contraria as teorias e as previsões da astrobiologia.
Veremos a seguir como o açúcar foi detectado, as implicações para a busca de vida fora da Terra, teste de teorias e a Astrobiologia.
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Vídeo 1: A vida pode ter começado antes da Terra existir?
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A descoberta: O que é a Eritulose e por que ela Importa?
Para realizar as observações, a equipe utilizou dois radiotelescópios, um no Observatório de Yebes, ao norte de Madri, e o outro no Instituto de Radioastronomia na Faixa Milimétrica, conhecido como IRAM, na Serra Nevada, no sul da Espanha, para estudar uma nuvem molecular conhecida como G+0.693−0.027 próxima ao centro da galáxia.
Os pesquisadores identificaram o açúcar comparando sua assinatura molecular nos dados de ondas de rádio da nuvem molecular com o padrão de comprimento de onda da eritrulose medido em laboratório.
Inicialmente, a equipe procurou por açúcares mais simples com três átomos de carbono, mas não encontrou nenhum.

Essa descoberta foi inesperada, já que a visão predominante em astroquímica é que as moléculas interestelares crescem em tamanho por meio da adição sequencial de átomos de carbono, disse Izaskun Jiménez-Serra, astrônomo do Centro de Astrobiologia de Madri e do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, em um comunicado. principal autor da pesquisa
Em colaboração com químicos da Universidade de Extremadura e da Universidade Radboud (Holanda), a equipe do CAB descobriu que a eritrulose pode se formar em gelos interestelares a partir de álcoois e aldeídos mais simples, com dois carbonos.
Até recentemente, os cientistas sabiam que o espaço era rico em moléculas simples, como a água, o monóxido de carbono e o amoníaco.
Contudo, havia um intenso debate se o ambiente hostil do vácuo interestelar, castigado por radiação cósmica extrema, permitiria a formação de açúcares complexos necessários para a biologia.

A detecção da eritulose muda completamente esse panorama. Esse açúcar desempenha um papel crítico na química prebiótica:
Origem Além da Terra: Encontrar essa molécula flutuando intacta no berçário de novas estrelas e planetas prova que a química orgânica complexa se desenvolve no universo muito antes de os próprios planetas nascerem.
Estrutura Genética: Ela atua como um bloco de construção essencial na arquitetura dos ácidos nucleicos (DNA e RNA), ajudando a formar a “espora” ou o corrimão molecular onde as bases genéticas se fixam.
O estudo sugeriu que a eritrulose pode ser formada a partir de moléculas mais simples em grãos de poeira gelada no espaço e, posteriormente, integrar sistemas químicos mais complexos.
Açúcar e compostos relacionados ao açúcar já foram encontrados em asteroides, mas a descoberta desses compostos no espaço interestelar reforça a hipótese de que nosso sistema solar pode ter sido semeado com compostos orgânicos preexistentes. Mark Sephton, professor do departamento de ciências da Terra e engenharia do Imperial College London
Os cientistas detectaram mais de 340 moléculas na matéria e nos gases presentes no espaço interestelar da Via Láctea, mas nenhum açúcar, conforme apontado no estudo.
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Vídeo 2: JN: Descoberta de tipo de açúcar no espaço ajuda a explicar como a vida surgiu na Terra
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O Retorno da hipótese da Panspermia: sementes da vida viajantes do espaço
Essa descoberta injeta um combustível pesado em uma das teorias mais fascinantes da astrobiologia: a Panspermia.
Essa hipótese defende que as sementes da vida (moléculas orgânicas complexas, aminoácidos e açúcares) não surgiram originalmente na Terra, mas foram forjadas no espaço profundo e trazidas para cá a bordo de cometas, asteroides e meteoritos durante o bombardeio tardio do jovem planeta.
De fato, as estimativas da nova pesquisa, com base na abundância de eritulose medida na nuvem molecular G+0,693−0,027, os pesquisadores estimam que entre 0,5 e 50 milhões de toneladas métricas desse açúcar podem ter chegado à superfície da Terra durante o Intenso Bombardeio Tardio, que ocorreu aproximadamente entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás.

b , Abundâncias relativas de pentoses em Bennu e produtos de reação do tipo formose. Imagem: Nature: https://www.nature.com/articles/s41561-025-01838-6?fromPaywallRec=false
A presença de eritulose no espaço interestelar fornece, portanto, uma fonte alternativa de açúcares que pode ter contribuído para o surgimento dos primeiros processos metabólicos e de replicação na Terra primitiva.
A detecção da eritulose é muito empolgante porque abre a possibilidade de descobrirmos no espaço outros açúcares, como a ribose, que faz parte do RNA, e outras moléculas importantes para a origem da vida, afirma Carlos Briones, coautor do estudo.
Se o meio interestelar já está abastecido com eritulose e outros compostos vitais, significa que qualquer planeta rochoso em formação no universo está recebendo exatamente a mesma “sopa primordial” que a Terra recebeu há 4 bilhões de anos.
A vida, portanto, deixa de parecer um acidente local e passa a se desenhar como um fenômeno inevitável no cosmos.
Ficha Científica da Descoberta
Impacto na Astrobiologia: Fortalece drasticamente a hipótese da panspermia e a busca por vida extraterrestre.
Inédito: Primeira detecção de eritulose no espaço interestelar profundo.
A Molécula: Um açúcar complexo com quatro carbonos, encontrado nativamente em frutas na Terra.
Função Biológica: Serve de base estrutural para a montagem de cadeias de RNA e DNA.
A detecção de açúcar no espaço interestelar é um lembrete poético e científico de que somos feitos de poeira de estrelas — e que essa poeira é muito mais complexa do que imaginávamos.
Saber que os componentes do nosso código genético flutuam livremente entre as galáxias diminui o nosso sentimento de isolamento cósmico.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Nature Astronomy
Detection of a four-carbon sugar in interstellar space.
http://doi.org/10.1038/s41550-026-02905-7
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Bariosegese: A vida pode ter começado antes da Terra existir?
Vídeo 2 G1: Descoberta de tipo de açúcar no espaço ajuda a explicar como a vida surgiu na Terra
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