Atualizado 6 de setembro de 2026
Arqueólogos investigam o enigma de como há 14,4 mil anos uma família de 5 pessoas, e um cão, dois adultos, um adolescente e duas crianças, conseguiram percorrer as galerias escuras da caverna Bàsura, perto de Toirano, Ligúria, no noroeste da Itália, deixando 180 pegadas e marcas preservadas na argila.
A pesquisa foi publicada na Revista Quaternary International.
O estudo na Caverna de Bàsura (Grotta della Bàsura), na Itália, é um dos relatos mais fascinantes da paleoantropologia moderna. Ele combina o rigor da ichnologia (o estudo de pegadas fósseis) com uma narrativa humana emocionante sobre a vida no Pleistoceno Superior.

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A seguir veremos uma nova tentativa detalhada dos arqueólogos para desvendar o enigma da Caverna de Bàsura, no noroeste da Itália, e os 800 passos fossilizados de dois adultos, um adolescente, duas crianças e um canídeo. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Gruta da Bàsura: a evidência mais antiga da relação entre o homem e o cão encontra-se nas pegadas.
Vídeo 2: Cães E Humanos Já Conviviam Há 14 Mil Anos? A Ciência Explica
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Instantâneo Congelado no Tempo Paleolítico de uma caminhada na escuridão: Uma Jornada de Curiosidade e Vínculo Familiar
Entrar no ambiente subterrâneo profundo sem iluminação artificial moderna é um dos maiores desafios físicos e psicológicos para o ser humano, especialmente em galerias subterrâneas de cavernas.
Há aproximadamente 14.400 anos, durante o Paleolítico Superior, um grupo familiar de Homo sapiens realizou exatamente essa jornada nas profundezas da Caverna de Bàsura (Grotta della Bàsura), localizada perto de Toirano, na região da Ligúria, no noroeste da Itália.
O que torna essa expedição pré-histórica extraordinária não é apenas a sua antiguidade, mas o nível de detalhe preservado no piso de argila úmida da caverna.

Ao todo, arqueólogos e pesquisadores identificaram 180 pegadas, impressões de mãos e marcas de carvão, permitindo reconstruir com precisão milimétrica a composição do grupo, a velocidade dos seus passos e a dinâmica social durante a exploração subterrânea.
Os pesquisadores reconstruíram métodos de iluminação utilizados por antigos visitantes de caverna, cujas pegadas foram encontradas preservadas.
O Salão dos Mistérios da gruta Grotta della Bàsura na região da Ligúria, norte da Itália, está repleta de esqueletos de ursos
Conhecida como Grotta della Bàsura, a gruta está localizada na região da Ligúria, no norte da Itália, e está repleta de esqueletos de ursos e até mesmo alguns vestígios de peles de ursos antigos.
O Salão dos Mistérios, que fica no fundo de uma caverna escura e estreita, era infestada de ursos.

Suas passagens também contêm pegadas deixadas por cinco humanos pré-históricos da cultura Epigravettiana – incluindo pelo menos uma criança – e um cachorro.
Além de representarem a evidência mais antiga conhecida de domesticação de cães , essas pegadas antigas também revelam a perigosa aventura empreendida por esse grupo intrépido, que acredita-se ter passado cerca de duas horas dentro da caverna.
Durante esse tempo, eles percorreram cerca de 400 metros (1.300 pés) da entrada até o cavernoso Salão dos Mistérios, antes de refazerem seus passos e retornarem à luz.
Os pesquisadores acreditam que o cachorro provavelmente era um companheiro fiel que acompanhava o grupo para proteger as crianças de ursos ou outras ameaças que pudessem estar à espreita na caverna.
Restos de carvão nas paredes e no teto, por sua vez, sugerem que o grupo carregava algum tipo de tocha para iluminar o caminho.
Para determinar o sistema de iluminação usado por esses espeleólogos pré-históricos, os autores de um novo estudo começaram analisando pólen antigo encontrado no interior do Salão dos Mistérios.
Trazido para dentro após ficar preso na pelagem dos ursos, o pólen pertence a três espécies diferentes de pinheiros, indicando que florestas de pinheiros dominavam a paisagem local na época.
A seguir veremos como os pesquisadores reconstruíram as possíveis técnicas de iluminação para desvendar esse mistério da caverna Bàsura.
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Vídeo 1: Gruta da Bàsura: a evidência mais antiga da relação entre o homem e o cão encontra-se nas pegadas
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Quem Eram os Exploradores Subterrâneos?
A equipe encontrou até mesmo 56 pequenos fragmentos de galhos de pinheiro-silvestre parcialmente queimados dentro da caverna.
É importante ressaltar que nenhum deles continha micélio de fungo, indicando que não foram coletados do solo da floresta, mas sim colhidos de árvores vivas e secos intencionalmente, provavelmente para serem usados como tochas.
Os pesquisadores decidiram também realizar seus próprios experimentos dentro da caverna, viajando cuidadosamente em direção ao Salão dos Mistérios enquanto acendiam galhos e ramos de pinheiro-silvestre para iluminar o caminho.

