Atualizado 5 de novembro de 2026
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresentou o “Soberano”, um supercomputador de alta performance equipado com Inteligência Artificial e sensores de câmeras hiperespectrais. A plataforma foi projetada para otimizar o mapeamento contínuo do território nacional, processando grandes volumes de dados geoespaciais para monitorar o desmatamento, mapear áreas de risco e orientar políticas públicas estratégicas.
As informações foram publicadas pelo Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG.

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A seguir conheceremos os detalhes de como foi desenvolvido e quais as aplicações do supercomputador inédito “Soberano” com IA e câmera hiperespectral da UFMG. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Supercomputador e câmera hiperespectral ajudarão a combater crimes ambientais e proteger fronteiras
Vídeo 2: Supercomputador Da UFMG Promete Mudar Como Enxergamos O Brasil E Roda Milhares De Ias De Uma Vez
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Alta performance computacional, IA de alto nível e a tecnologia de cameras hiperespectrais
A computação de alto desempenho voltada à soberania territorial ganha um reforço sem precedentes no Brasil.
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) oficializou o lançamento do Soberano, um supercomputador inédito projetado para acelerar dramaticamente a produção e a precisão dos mapas do território brasileiro.
Integrando algoritmos de Inteligência Artificial a dados capturados por câmeras hiperespectrais, a infraestrutura amplia a capacidade científica nacional no processamento de grandes massas de dados geográficos.
O grande diferencial do Soberano reside na sua arquitetura computacional paralela, capaz de realizar cálculos matemáticos complexos em tempo recorde.

A plataforma processa imagens capturadas por sensores hiperespectrais — equipamentos de ponta capazes de registrar centenas de faixas do espectro eletromagnético além da visão humana.
Enquanto imagens de satélite convencionais identificam apenas cores primárias, o sistema hiperespectral analisa a “assinatura óptica” de cada elemento na superfície.
A IA acoplada ao supercomputador interpreta essas variações para diferenciar tipos de vegetação, graus de umidade do solo, tipos de rochas e minerais, além de identificar alterações estruturais invisíveis a olho nu.
Parceria entre Geociências e Engenharia da UFMG
O supercomputador Soberano está localizado no Instituto de Geociências (IGC), e a câmera hiperespectral Hyper-Cam Mini XLW, instalada na Escola de Engenharia.

Os dois equipamentos serão usados no combate ao desmatamento e à mineração ilegal, no monitoramento ambiental, no planejamento de respostas a inundações e deslizamentos, além de aplicações na vigilância de fronteiras e no planejamento estratégico militar do país.
Tanto o supercomputador quanto a câmera hiperespectral foram adquiridos no âmbito da chamada “Centros temáticos da Finep”, de 2023, por meio do projeto Extração de geoinformação com o uso de inteligência artificial para aplicações duais: defesa e ambiente (GeoIDE).
A UFMG é a executora do projeto, que tem como instituições coexecutoras o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Diretoria de Serviço Geográfico (DSG), órgão de apoio técnico-normativo do Exército Brasileiro.
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Desenvolvimento e Aplicações estratégicas: do combate ao desmatamento à gestão de riscos
O supercomputador Soberano tem um servidor com oito aceleradores NVIDIA H200, com 141 gigabytes de memória cada, da mesma geração tecnológica utilizada atualmente no treinamento de grandes modelos de inteligência artificial (IA).
Ao lado dele trabalham dez nós de processamento, cada um com 256 núcleos e 768 gigabytes de memória, além de um sistema de armazenamento paralelo de cerca de 400 terabytes e uma rede interna de 100 gigabits por segundo.
Todo o sistema foi projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras.
A câmera hiperespectral, explica Matheus Porto, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia e coordenador do Centro Multiusuário de Termografia Científica (Cemtec), é um equipamento desenvolvido em 2024.

Ele captura e processa dados de luz em centenas de bandas de comprimento de onda estreitas e contíguas ao longo de uma faixa do espectro eletromagnético. Atualmente, existem apenas três exemplares no mundo.
É um equipamento de captura de imagens que pode ser usado no sensoriamento remoto e que opera no espectro de infravermelho longo, produzindo fatias de cubos de imagens. Ele é muito difícil de ser produzido, então é um orgulho muito grande termos um exemplar dele aqui na UFMG. A câmera vai nos ajudar a analisar problemas e a encontrar soluções, afirma Porto.
O projeto GeoIDE é liderado pelo Instituto de Geociências (IGC), por meio de seus centros de infraestrutura multiusuária: o Centro de Sensoriamento Remoto (CRS), o Laboratório Institucional de Pesquisa (LIPq) e o Centro Tecnológico de Modelagem, vinculado à Pró-reitoria de Pesquisa (PRPq) da Universidade. O Cemtec, da Escola de Engenharia, integra o projeto.
Os usuários dos equipamentos serão pesquisadores de programas de pós-graduação, como o de Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais do IGC, além de pesquisadores das instituições parceiras.
Extração automatizada de dados: Prospecção geológica, combate ao desmatamento à gestão de riscos

