Atualizado 5 de julho de 2026

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Pesquisa inédita em biogeografia surpreende ao demonstrar que os primatas são originários do clima frio, e não dos trópicos como se imaginava, cruzando localizações ancestrais filogenéticas e a deriva continental.

A Pesquisa foi publicada na Revista PNAS – Proceedings of the National Academy of Sciences.

Essa é uma descoberta que reescreve a história evolutiva dos primatas. Os livros didáticos terão que ser corrigidos, pois retratam os primatas como originários, evolutivos e dispersivos exclusivamente em florestas tropicais quentes.

Foto original. Macaco japonês da neve. O macaco-japonês (Macaca fuscata), Nas fontes termais de Jigokudani, em Nagano. No Japão, a espécie é conhecida como Nihonzaru. Imagem: Wikipedia

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A seguir veremos como os cientistas chegaram a descoberta inédita em biogeografia e evolução cruzando filogenia ancestral com deriva continental para reescrever a história dos nossos ancestrais, e as consequências desta descoberta. Em texto, imagens e vídeos.

Vídeo 1: Os primeiros primatas evoluíram no frio, não nos trópicos.

Vídeo 2: Primatas – Tudo sobre esses Animais Fantásticos

Vídeo 3: Planeta sem primatas

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O Fim do Paradigma Tropical: biogeografia, filogenia e deriva continental ajudam reescrever a história dos nossos ancestrais

Por décadas, a narrativa científica aceita colocava o berço da ordem Primates nos densos e quentes trópicos.

Imaginava-se que as florestas equatoriais úmidas e estáveis do Eoceno haviam sido o caldeirão evolutivo que permitiu o surgimento dos primeiros primatas lêmures e tarsiers.

Entretanto, um estudo biogeográfico revolucionário inverteu esse paradigma. A pesquisa demonstra, com dados filogenéticos robustos e deriva continental, que os primatas são originários de regiões de clima frio, e não das faixas tropicais.

Foto original. Macaco japonêsda neve. O macaco-japonês (Macaca fuscata), Nas fontes termais de Jigokudani, em Nagano. No Japão, a espécie é conhecida como Nihonzaru. Imagem: Wikipedia
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Esta descoberta não apenas surpreende a comunidade acadêmica, mas reabre discussões fundamentais sobre as adaptações morfológicas e comportamentais dos primeiros primatas às variações sazonais extremas.

Conforme os autores, os livros didáticos frequentemente retratam os primatas como originários, evolutivos e dispersivos exclusivamente em florestas tropicais quentes.

Essa visão tende a se basear em evidências fósseis distribuídas por latitudes setentrionais tipicamente caracterizadas como tropicais.

No entanto, evidências independentes crescentes sugerem que climas não tropicais eram comuns nessas regiões durante a evolução inicial dos primatas.

Os primeiros primatas tinham aproximadamente o tamanho de um lêmure-rato: minúsculos. Imagem:Jason Gilchrist
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Para chegar a mudança de paradigma sobre a origem climática dos primatas, os pesquisadores empregaram um modelo geográfico capaz de inferir as localizações ancestrais dentro de uma estrutura filogenética,

Além disso. levaram em consideração a deriva continental, e descobriram que, ao contrário de suposições amplamente difundidas, os primeiros primatas habitavam principalmente climas frios e temperados.

A seguir veremos os resultados, as novas conclusões e as consequências desta descoberta.

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Vídeo 1: Os primeiros primatas evoluíram no frio, não nos trópicos.

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Cruzando a Árvore Filogenética com a Deriva Continental foi encontrado o surpreendente berço nas altas latitude da América do Norte

O clima sempre foi um fator determinante das mudanças ecológicas e evolutivas: quais espécies sobrevivem, quais se adaptam e quais desaparecem. Com as mudanças climáticas atuais compreender a história evolutivas das espécies se tornou ainda mais importante.

Conduzido por Jorge Avaria-Llautureo, da Universidade de Reading, a equipe de pesquisadores mapeou as origens geográficas de nossos ancestrais primatas e o clima histórico dessas regiões.

