Atualizado 22 de agosto de 2026
A partir de BioTecnologia inédita desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Brasil terá primeira fábrica do mundo para produção de curativos medicinais de pele de tilápia para queimaduras, em larga escala industrial, no Ceará. A fabrica será capaz de processar até 12 mil peles por dia de curativos biológicos.
As informações foram publicadas pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pelo Conselho Federal de Farmácia do Brasil.
O projeto da pele de tilápia desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará (UFC) é motivo de comemoração, uma grande conquista da ciência brasileira, com transição da bancada acadêmica para escala industrial dessa biotecnologia voltada para a saúde pública.
A criação da primeira fábrica do mundo no Ceará para processar até 12 mil peles por dia transforma um resíduo da piscicultura em um biomaterial de alto valor agregado.

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A seguir veremos que, além de acelerar a reformatação do tecido cutâneo em vítimas de queimaduras graves e reduzir drasticamente a dor nos curativos, e os custos, a iniciativa demonstra como a inovação científica de fármacos da UFC tem potencial para suprir as necessidades no Brasil e no mundo de produtos biológicos medicinais. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Fábrica no Ceará usará pele de tilápia no tratamento de queimaduras
Vídeo 2: Brasil terá 1° fábrica de curativos à base de pele de tilápia
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Da Bancada Universitária da Universidade Federal do Ceará à Escala Industrial
O que começou como uma pesquisa pioneira nos laboratórios da Universidade Federal do Ceará (UFC) atinge agora um marco histórico para a ciência e a indústria farmacêutica nacional.
O Brasil sediará a primeira fábrica do mundo dedicada exclusivamente ao processamento industrial de pele de tilápia para fins medicinais.
Localizada no Ceará, a nova estrutura foi projetada para processar até 12 mil peles por dia, convertendo um subproduto da aquicultura em um curativo biológico de altíssima eficiência.

O avanço consolida a autonomia do país na produção de tecidos biológicos e posiciona o Nordeste como um polo de excelência em biotecnologia regenerativa.
A tecnologia foi desenvolvida a partir de pesquisas realizadas no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC) e licenciada, no primeiro semestre deste ano, para a empresa Biotec.
A fábrica será construída em Jaguaribara, a 293 quilômetros de Fortaleza. A tecnologia permite transformar a pele do peixe em um curativo destinado ao tratamento de queimaduras e feridas.
A construção da fábrica integra o processo de transferência da tecnologia. Atualmente, os curativos de pele de tilápia são produzidos em escala limitada, de cerca de 600 unidades por mês, nos laboratórios do NPDM.

A Unidade no Ceará terá investimento inicial de R$ 52 milhões e poderá processar até 12 mil peles por dia para produção de curativos biológicos.
O projeto será conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical. A nova estrutura pretende ampliar a produção de uma tecnologia que atualmente é processada em pequena escala no laboratório da UFC.
Hoje, o laboratório consegue preparar cerca de 600 peles por mês. Na fábrica, a previsão é alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de operação comercial. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá chegar a 12 mil peles diariamente.
As obras devem começar em outubro deste ano e têm prazo estimado de 15 a 18 meses, incluindo construção, instalação dos equipamentos e validação dos lotes-piloto.
A comercialização, no entanto, dependerá do cumprimento das exigências regulatórias e sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A seguir veremos como a pele do peixe, normalmente descartada pela indústria, terá uso nobre para queimaduras e feridas de difícil cicatrização.
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Vídeo 1: Fábrica no Ceará usará pele de tilápia no tratamento de queimaduras
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O Impacto Clínico da Pele de Tilápia Na Recuperação de Queimados: Como funciona o curativo de pele de tilápia
A pele do peixe passa por processos de preparação e esterilização antes de ser transformada em um curativo biológico.
O material pode ser aplicado diretamente sobre a área lesionada e aderir à superfície da ferida, sendo estudado para o tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus.
Entre os benefícios apontados estão a possibilidade de reduzir a frequência das trocas de curativos e, consequentemente, o desconforto dos pacientes.

Em tratamentos convencionais, as trocas podem ser dolorosas e exigir o uso de analgésicos e novos procedimentos.
De acordo com dados apresentados pelos responsáveis pelo projeto, a tecnologia pode reduzir em até 52% o custo total do tratamento de queimaduras em comparação com métodos convencionais.
Também há expectativa de diminuir o uso de analgésicos opioides e a necessidade de procedimentos cirúrgicos para substituição dos curativos.
Com a produção em escala industrial, a expectativa é que a tecnologia possa ser disponibilizada para atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).
Liofilização pode ampliar validade e facilitar transporte
Uma das inovações previstas para a produção industrial é a utilização da liofilização, processo de desidratação que permite conservar a pele processada sem refrigeração.

