Atualizado 16 de agosto de 2026
Pesquisa inédita descobre a partir de um molar que os Maias inseriam pedras lapidadas presas por um tipo de cimento, como a jadeíta, para tratamento dental, e não apenas para fins ornamentais, como se imaginava antes. Mudando drasticamente a visão sobre a odontologia maia.
A pesquisa foi publicada na Revista Journal of Archaeological Science: Reports.
Essa descoberta arqueológica fascinante sobre a Civilização Maia é um divisor de águas sobre as funcões das técnicas maia para tratamento dental.
A reinterpretação do uso de gemas nos dentes dos Maias — passando de mera ornamentação estética para um tratamento odontológico funcional com propriedades terapêuticas e restauradoras — reescreve a história da medicina e da odontologia mesoamericana.
Demonstrar que eles utilizavam técnicas de perfuração precisa, adesivos minerais de longa duração (o “cimento maia”) e mineralização estratégica para tratar cáries e lesões mostra um conhecimento de anatomia e biomateriais muito à frente do seu tempo.

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A seguir veremos como a análise minuciosa de um molar de um jovem maia revela que a inserção de pedras lapidadas presas por cimento orgânico-mineral, como a jadeíta, tinha função terapêutica e restauradora, e não apenas fins ornamentais. E por que esse achado muda drasticamente a visão sobre a medicina e odontologia na Mesoamérica antiga. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Os Maias colocavam jade nos dentes — mas talvez não fosse apenas decoração.
Vídeo 2: História da Odontologia: Por que os Maias Decoravam Seus Dentes com Pedras?
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Além do Adorno Estético: Técnicas Dentais Maias Tinham Funções terapêuticas, e não Apenas Ornamental
Por décadas, a presença de pedras preciosas e minerais encrustados nos dentes de fósseis maias foi interpretada pela arqueologia tradicional apenas como uma prática estética, ritualística ou de status social.
No entanto, o avanço das técnicas de microanálise e escaneamento em alta resolução está revelando um cenário muito mais complexo e sofisticado.
Uma pesquisa inédita focada na análise estrutural e química de um molar maia descobriu que a incrustação de minerais lapidados, como a jadeíta, funcionava como um verdadeiro tratamento odontológico restaurador.

O achado prova que a odontologia maia, embora em uma prova inicial, possuía caráter terapêutico, focado na vedação de cáries, alívio da dor e preservação da estrutura dental.
A nova pesquisa indica que os antigos maias utilizavam incrustações de jadeíta para reparar dentes danificados, como demonstra um fragmento encontrado incrustado em um molar.
Essa revelação sugere uma abordagem prática para o cuidado odontológico, em vez de motivações meramente estéticas ou ritualísticas.
Técnicas avançadas de imagem mostram que esse procedimento foi realizado durante a vida do indivíduo, proporcionando uma nova perspectiva sobre as práticas odontológicas dos antigos maias.

A descoberta desafia a antiga suposição de que as modificações dentárias maias com pedras preciosas eram principalmente estéticas ou ligadas a práticas sociais e rituais.
Intervenções dentárias terapêuticas ou paliativas intencionais associadas a patologias orais são documentadas em contextos pré-históricos desde o Paleolítico Superior e o Neolítico na Europa, Ásia e Américas.
No entanto, embora as modificações dentárias intencionais fossem comuns entre os antigos maias, com exceção de alguns casos, elas eram estéticas, limitadas aos dentes anteriores e não relacionadas ao tratamento de doenças.
A seguir veremos como os pesquisadores confirmaram essa magnífica descoberta, e as implicações para a história da ciência e odontologia maia.
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Vídeo 1: Os Maias colocavam jade nos dentes — mas talvez não fosse apenas decoração.
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A Engenharia dos Biomateriais Maias
O estudo detalha a precisão técnica e o conhecimento de materiais que os dentistas maias dominavam há mais de mil anos:
Ação Terapêutica da Jadeíta: Além da vedação física da cavidade (impedindo o avanço de cáries), alguns dos compostos presentes nos minerais e no cimento atuavam na redução da flora bacteriana nociva e no fortalecimento do esmalte.
Perfuração e Escavação Precisa: Os artesãos e curadores usavam brocas de pedra e abrasivos para criar cavidades circulares perfeitas nos dentes sem atingir a polpa dentária de forma fatal, demonstrando amplo domínio da anatomia oral.
O “Cimento” de Fixação: A pedra não era colocada sob pressão simples, mas selada com uma mistura complexa de resinas vegetais, gesso, óleos essenciais e minerais triturados. Esse adesivo possuía propriedades bactericidas e anti-inflamatórias, prevenindo infecções secundárias.

Pesquisadores liderados por Estuardo Mata-Castillo, da Universidade Francisco Marroquín, na Guatemala, examinaram um molar preservado de uma coleção de esqueletos abrigada no Museu Popol Vuh da universidade.
A coleção foi reunida desde a década de 1970 e contém vestígios arqueológicos de diferentes partes da Guatemala.
O dente continha uma incrustação de jadeíta, uma pedra semipreciosa verde.
O que tornou a descoberta particularmente incomum foi sua localização. Ao contrário de muitos exemplos documentados anteriormente de modificação dentária maia, que geralmente eram colocados em dentes frontais visíveis, a jadeíta estava incrustada em um molar posterior.

