Atualizado 25 de julho de 2026

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Pesquisa Global de Longa duração de 30 anos em 204 países mostrou que má alimentação causou 4 milhões de mortes por ano de cardiopatia isquêmica, doença causada pela redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, de 1990 a 2023.

A pesquisa foi publicada na Revista Nature Medicine.

Saúde pública vive uma epidemiologia devido a má alimentação. A ciência aplicada mostra que a à qualidade de vida pode ser melhorada facilmente com a alimentação adequada.

Obstrução Coronária na Cardiopatia Isquêmica. Imagem: ttsz / Getty Images customizada pela Copilot, IA da Microsoft

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Veremos a seguir os dados desse estudo global abrangendo 30 anos (1990–2023), que trazem um alerta urgente de saúde pública: a cardiopatia isquêmica — o estreitamento ou bloqueio das artérias coronárias que reduzem o fluxo sanguíneo até o coração — é hoje fortemente impulsionada pela qualidade da dieta da população mundial. Em texto, imagens e vídeos.

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A Maior Crise Epidemiológica da Nutrição Moderna: Mais de 4 milhões de mortes anuais e incapacidades associadas a 13 tipos de alimentos

Texto: Tabita Said (Jornal da USP)

Uma dieta inadequada continua sendo um dos principais fatores de risco para a cardiopatia isquêmica, doença causada pela redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias.

De acordo com uma análise de 30 anos realizada em 204 países, a doença é uma das principais causas de morte em todo o mundo, sendo a má alimentação um dos fatores evitáveis mais significativos para reverter esse quadro.

Homens e idosos lideram as mortes cardíacas por má alimentação no mundo todo, agravadas por um salto de até 361% no consumo de bebidas açucaradas e carnes processadas em regiões da Ásia e África, entre 1990 e 2023.

Alimentação rica em Omega 3 previne doenças cardíacas. Peixes de agua fria, algas e e ovos tem doses recomendadas de EPA e DHA. Imagem: Copilot, IA da Microsoft Leia mais: https://naturespace.com.br/omega-3-nutriente-essencial-nao-pode-faltar-na-alimentacao/
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O trabalho, publicado na revista Nature Medicine, faz parte do estudo Carga Global de Doenças (GBD na sigla em inglês), uma colaboração internacional liderada pela Universidade de Washington que reúne milhares de pesquisadores no mundo todo.

Analisando dados da literatura médica e estatísticas oficiais, o grupo gerou um modelo computacional para compreender tanto fatores de risco quanto mortalidade por doenças cardiovasculares.

De acordo com a estimativa, só em 2023, dietas inadequadas foram responsáveis por mais de 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica, quando também foram perdidos quase 97 milhões de Anos de Vida Ajustados por Incapacidade (DALYs em inglês).

A medida, utilizada na área da saúde, representa o equivalente a um ano “perdido” por incapacitações e redução da qualidade de vida.

Dietas com alto teor de sódio e o baixo consumo de nozes, sementes, grãos integrais e frutas estiveram associadas a uma maior carga de mortes por cardiopatia isquêmica, bem como a baixa presença de ácidos graxos poli-insaturados ômega-6 – gordura essencial para a saúde celular, envolvida na produção de energia, no sistema imune e na resposta à inflamação.

Consumo de bebidas processadas, como refrigerantes e sucos açucarados, e de carnes processadas, como salsicha e carne seca, é o principal motivo do aumento de mortes por cardiopatia isquêmica em algumas regiões. Imagem: Cecília Bastos/USP
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Ele integra o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil), que investiga a incidência e os fatores de risco para doenças crônicas em 15 mil funcionários de seis instituições públicas de ensino superior de regiões do Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil.

Os dados coletados pelo Elsa-Brasil serviram de modelo para estudar a relação dos fatores de risco a um desfecho clínico considerado ruim.

O Mecanismo da Doença: Como a Dieta Afeta as Artérias

A cardiopatia isquêmica não surge de um dia para o outro; ela é o resultado final do acúmulo de gordura e inflamações crônicas nas paredes dos vasos sanguíneos (aterosclerose). O estudo epidemiológico destaca dois vetores alimentares críticos:

  1. O Excesso de Ofensores: Altas doses de gorduras saturadas, gorduras trans, açúcar refinado e sódio provocam picos de colesterol LDL, inflamação vascular sistêmica e hipertensão arterial.
  2. A Cefalia de Defensores: A escassez de grãos integrais, vegetais frescos, frutas, nozes e fibras priva o organismo de antioxidantes e compostos bioativos essenciais para manter o endotélio (a camada interna dos vasos) flexível e protegido.

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Análise mundial Por Regiões

A pesquisa selecionou 13 fatores dietéticos distintos – como padrões alimentares e ingestão de nutrientes – para estimar a carga de mortes por cardiopatia isquêmica entre 1990 e 2023 em uma análise global, regional e nacional.

De acordo com a publicação, o número absoluto de casos da doença relacionados à dieta aumentou, mas as taxas por idade diminuíram 44% a cada 100 mil habitantes, sugerindo maior crescimento populacional e melhorias na saúde de forma geral.

No entanto, os autores relataram grandes diferenças entre regiões e grupos populacionais, com a carga da doença particularmente acentuada em países com índices sociodemográficos baixos e médios.

