Atualizado 29 de julho de 2026

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Experimento inédito bem sucedido para mover aerogel de grafeno com laser realizado por pesquisadores da Bélgica e dos Emirados Árabes pode revolucionar viagens espaciais e a propulsão de satélites, reduzindo o uso de propelentes químicos drasticamente.

A pesquisa foi publicada na Revista Advance Science.

A propulsão de espaçonaves é a ferida da engenharia aeroespacial: por mais avançados que sejam os foguetes químicos e reutilizáveis (como a Starship), a Equação do Foguete de Tsiolkovsky é um gargalo cruel.

Quanto mais massa de combustível você carrega para ter impulso, mais pesado o foguete fica e mais combustível ele precisa para mover esse próprio combustível. É uma equação de retornos decrescentes, limitante com a tecnologia atual.

Se quisermos mobilidade real, segurança e baixo custos no espaço profundo, a resposta não está em queimar mais químicos, mas sim na física quântica e na manipulação de materiais ultra-leves movidos por energia externa (como a luz/laser).

Ao eliminar ou reduzir drasticamente a necessidade de propelente químico a bordo, abrimos portas para satélites infinitamente mais duráveis, naves e sondas de exploração ultrarrápidas ao espaço profundo, com baixo custo.

Aerogéis de grafeno disparados para a frente sob a ação de luz laser em microgravidade, sugerem uma possível propulsão sem combustível para futuras espaçonaves. Imagem IA Copilot, Microsoft

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A seguir veremos a pesquisa realizada pelos cientistas da Bélgica e dos Emirados Árabes impulsionando aerogel de grafeno apenas com luz laser, o tipo de salto disruptivo que esperamos a muito tempo. Em texto, imagens e vídeos.

Vídeo 1: O que é AEROGEL? Aerogel é mais leve que o ar? Descubra agora

Vídeo 2: Você já VIU uma PEDRA feita de AR? Compramos AEROGEL

Vídeo 3: Aerogel de grafeno – Festival Estrutura da Matéria

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Superando o Limite da Propulsão Química: Propulsão a lazer promete revolucionar os voos espaciais

Apesar dos recentes e impressionantes avanços da indústria aeroespacial com foguetes reutilizáveis, a navegação no espaço ainda enfrenta uma barreira física inflexível: a dependência de propelentes químicos e elétricos pesados.

Para manobrar um satélite em órbita ou enviar uma sonda ao espaço profundo, o veículo precisa carregar seu próprio combustível, o que aumenta drasticamente a massa total, os custos de lançamento e limita o tempo de vida útil da missão.

Para atingir uma verdadeira mobilidade espacial — com manobras rápidas, seguras e de baixo custo —, a ciência precisa de soluções disruptivas.

É exatamente essa revolução que acaba de emergir de uma colaboração científica internacional entre pesquisadores da Bélgica e dos Emirados Árabes Unidos: o uso de luz laser para impulsionar aerogéis de grafeno.

Aerogéis de grafeno disparados para a frente sob a ação de luz laser em microgravidade, sugerem uma possível propulsão sem combustível para futuras espaçonaves. Imagem IA Copilot, Microsoft
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Em um experimento histórico, os pesquisadores conseguiram mover aerogéis de grafeno com laser, e bruscamente em microgravidade, oferecendo um vislumbre da propulsão espacial sem propelente.

Esse salto de fração de segundo, capturado durante um arco de gravidade zero a bordo de um voo parabólico, aponta para uma ideia estranha e promissora para viagens espaciais.

Uma classe de aerogéis de grafeno ultraleves, quando iluminados sob microgravidade, pode transformar luz em movimento com uma força surpreendente.

No experimento, o material acelerou tão rapidamente que a explosão principal terminou em cerca de 30 milissegundos.

Experimento com grafeno em voo parabólico. Imagem: ESA

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O trabalho foi desenvolvido por uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Université Libre de Bruxelles, na Bélgica, e da Khalifa University, nos Emirados Árabes Unidos.

Suas descobertas sugerem que a propulsão movida a luz em aerogéis de grafeno se torna muito mais eficaz quando a gravidade é eliminada.

O experimento superou em muito as previsões teóricas. Demonstrando que não se pode ficar limitado as curvas e equações. Pois o comportamento em gravidade zero sempre surpreende.

Veremos a seguir os resultados e as enormes possibilidades de um salto disruptivo para as naves e satélites de próxima geração.

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Como a Luz Move a Matéria no Vácuo? Experimento em Microgravidade trouxe a resposta

O estudo pioneiro conseguiu mover amostras de aerogel de grafeno — um dos materiais sólidos mais leves, porosos e resistentes já sintetizados pela humanidade — no vácuo, aplicando unicamente o impacto fotônico e reações de mecânica quântica induzidas por um feixe de laser concentrado.