Como um molar posterior normalmente não fica visível quando uma pessoa sorri, os pesquisadores sugerem que a modificação pode ter tido uma finalidade além da estética.
Evidências de Procedimento odontológico funcional em um Jovem Vivo
Os pesquisadores descreveram a descoberta como o primeiro caso documentado de incrustação oclusal em um dente posterior entre os antigos maias.
Segundo o estudo, a posição da jadeíta levanta a possibilidade de que ela tenha sido usada para tratar um problema dentário, potencialmente relacionado a cáries, dor ou danos estruturais.
No entanto, os pesquisadores ressaltaram que o propósito exato da incrustação não pode ser estabelecido com certeza.
Portanto, a descoberta não prova que os maias usavam jadeíta da mesma forma que uma obturação dentária moderna, mas fornece evidências de que algumas modificações dentárias podem ter tido uma função prática.
Procedimento odontológico antigo realizado enquanto a pessoa ainda estava viva.
Pesquisadores utilizaram tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) para examinar o dente sem destruí-lo. As imagens revelaram calcificação na câmara pulpar, indicando que o indivíduo estava vivo quando a modificação dentária foi realizada.
A resposta biológica do dente sugere que o procedimento ocorreu durante a vida da pessoa. Os pesquisadores acreditam que possa ter sido associado a uma tentativa de aliviar a dor ou o dano, embora o motivo exato ainda não esteja claro.
As modificações dentárias dos maias nem sempre eram estéticas. Dentes maias antigos já haviam sido encontrados decorados com materiais como jade e pirita.
Essas modificações frequentemente eram interpretadas como formas de adorno corporal associadas à identidade, status ou práticas rituais.
A nova descoberta acrescenta outra possibilidade. Uma pedra preciosa posicionada dentro de um dente posterior, onde não seria facilmente visível, sugere que pelo menos algumas intervenções dentárias maias poderiam estar relacionadas à saúde bucal.
Os pesquisadores observaram que tratamentos dentários antigos envolvendo perfuração e obturação com materiais como betume também foram documentados em partes da Guatemala e de Belize.
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Vídeo 2: História da Odontologia: Por que os Maias Decoravam Seus Dentes com Pedras?
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Uma Nova Visão Sobre a Ciência Mesoamericana
Essa análise de um único molar preservado no Museu Popol Vuh, reformula a compreensão dos pesquisadores sobre as práticas odontológicas dos antigos maias.
Os pesquisadores da Guatemala e do México reforçam que este caso é o primeiro do tipo, e se destaca tanto pela técnica quanto pela localização.
Terapia ou algo mais?

Com a estética efetivamente descartada, os pesquisadores propõem duas interpretações principais.
Uma possibilidade é a intenção terapêutica. O formato irregular da cavidade sugere que o dente pode ter sido tratado para cárie, com a remoção do tecido danificado e o preenchimento do espaço posteriormente.
Corroborando essa ideia, estudos anteriores demonstraram que os cimentos dentários maias podem conter resinas vegetais e óleos essenciais com propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias, potencialmente úteis para selar cavidades.
No entanto, as tomografias não mostram claramente sinais típicos de deterioração ativa. Isso pode significar que a perfuração removeu todos os vestígios da lesão original, ou que o cimento os ocultou.
A segunda possibilidade é mais difícil de definir. Pode ter sido uma intervenção pessoal ou experimental, realizada sem um propósito cultural ou médico mais amplo. Nesse caso, reflete uma escolha individual que não deixou uma explicação clara.
Assim, a constatação de que a incrustação dental maia tinha finalidades médicas altera profundamente o entendimento da história da odontologia:
- Pioneirismo em Restauração: Enquanto na Europa medieval a extração era a única solução para dentes doentes, os Maias já praticavam uma odontologia conservadora e restauradora.
- Conhecimento Botânico e Mineral: A combinação de resinas medicinais com minerais de alta durabilidade evidencia um rigoroso processo de experimentação e transmissão de conhecimento científico.
- Democratização da Prática: A presença dessas intervenções em esqueletos de diferentes estratos sociais reforça a hipótese de que tratamentos preventivos e curativos estavam disponíveis além das elites governantes.
O Respeito à Sabedoria do Passado
A descoberta na odontologia maia é um lembrete fascinante de que a ciência e a inovação médica não são privilégios da modernidade.
Ao olhar para o passado com ferramentas tecnológicas do presente, a arqueologia devolve aos Maias o merecido lugar de pioneiros na arte de curar e preservar o corpo humano.
Uma aula de história que enriquece nossa percepção sobre a capacidade analítica das civilizações ancestrais.
Ficha Técnica da Descoberta Arqueológica
Impacto Histórico: Reavalia a odontologia maia como uma disciplina médica preventiva e restauradora avançada.
Objeto de Estudo: Molar maia com incrustação mineral e vestígios de vedação.
Mineral Identificado: Jadeíta e outros minerais lapidados de alta dureza.
Agente de Fixação: Cimento complexo de resinas vegetais, óleos e minerais com propriedades antissépticas.
Nova Função Comprovada: Tratamento terapêutico, restauração contra cáries e vedação de lesões (e não apenas adorno).
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Journal of Archaeological Science: Reports.
A pre-Hispanic Mayan molar with an occlusal inlay of jadeite.
http://10.1016/j.jasrep.2026.105731
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Illustrated Mythos : Os Maias colocavam jade nos dentes — mas talvez não fosse apenas decoração.
Vídeo 2 Fábio Bibancos: História da Odontologia: Por que os Maias Decoravam Seus Dentes com Pedras?
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