O ancestral comum dos primatas foi encontrado em um clima frio na América do Norte. ( A ) Mapa paleoclimático mundial com os principais climas de Köppen-Geiger de 66 milhões de anos atrás. Os círculos brancos no mapa representam a distribuição posterior das coordenadas do ancestral comum (círculo branco na árvore). Essas coordenadas foram inferidas usando o modelo Geo com restrições do mapa paleoclimático. Executamos quatro modelos Geo, restringindo a localização à América do Norte, África, Ásia ou Europa. ( B ) Paleotemperatura média anual extraída da distribuição posterior das coordenadas em cada continente. Imagem: Revista PNAS: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2423833122
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O segredo do sucesso desta pesquisa reside na sua abordagem interdisciplinar inovadora. Os cientistas não se basearam apenas em fósseis isolados, mas realizaram uma análise complexa cruzando três camadas de dados:

  1. Localizações Ancestrais Filogenéticas: A equipe reavaliou a árvore evolutiva de todos os primatas vivos e extintos, utilizando análises computacionais para estimar a “localização ancestral” de cada nó da árvore.
  2. Deriva Continental e Paleoclima: Em vez de assumir que o clima antigo era igual ao atual, eles utilizaram modelos geológicos precisos da deriva continental durante o Paleoceno e o Eoceno (épocas em que os primatas surgiram, há cerca de 55-65 milhões de anos).
  3. Filtragem de Dados de Clima Antigo: Isso permitiu que a equipe identificasse as coordenadas geográficas onde os ancestrais primatas viveram e, crucialmente, determinasse o clima exato daquela região naquela época específica.

Os resultados são surpreendentes: em vez de evoluírem em ambientes tropicais quentes, como os cientistas acreditavam anteriormente, parece que os primeiros primatas viviam em regiões frias e secas.

É provável que esses desafios ambientais tenham sido cruciais para impulsionar nossos ancestrais a se adaptarem, evoluírem e se espalharem para outras regiões.

O estudo mostra que foram necessários milhões de anos para que os primatas colonizassem os trópicos. O aumento das temperaturas globais não parece ter acelerado a dispersão ou a evolução dos primatas em novas espécies.

Os primatas evoluíram em diversos climas. ( A ) Árvore filogenética mediana dos primatas com as principais categorias climáticas de Köppen-Geiger para todos os nós internos. A reconstrução climática foi obtida pela extração da paleotemperatura e paleoprecipitação mensais (simuladas pelo modelo climático HadCM3BL-M2.1aD) das coordenadas dos nós posteriores do modelo Geo. ( B ) Linhagens ao longo de intervalos de tempo de 1 milhão de anos. Fósseis e espécies existentes (pontas filogenéticas) também estão incluídos neste gráfico. As cores representam a proporção de linhagens que habitam cada categoria climática ao longo do tempo. Imagem: Revista PNAS: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2423833122
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No entanto, mudanças rápidas entre climas secos e úmidos impulsionaram a mudança evolutiva.

Um dos primeiros primatas conhecidos foi a Teilhardina , um minúsculo habitante das árvores que pesava apenas 28 gramas, semelhante ao menor primata vivo atualmente, o lêmure-rato de Madame Berthae.

Por ser tão pequeno, a Teilhardina precisava de uma dieta rica em calorias, composta de frutas, goma e insetos.

Os fósseis sugerem que a Teilhardina se diferenciava de outros mamíferos da época por possuir unhas em vez de garras, o que a ajudava a agarrar galhos e manipular alimentos – uma característica fundamental dos primatas até os dias de hoje.

Resultados Surpreendentes para o ancestral Teilhardina: O Berço em Altas Latitudes da América do Norte

Ao rodar os modelos, os dados apontaram para uma direção inesperada. Os ancestrais dos primatas não estavam vivendo em latitudes próximas ao Equador.

Em vez disso, o estudo localizou as populações mais antigas em regiões de altas latitudes, em climas sazonais e frios.

Teilhardina foi um dos primeiros primatas. Imagem: Mark Klingler, Museu Carnegie de História Natural.

A descoberta inverte a lógica evolutiva: os primatas surgiram no frio e, apenas milhões de anos depois, migraram e se diversificaram nos trópicos quentes.

A Teilhardina surgiu há cerca de 56 milhões de anos na América do Norte, 10 milhões de anos após a extinção dos dinossauros, e as espécies se dispersaram rapidamente de sua origem na América do Norte para a Europa e a China.

É fácil entender por que os cientistas presumiam que os primatas evoluíram em climas quentes e úmidos. A maioria dos primatas atuais vive nos trópicos, e a maioria dos fósseis de primatas também foi desenterrada lá.

Mas quando os cientistas responsáveis ​​pelo novo estudo usaram dados de esporos e pólen fósseis de ambientes de primatas primitivos para prever o clima, descobriram que os locais não eram tropicais na época.

Assim, os primatas se originaram na América do Norte, contrariando o que os cientistas acreditavam, em parte porque não existem primatas na América do Norte atualmente.