A previsão é que o curativo tenha validade de até três anos em temperatura ambiente. Antes da aplicação, o material deverá ser reidratado com solução fisiológica.
A tecnologia pode facilitar o armazenamento e o transporte dos curativos, especialmente para regiões distantes dos centros de produção, além de abrir possibilidades para futuras exportações.
Segundo os responsáveis pelo projeto, México, Turquia e Portugal já demonstraram interesse na tecnologia para pesquisas e possíveis aplicações.
A utilização da pele de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) no tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus revolucionou a medicina regenerativa pelos seguintes fatores:
- Riqueza em Colágeno: A pele do peixe possui uma concentração massiva de colágeno dos tipos 1 e 3, superior até mesmo à pele humana, o que estimula a cicatrização e melhora a elasticidade da nova derme.
- Redução Expressiva da Dor: Por aderir perfeitamente à ferida, o biomaterial evita a troca diária de curativos tradicionais — um dos momentos mais dolorosos no tratamento de queimados —, reduzindo a necessidade de analgésicos e anestésicos.
- Segurança Sanitária e Esterilização: O processo fabril submete as peles a rigorosas etapas de limpeza, descontaminação e esterilização por irradiação gama, garantindo a eliminação total de microrganismos antes da distribuição hospitalar.
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Sustentabilidade na Saúde púbica e Economia Circular
A instalação da primeira fábrica de pele de tilápia medicinal do mundo no Ceará é a prova de que a pesquisa acadêmica aliada à visão industrial pode transformar vidas e impulsionar o desenvolvimento econômico.
Ao transformar um recurso local em uma biotecnologia de ponta acessível, o Brasil reafirma sua capacidade de liderar a inovação em saúde global com soluções criativas, sustentáveis e profundamente humanas.
Uma conquista extraordinária para a ciência do nosso país.

Tecnologia do uso da pele da tilápia como curativo para queimaduras foi desenvolvida na UFC Imagem: Guilherme Silva/UFC
Aproveitamento de resíduo da indústria pesqueira
A escolha de Jaguaribara, no Ceará, está relacionada à proximidade com o Açude Castanhão, uma das principais regiões produtoras de tilápia do Ceará.
A localização também favorece o aproveitamento da pele do peixe como matéria-prima de maior valor agregado, transformando um resíduo da indústria pesqueira em um produto destinado à saúde.
A fábrica deverá gerar inicialmente cerca de 200 empregos diretos. Parte dos profissionais receberá capacitação técnica com participação da UFC e de instituições parceiras.
Além do impacto direto na saúde pública e na rede hospitalar, o projeto da fábrica cearense destaca-se como um modelo exemplar de bioeconomia:
- Aproveitamento de Resíduos: Peles que antes eram descartadas pela indústria pesqueira ganham destinação nobre, gerando nova renda para cadeias produtivas locais.
- Redução de Custos para o SUS: O fornecimento em larga escala de curativos biológicos nacionais reduz drasticamente os custos de internação prolongada e o uso de insumos sintéticos importados.
- Exportação de Biotecnologia: A padronização industrial abre portas para o credenciamento do produto em agências regulatórias internacionais, permitindo a exportação do biomaterial brasileiro para outros países.
Ficha Técnica da Inovação Biotecnológica
- Instituição Desenvolvedora: Universidade Federal do Ceará (UFC).
- Localização da Fábrica: Estado do Ceará, Brasil.
- Capacidade Operacional: Até 12.000 peles de tilápia processadas por dia.
- Aplicação Clínica: Curativo biológico para queimaduras graves, lesões e reconstrução tecidual.
- Diferenciais: Alto teor de colágeno, redução da dor, menor tempo de internação e sustentabilidade.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Conselho Federal de Farmácia – Brasil
Brasil terá primeira fábrica de pele de tilápia para tratamento de queimaduras
BIOCOMPATIBILIDADE DA MEMBRANA DE COLÁGENO EXTRAÍDO DE PELE DE TILÁPIA
Revista Brasileira de Revisão de Saúde
DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n6-460
Curativo de pele de tilápia no tratamento de queimaduras
DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-078
Universidade Federal do Ceará (UFC)
Revista brasileira de queimaduras
Uso da pele de tilápia (Oreochromis niloticus), como curativo biológico oclusivo, no tratamento de queimaduras
Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) – UFC
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Band Jornalismo: Fábrica no Ceará usará pele de tilápia no tratamento de queimaduras
Vídeo 2 Rádio Bandeirantes: Brasil terá 1° fábrica de curativos à base de pele de tilápia
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