Como atestam as pegadas humanas, o comportamento dos cinco exploradores, que percorreram toda a caverna em fila indiana, acompanhados por um canídeo que se mantinha próximo à parede, é considerado a abordagem mais segura, também utilizada por ursos ou lobos ao se deslocarem em ambientes subterrâneos escuros e desconhecidos, escrevem os autores do estudo.
Nessas condições, mesmo uma iluminação fraca seria suficiente para garantir a visibilidade e a segurança de todo o grupo.
Durante os experimentos, os pesquisadores descobriram que “galhos pequenos, de 20 a 30 cm de comprimento, são ideais para obter ‘fósforos’ individuais que podem ser facilmente transportados, inclusive presos entre os dentes após acesos, permitindo o uso de mãos e joelhos e a utilização livre de ambas as mãos”.

Já o uso de galhos grossos mostrou-se impraticável e produzia uma luz tão forte que ofuscava e cegava quem carregava as tochas.
A análise das dimensões morfométricas das pegadas revelou a composição exata do grupo que penetrou a mais de 150 metros da entrada da caverna:
- Cinco Integrantes Humanos: O grupo era composto por dois adultos, um adolescente e duas crianças pequenas (a menor com aproximadamente 3 anos de idade).
- Um Companion Canídeo: Impressões de patas ao lado das pegadas humanas confirmam a presença de um cão (ou lobo em processo avançado de domesticação), demonstrando o vínculo próximo entre humanos e canídeos no final da última Era do Gelo.
- Locomoção Descalça: A nitidez dos impressos anatômicos — incluindo a crista dos dedos e o arco plantar — prova que todos caminhavam completamente descalços sobre o barro denso.
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A Física da Iluminação e os Desafios da Escuridão
No final, os fósforos ideais eram aqueles que consumiam cerca de 18 centímetros (sete polegadas) de comprimento em quatro minutos e meio, o que corresponde aproximadamente ao tempo necessário para percorrer 100 metros (330 pés) pela caverna.
Para chegar ao Salão dos Mistérios, portanto, o antigo grupo provavelmente teria parado para reacender suas tochas quatro vezes.

Segundo os pesquisadores, a luz de duas tochas teria sido suficiente para iluminar o caminho para todos os cinco indivíduos e seu cachorro.
A situação ideal é alcançada quando uma tocha é segurada pela segunda pessoa da fila e a outra pela última, escrevem eles.
No geral, então, é provável que o antigo grupo tenha usado oito fósforos para chegar ao Salão dos Mistérios e outros oito para sair da caverna, e provavelmente carregavam um feixe desses pequenos galhos de pinheiro em sua perigosa aventura subterrânea.
Não foram encontrados instrumentos de caça ou evidências de habitação duradoura no interior profundo da Caverna de Bàsura.
Isso sugere que a jornada não teve motivação utilitária imediata (como caçar ou se abrigar do frio), mas sim uma exploração motivada por curiosidade, aprendizado ou rituais de passagem.
A imagem de uma família caminhando junta há 14,4 mil anos — iluminando as paredes de pedra com tochas de pinho enquanto uma criança pequena e seu cão deixavam suas marcas na argila — conecta a humanidade moderna diretamente aos seus ancestrais do Paleolítico através do tempo.
O grande enigma investigado pelos arqueólogos era como esse grupo conseguiu navegar por corredores estreitos, teto baixo e terreno escorregadio sob escuridão total:
- Tochas de Pinho em Amarrados: Fragmentos de carvão vegetal (Pinus sylvestris) encontrados ao longo do trajeto revelam que o grupo utilizava tochas de madeira de pinho amarradas. A resina do pinho fornecia uma chama duradoura e brilhante.
- Manutenção do Fogo: Marcas de fuligem no teto e nas paredes da caverna mostram que eles batiam as tochas periodicamente para remover a cinza acumulada e reavivar a chama.
- Cooperação Familiar: As crianças mais jovens não foram carregadas no colo durante todo o trajeto; as marcas mostram que a criança de 3 anos caminhava ativamente, engatinhando em passagens de teto baixo onde a altura não permitia ficar de pé.
Ficha Técnica da Descoberta na Caverna de Bàsura
- Localização: Toirano, Ligúria (Noroeste da Itália).
- Datação: ~14.400 anos antes do presente (Paleolítico Superior).
- Evidências Preservadas: 180 pegadas humanas, marcas de mãos e pegadas de canídeo.
- Composição do Grupo: 2 Adultos, 1 Adolescente, 2 Crianças e 1 Cão.
- Tecnologia Utilizada: Tochas de resina de pinho para iluminação e navegação.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Quaternary International
https://doi.org/10.1016/j.quaint.2026.110335
Revista PLOS One
The conquest of dark spaces: an experimental approach to lighting systems in Paleolithic caves.
https://doi.org/10.1371/journal.pone.0250497
Universita Di Pisa
Toirano: Projeto Bàsura revisitado
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Archeomilla: Gruta da Bàsura: a evidência mais antiga da relação entre o homem e o cão encontra-se nas pegadas.
Vídeo 2 Portal PaNoRaMa: Cães E Humanos Já Conviviam Há 14 Mil Anos? A Ciência Explica
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