Obstrução Coronária na Cardiopatia Isquêmica. Imagem: ttsz / Getty Images
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Regionalmente, a Australásia (que inclui Austrália, Nova Zelândia, Nova Guiné e ilhas vizinhas), a Europa Ocidental e a América do Norte apresentaram as maiores reduções nas mortes por cardiopatia isquêmica atribuíveis à dieta desde 1990.

Já a África Subsaariana Central registrou um aumento de 21% no mesmo período.

Uma análise de subgrupos mostrou que pessoas com mais de 65 anos apresentaram taxas de mortalidade mais altas comparadas a pessoas com menos de 45 anos.

Especificamente, os homens apresentaram uma carga de cardiopatia isquêmica relacionada à dieta maior em todas as faixas etárias.

Obesidade cresce rapidamente nos países de baixa e média renda, impulsionada por fatores sociais, econômicos e tecnológicos, e com efeitos mínimos do uso de canetas emagrecedoras – Foto:Ernesto Rosas- Pexels – Jornal da USP, Customizada pela Copilot, IA da Microsoft Leia mais: https://naturespace.com.br/maior-pesquisa-sobre-obesidade-muda-visoes-de-decadas/
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O impacto das bebidas açucaradas na mortalidade cresceu na Ásia Oriental (361%) e na África Subsaariana Ocidental (332%), assim como a carga de mortes ligadas às carnes processadas, com aumentos na Ásia Oriental (84%) e no Sudeste Asiático (48%).

A Evolução Global da Saúde Cardíaca

O mapeamento contínuo entre 1990 e 2023 revelou que, embora tratamentos médicos e intervenções cirúrgicas tenham avançado, os fatores nutricionais continuam a se deteriorar em diversas regiões devido ao consumo crescente de alimentos ultraprocessados.

  • Impacto Econômico e Social: Além das perdas humanas, a cardiopatia isquêmica sobrecarrega sistemas públicos de saúde e reduz a expectativa de vida produtiva em escala global.
  • A Injustiça Alimentar: Países em desenvolvimento enfrentam uma dupla jornada: o aumento da oferta de ultraprocessados baratos combinado com o acesso limitado a alimentos in natura nutritivos.

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Alimentos prejudiciais x alimentos protetores

Enquanto os países em desenvolvimento enfrentam, na maioria das vezes, o fardo da doença relacionado à desnutrição e ao acesso limitado a alimentos protetores (como grãos integrais, frutas, vegetais e ácidos graxos ômega-3 e ômega-6), os países desenvolvidos são mais comumente afetados pelo consumo excessivo de componentes prejudiciais (como alimentos ultraprocessados, carnes processadas e bebidas açucaradas).

Os componentes dietéticos avaliados também apresentaram variações regionais na carga de mortalidade.

Dietas pobres em ácidos graxos e ômega-3 provenientes de frutos do mar foram classificadas como um fator de alto risco na maioria das regiões, porém países desenvolvidos da Ásia-Pacífico apresentaram menor carga de mortalidade por cardiopatia isquêmica.

Itamar de Souza Santos é professor da Faculdade de Medicina da USP – Foto: Reprodução/USP
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O mesmo foi observado nas dietas pobres em vegetais:

Embora tenha sido responsável por apenas uma pequena parcela da carga de mortalidade por cardiopatia isquêmica na maioria das regiões, ocupando o 10º lugar entre 13 globalmente, a baixa ingestão de vegetais representou uma proporção maior de mortes em certas regiões, ocupando o 1º lugar entre 13 óbitos por 100 mil habitantes na África Subsaariana Central e o 3º lugar entre 13 na Oceania.

A coleta de dados proporcionou uma análise regional bastante pormenorizada, chegando a dados por Estado em alguns países.

Para o professor, o Brasil dispõe de uma robusta quantidade de dados que favorece a análise científica. “Senão, a gente teria que supor que funcionamos igual a outros países, ‘importando’ dados externos”, diz.

Porém, para contornar o problema da má alimentação ainda é necessário letramento em saúde.   

Ficha Técnica da Pesquisa Epidemiológica

  • Escopo: Estudo epidemiológico global de longa duração (30 anos de acompanhamento).
  • Amostra: Dados cobrindo 204 países e territórios (1990–2023).
  • Mortalidade Atribuível: 4 milhões de mortes anuais causadas por cardiopatia isquêmica associada à má alimentação.
  • Causa Fisiológica: Redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias por inflamação e aterosclerose.
  • Solução Recomendada: Políticas públicas de incentivo ao consumo de alimentos in natura e redução drástica de ultraprocessados.

A Dieta Como Medicina Preventiva

A constatação de que 4 milhões de vidas são perdidas anualmente para uma doença amplamente evitável reforça que a alimentação não é apenas uma escolha individual, mas uma questão central de ciência e saúde pública.

Reverter esse cenário exige o fortalecimento do acesso a alimentos frescos e o entendimento de que nutrir o corpo com comida de verdade é a ferramenta mais eficiente para manter as artérias desobstruídas e o coração saudável.

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Bibliografia

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Revista Nature Medicine

Global, regional and national burden of ischemic heart disease attributable to suboptimal diet, 1990–2023: a Global Burden of Disease study 

http://doi.org/10.1038/s41591-026-04250-8

Jornal da USP

Má alimentação causou 4 milhões de mortes por cardiopatia isquêmica em um ano

Texto: Tabita Said

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