Os testes ocorreram durante a 86ª campanha de voos parabólicos da ESA, em maio de 2025.

Dentro da aeronave, a equipe colocou pequenas amostras de aerogel de grafeno em uma câmara de vácuo e as atingiu com um laser contínuo durante os breves períodos de quase ausência de gravidade criados por cada parábola.

(a) Representação esquemática do voo parabólico. (b) Imagens digitais da montagem no avião. Imagem: Advanced Materials Technologies DOI: 10.1016/j.newton.2026.100471
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Os voos parabólicos não eliminam a gravidade em si. Eles criam condições de queda livre que simulam a microgravidade por breves períodos, geralmente em torno de 20 segundos.

Durante esses intervalos, a aeronave e tudo o que está dentro dela caem juntos, deixando os experimentos efetivamente em estado de ausência de peso.

A física por trás do fenômeno combina duas propriedades extraordinárias:

Absorção e Expulsão Térmica de Elétrons: A interação única do grafeno com a luz laser faz com que o material absorva a radiação e ejeita partículas em alta velocidade de sua matriz porosa, funcionando como um “propulsor quântico” nativo que não exige reservatórios de propelente.

Pressão de Radiação Fotônica: Os fótons da luz, embora não tenham massa de repouso, carregam momento linear. Ao atingirem a estrutura nanoestruturada e extremamente leve do grafeno, transferem energia suficiente para gerar empuxo contínuo.

A estrutura interna do aerogel revela que o aerografeno é na verdade formado por nanotubos de carbono, e não por folhas de grafeno. Imagem: Fabian Schutt et al. – 10.1016/j.mattod.2021.03.010
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Em condições de 1 g na Terra, os mesmos aerogéis se moveram apenas ligeiramente. Em microgravidade , eles viajaram mais longe, se moveram mais rápido e produziram um impulso muito maior.

O contraste foi enorme. Em microgravidade, o deslocamento atingiu cerca de 0,05 metros em aproximadamente 0,05 segundos. A velocidade máxima subiu para cerca de 1,7 metros por segundo quase simultaneamente.

O impulso máximo atingiu cerca de 600 micronewtons, ou 0,6 milinewtons, em aproximadamente 0,02 a 0,03 segundos.

A 1 g, a resposta foi menor e mais lenta. O deslocamento atingiu um pico próximo a 0,015 metros em cerca de 0,16 segundos. A velocidade alcançou apenas cerca de 0,06 metros por segundo em cerca de 0,12 segundos. O empuxo máximo foi de cerca de 11 micronewtons.

Isso significa que a resposta à microgravidade atingiu seu máximo muito mais cedo, com o artigo relatando uma redução de cerca de 60 a 75% no tempo necessário para atingir os valores máximos.

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Era do Aerogel de Grafeno: Satélites “Imortais”, Naves e Cargueiros Velozes, viagens rotineiras no Sistema Solar e Sondas Interstelares

O grafeno é uma camada única de átomos de carbono dispostos em um padrão hexagonal. É conhecido por sua excepcional resistência, condutividade e capacidade de transporte de calor.

Os aerogéis de grafeno transformam esse material bidimensional em uma rede tridimensional, ultraleve e porosa. Essas propriedades tornaram o material um bom candidato para esse tipo de teste de propulsão.

Os aerogéis usados ​​no experimento eram pequenos cupons, cada um medindo 10 por 10 por 5 milímetros, e ficavam dentro de tubos de vidro cônicos em uma câmara de vácuo a pressões abaixo de cerca de 10⁻⁴ mbar durante cada parábola.

Um laser de 532 nanômetros e 5 watts iluminou as amostras por baixo. Uma câmera de alta velocidade registrou o movimento a 400 quadros por segundo, enquanto um acelerômetro triaxial monitorou os níveis de gravidade locais para confirmar a janela de microgravidade.

Configuração experimental de grafeno e lasers. Imagem: ESA
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As amostras não se comportaram da mesma maneira.

A equipe comparou três aerogéis com densidades ligeiramente diferentes, denominados AG-10, AG-15 e AG-20. O AG-20 geralmente apresentou o maior deslocamento e velocidade.

O AG-15, no entanto, apresentou o maior pico de impulso e a resposta de aceleração mais forte, atingindo cerca de 102 metros por segundo ao quadrado em microgravidade com a potência máxima do laser .

Esse resultado sugere que não existe uma regra simples que diga que mais leve ou mais denso é sempre melhor.

O artigo descreve uma relação não monotônica entre densidade e propulsão. Em outras palavras, o desempenho depende da estrutura, não apenas da massa.

Como afirmaram os autores. o aerogel de densidade intermediária pareceu encontrar o melhor equilíbrio em termos de propulsão.

