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Atualizado 5 de fevereiro de 2026

Junção de obesidade com perda de massa e força muscular é obstáculo para o envelhecimento saudável e pode ser vencido com mudanças no estilo de vida.

A sarcobesidade ou obesidade sarcopênica é a combinação de acúmulo de gordura e sarcopenia (perda de massa muscular) e acomete principalmente idosos.

A condição está associada ao risco de desenvolvimento outras doenças, como as cardiovasculares, respiratórias, osteomusculares, psiquiátricas e câncer, e representa um desafio para a ciência e para a saúde:

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O enfrentamento da sarcobesidade, no entanto, mesmo com o envelhecimento, pode não depender de procedimentos avançados e produção em massa de medicamentos.

Infográfico mostra como o comportamento sedentário contribui para a sarcobesidade – a combinação entre obesidade e perda de massa muscular – e destaca os benefícios dos exercícios aeróbicos e de força na prevenção e controle da condição – Foto: Reprodução do artigo

Trata-se de uma revisão bibliográfica com os principais achados científicos sobre a doença das últimas décadas.

Os estudos evidenciam ainda falta de critérios diagnósticos e de definição da própria sarcobesidade, além da complexidade do tratamento.

Coordenadora da pesquisa, a professora Ellen Cristini de Freitas, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, ressalta o distúrbio metabólico da sarcobesidade, agravada pelo envelhecimento, para afirmar que novas abordagens terapêuticas são necessárias na redução da patologia.

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Por essa razão seu time procurou pelas abordagens com potencial para o controle da doença e identificou três estratégias não farmacológicas:

1- A suplementação com taurina (aminoácido importante no bom funcionamento do organismo),

2- O manejo da microbiota intestinal e

3-A prática de atividade física.

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Prevalência em idosos

A prática regular de atividade física é uma das principais estratégias para prevenir e combater a sarcopenia e a obesidade em pessoas idosas – Foto: DC Studio – Freepik

A doença aumenta os riscos de incapacidades físicas, quedas, fraturas e hospitalização, limitando a qualidade de vida dos idosos. Quando associada ao aumento da gordura corporal, acrescenta a professora, há uma piora do prognóstico e se transforma na sarcobesidade. 

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Ellen informa ainda que, apesar de ser mais comum em idosos, os jovens não estão isentos da sarcobesidade.

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Vídeo: Sarcopenia: O Que é e Como é Feito o Diagnóstico

Mas são os idosos o principal grupo de risco, pois perdem progressivamente massa muscular e ficam mais propensos à sarcobesidade.

Mesmo com a dificuldade diagnóstica, informa a pesquisadora, estudos utilizando o método chamado DXA (Absorciometria de Raios X de Dupla Energia – técnica que avalia massa óssea, muscular e gordura) mostraram prevalência de 15% da sarcobesidade entre pessoas de 60 a 69 anos, e 40% entre os com 80 anos ou mais.

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Suplemento de taurina na regulação metabólica

Esta redistribuição de gordura contribui para a diminuição da massa e força muscular, a redução do gasto energético basal e a dificuldade de realizar atividade física, favorecendo o acúmulo de gordura.

Por sua vez, o excesso de gordura corporal promove inflamação sistêmica e o acúmulo de gordura intramuscular com efeitos ruins na força e massa muscular.

Segundo Ellen, esse é o quadro que explica o risco da obesidade e da sarcopenia coexistirem no mesmo indivíduo.

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Vídeo: Sarcopenia e a fragilidade da saúde do idoso

Ao falar em inflamação, a professor lembra que a sarcobesidade também representa risco para outras complicações crônicas baseadas em inflamação, como a resistência anabólica, a resistência à insulina, as doenças cardiovasculares e a diabetes.

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É aí que entram alternativas como a suplementação com taurina (um aminoácido produzido pelo corpo humano e presente em alimentos de origem animal) que, afirma a professora, tem mostrado respostas importantes para controlar a sarcobesidade.

Alguns estudos vêm confirmando as principais propriedades da taurina contra problemas de saúde relacionados ao envelhecimento.

Ellen cita uma pesquisa realizada em seu laboratório que avaliou a suplementação com 3g de taurina/dia em mulheres com obesidade obtendo aumento da produção de adiponectina – proteína que desempenha um papel importante na regulação do metabolismo e na sensibilidade à insulina.

Os resultados reforçam o papel da taurina no controle da inflamação.

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Alimentação, envelhecimento e microbiota intestinal

Outro destaque da pesquisa para o controle da sarcobesidade é a microbiota intestinal.

A dieta Mediterrânea tem um cardápio bem colorido e variado. – Foto: RunnersWorld

Trata-se do conjunto de microrganismos que compõem o sistema digestivo, em especial o intestino, numa comunidade de bilhões de bactérias que desempenham funções cruciais no organismo, principalmente na digestão, absorção dos nutrientes e eliminação de resíduos.

Lembrando que esses fatores estabelecem uma maior proporção de bactérias potencialmente inflamatórias (bactérias patobiontes) em detrimento das potencialmente benéficas (bactérias simbiontes).

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Assim, Ellen afirma que vale a pena prestar mais atenção à alimentação.

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Atividade física, ganho de massa muscular e perda de gordura

A prática de exercícios físicos é tratada como uma estratégia importante para a prevenção e o tratamento da obesidade sarcopênica, principalmente em pessoas acima de 65 anos.

Segundo os especialistas, a atividade física é um grande fator no combate da sarcobesidade devido à sua capacidade de recompor massa muscular e perder gordura, combatendo as duas condições clínicas que caracterizam a sarcobesidade.

Na mesma linha, adiantam que os exercícios físicos também são fundamentais para um envelhecimento saudável não apenas na ótica da obesidade sarcopênica, pois trazem benefícios quanto à mobilidade, reduzindo o número de quedas e melhorando a capacidade neural.

Investimento em qualidade de vida

Para Ellen, além do avanço nas formas de prevenção e tratamento é preciso um suporte adequado das autoridades de saúde na divulgação de informações de qualidade e no combate à má alimentação e ao sedentarismo.

Desta forma, afirma que o investimento no combate a essa doença não depende necessariamente de grandes infraestruturas ou da produção em massa de medicamentos, mas do acesso a uma rotina envolvendo comportamentos alimentares saudáveis e atividades físicas de qualidade.

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​SARCOBESIDADE: O DESAFIO DA PERDA DE MASSA E FORÇA MUSCULAR

Revista USP

Sarcobesidade desafia a saúde global com envelhecimento da população

Mais informações: ellenfreitas@usp.br com a professora Ellen Cristini de Freitas

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