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Vídeo 2: Primatas – Tudo sobre esses Animais Fantásticos

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Implicações Evolutivas: Novas Perguntas sobre Adaptação e Uma Nova Era para a Biogeografia

Alguns primatas chegaram a colonizar regiões árticas.

Esses primatas primitivos podem ter sobrevivido às temperaturas frias sazonais e à consequente falta de alimentos vivendo de maneira muito semelhante às espécies de lêmures-rato e lêmures-anões atuais: diminuindo seu metabolismo e até hibernando.

Condições desafiadoras e variáveis ​​provavelmente favoreceram os primatas que se deslocavam bastante em busca de alimento e melhores habitats.

As espécies de primatas que existem hoje descendem desses ancestrais altamente móveis. Aquelas menos capazes de se deslocar não deixaram descendentes vivos.

Historicamente, os primatas transitaram por diversos climas. ( A ) Transição entre os principais climas: Temperado ( Superior ), Árido ( Esquerda ), Tropical ( Inferior ) e Frio ( Direita ), para todos os primatas. O tamanho da seta representa a proporção de ramos filogenéticos com as respectivas transições. ( B ) Transições climáticas para os primeiros primatas, que viveram entre 65 e 47,8 milhões de anos atrás. ( C ) Transições climáticas para espécies que viveram entre 47,8 e 23,03 milhões de anos atrás. ( D ) Transições climáticas para espécies que viveram de 23,03 milhões de anos atrás até o presente. Imagem: Revista PNAS: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2423833122

A origem em clima frio explica de forma mais coerente algumas características fundamentais dos primatas:

  • Sazonalidade e Dieta: Vivendo em climas frios e sazonais, os primeiros primatas tiveram que desenvolver estratégias comportamentais e dietéticas complexas para lidar com a escassez de alimentos no inverno, o que pode ter sido um motor para a evolução cognitiva.
  • Termorregulação: Esta descoberta sugere que características morfológicas, como a cobertura de pelos e o desenvolvimento de metabolismo eficiente, foram adaptações críticas desde o nascimento da ordem, e não apenas características secundárias.

O estudo demonstra a importância de estudar animais extintos e o ambiente em que viviam. Se quisermos conservar as espécies de primatas hoje, precisamos saber como elas estão ameaçadas e como reagirão a essas ameaças.

Compreender a resposta evolutiva às mudanças climáticas é crucial para a conservação dos primatas do mundo, e de outras espécies também.

Quando seus habitats são perdidos, frequentemente devido ao desmatamento, os primatas ficam impedidos de se movimentar livremente.

Com populações menores, restritas a áreas menores e menos diversas, os primatas de hoje carecem da diversidade genética necessária para se adaptarem às mudanças ambientais.

Mas precisamos de mais do que conhecimento e compreensão para salvar as espécies de primatas do mundo; precisamos de ação política e mudança de comportamento individual para combater o consumo de carne de caça, a principal razão pela qual os primatas são caçados por humanos, e reverter a perda de habitat e as mudanças climáticas.

Além disso, este estudo serve como um lembrete poderoso de que a ciência está em constante evolução.

O que parecia ser um dogma estabelecido (origem tropical dos primatas) foi quebrado pela aplicação de novas metodologias e pela persistência em reinterpretar dados antigos.

Para a biogeografia e a primatologia, este é o início de um novo e emocionante capítulo.

Agora, os pesquisadores devem reexaminar o registro fóssil e as adaptações evolutivas sob a lente de um berço ancestral gelado, nos aproximando, passo a passo, de uma compreensão mais completa de onde viemos.

Resumo do Impacto da Descoberta

Impacto: Reescreve a história evolutiva dos primatas e as origens de características como a sazonalidade comportamental.

Descoberta: Primatas são originários de climas frios.

Onde: Regiões de altas latitudes, especialmente na Amárica do Norte (próximas ao Círculo Polar).

Método: Análise filogenética cruzada com modelos de clima antigo e deriva continental.

Vídeo 3: Planeta sem primatas

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Bibliografia

Revista PNAS – Proceedings of the National Academy of Sciences

Radiation and geographic expansion of primates across diverse climates.

http://doi.org/10.1073/pnas.2423833122

The Conversation

Our primate ancestors evolved in the cold – not the tropics

Análise Audiovisual

Vídeo 1 Science Today: Os primeiros primatas evoluíram no frio, não nos trópicos.

Vídeo 2 Vet News: Primatas – Tudo sobre esses Animais Fantásticos

Vídeo 3 Pesquisa Fapesp: Planeta sem primatas

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Pesquisa Inverte Tudo Ao Mostrar Que Primatas São Originários do Clima Frio, e Não Dos Trópicos | Nature & Space

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