O material existe há quase 10 anos, mas a fama do grafeno fez com que seu nome passasse de aerografite para aerografeno. Imagem: Julia Siekmann/Uni Kiel
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As implicações práticas desta tecnologia para a exploração espacial e para a navegação em órbita terrestre são revolucionárias:

  • Miniaturização e Vida Útil Estendida: Satélites e cubesats não precisarão mais carregar tanques de combustível líquido ou de gás nobre. Com velas ou estruturas feitas de aerogel de grafeno, eles poderão corrigir suas órbitas e manobrar apenas recebendo feixes de laser emitidos a partir de estações na Terra ou na Lua.
  • Velocidades Sem Precedentes: Como naves impulsionadas por laser não carregam a massa morta do próprio combustível, elas podem acelerar de forma contínua no vácuo, atingindo uma fração significativa da velocidade da luz para explorar o sistema solar e estrelas vizinhas em questão de anos, não séculos.
  • Redução Drástica de Custos: A eliminação do propelente reduz o peso das cargas úteis no lançamento, tornando o acesso ao espaço ordens de grandeza mais barato e eficiente.

Ficha Técnica da Pesquisa

Impacto Espacial: Navegação ultra-eficiente para satélites, velas solares de alta velocidade e missões de exploração profunda.

Autoria: Pesquisadores da Bélgica e dos Emirados Árabes Unidos.

Tecnologia: Propulsão por luz (laser) em aerogel de grafeno.

Mecanismo: Empuxo via pressão de radiação e interações fotônicas na matriz porosa do grafeno.

Inovação Principal: Eliminação ou redução drástica de propelentes químicos a bordo.

A propulsão poderia ser controlada: Sincronizando o movimento com a luz


A equipe também alterou a potência do laser para verificar se a propulsão poderia ser controlada. E desvendou outra questão fundamental para a engenharia aeroespacial: Sim, pode ser controlada.

Aerogéis de grafeno disparados para a frente sob a ação de luz laser em microgravidade, sugerem uma possível propulsão sem combustível para futuras espaçonaves. As setas vermelhas indicam a potência do laser incidente, transmitida e refletida, enquanto as violetas indicam a radiação térmica que sai da estrutura pelas superfícies frontal e traseira.  Imagem IA Copilot, Microsoft

Nos três aerogéis testados, uma potência mais alta geralmente produziu maior deslocamento, movimento mais rápido e pulsos de impulso mais fortes.

A configuração mais alta, cerca de 99% da potência máxima do laser, apresentou o melhor desempenho na maioria dos casos. O artigo não relatou nenhum sinal claro de saturação na potência máxima disponível.

Essa capacidade de ajuste é um dos motivos pelos quais as descobertas se destacam. Um material que responde de forma previsível à variação da intensidade da luz pode ser útil em sistemas onde ajustes precisos são mais importantes do que força bruta.

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Iluminando o Caminho para as Estrelas

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Este trabalho aponta para uma possível maneira de mover ou ajustar componentes de espaçonaves sem transportar tanto combustível.

As ideias mais claras a curto prazo apresentadas no artigo são a propulsão por vela solar e o controle de atitude para pequenos satélites.

Se as estruturas de grafeno fotossensíveis puderem ser aprimoradas, elas poderão ajudar as espaçonaves a realizar ajustes precisos de posição, conservar o propelente e liberar massa para instrumentos ou outros sistemas de bordo.

Imagens ampliadas de aerogéis à base de grafeno. Imagem: Advanced Materials Technologies DOI: 10.1016/j.newton.2026.100471

O estudo também oferece aos engenheiros algo mais prático do que um conceito amplo.

Ele sugere que tanto o design do material quanto a potência do laser são importantes, e que uma arquitetura intermediária pode apresentar um desempenho superior a suposições mais simples de “mais leve versus mais pesado”.

Para os futuros sistemas espaciais, isso significa que o desempenho pode depender tanto da estrutura dos poros e do comportamento térmico quanto das propriedades básicas do próprio grafeno.

O sucesso da propulsão de aerogel de grafeno por laser prova que estamos no limiar de uma transição histórica no transporte espacial.

Da mesma forma que a navegação à vela abriu os oceanos terrestres, a navegação por luz abrirá o oceano cósmico.

Libertar a exploração espacial da tirania dos combustíveis químicos pesados é o passo fundamental para tornar a navegação orbital acessível, segura e contínua.

A luz que ilumina o universo é a mesma que, a partir de agora, moverá a humanidade através dele.

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Bibliografia

Revista Advance Science

Light‑Driven Propulsion of Graphene Aerogels in Microgravity

http://doi.org/10.1002/advs.75050

Revista Nature

Materials challenges for the Starshot lightsail

http://doi.org/10.1038/s41563-018-0075-8

Revista Newton

Optical propulsion and levitation of metajets

DOI: 10.1016/j.newton.2026.100471

ESA – The European Space Agency

Graphene and lasers for space propulsion

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