Apenas 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro estão mapeados na escala 1:25.000. Essa é a escala utilizada no planejamento municipal, na gestão de bacias hidrográficas, na prevenção de desastres, na implementação do Código Florestal, na defesa do território nacional e no planejamento de sua infraestrutura.
Com o projeto GeoIDE, o objetivo é usar inteligência artificial para automatizar a extração de informação geográfica a partir de imagens de satélite, radar, drones e sensores hiperespectrais, acelerando a produção de cartas na escala 1:25.000.
A professora Sônia Carvalho, do Departamento de Cartografia do IGC e coordenadora do GeoIDE, explicou que os equipamentos terão uso compartilhado em benefício da sociedade.
Estamos aqui falando de computação de alto desempenho para IA aplicada à cartografia. Mas por que é importante termos esses equipamentos? Essa nova infraestrutura vai promover, diversificar e aumentar o número de parceiros para responder aos problemas de cartografia e de mapeamento no Brasil.
Cobrir o país com cartografia tradicional levaria décadas, então precisamos mudar a forma de fazer. O projeto GeoIDE automatiza a elaboração de cartas na escala 1:25.000 em todos os biomas brasileiros.
A geoinformação é estratégica para o país porque diz respeito às nossas fronteiras e aos nossos recursos naturais. Hoje, entramos na liderança tecnológica da modelagem ambiental, afirmou a professora.
As aplicações práticas da nova infraestrutura abrangem frentes cruciais para o desenvolvimento sustentável e a segurança nacional. No monitoramento ambiental,
o Soberano permite rastrear focos de desmatamento e degradação florestal com agilidade quase em tempo real, fornecendo alertas precisos para os órgãos de fiscalização.
Na gestão de riscos e desastres naturais, o supercomputador processa dados topográficos e climáticos para mapear encostas suscetíveis a deslizamentos, áreas sujeitas a inundações e regiões sob estresse hídrico severo.
Além disso, a capacidade de caracterizar a saúde do solo e as reservas hídricas transforma o sistema em uma ferramenta estratégica para o planejamento da agricultura de precisão e a elaboração de políticas públicas socioambientais baseadas em evidências científicas.
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Soberania tecnológica e inovação nacional: Sucesso da tecnologia gerada na Universidade pública brasileira
O desenvolvimento e a implementação do Soberano reforçam o papel das universidades públicas brasileiras na liderança da transformação digital e da ciência de dados.
Ao centralizar o processamento de informações sensíveis sobre o território nacional em uma infraestrutura própria e independente, o país garante autonomia na gestão de seus recursos estratégicos.
O projeto estabelece um novo padrão no uso de inteligência artificial aplicada à geoinformação, consolidando a computação científica brasileira como pilar indispensável para o planejamento urbano, a proteção da biodiversidade e a preservação do patrimônio natural.

O coronel Ivanildo Barbosa, professor da Seção de Ensino de Engenharia Cartográfica do IME, destacou que o mapeamento de um território tão complexo quanto o brasileiro é uma meta ambiciosa, mas que se torna mais viável com os novos equipamentos inaugurados na UFMG. Ele disse que o país está acompanhando a evolução da cartografia mundial.
“Há 100 anos, o serviço geográfico estava inovando o mapeamento por meio da fotogrametria aérea, com aviões sendo vetores de transformação do mapeamento. Há 50, passamos por outra transformação, que foi a cartografia espacial, com os satélites fornecendo conjuntos grandes de dados. Agora estamos na transformação da IA, que está revolucionando os processos. O Brasil será mapeado em velocidade cada vez maior, o que ajudará na nossa soberania tecnológica.”
Ativo estratégico
Em nota, os coordenadores do GeoIDE afirmam que o supercomputador não foi batizado por acaso.
Eles explicam que, como a geoinformação de um país é um ativo estratégico, a soberania implica que o conhecimento gerado pertence às instituições brasileiras e que os centros multiusuários devem usar as tecnologias de forma responsável.
A mesma carta cartográfica que apoia a vigilância das fronteiras serve para combater o desmatamento e a mineração ilegal, planejar a resposta a inundações e deslizamentos e orientar a gestão do território por municípios,
estados e União. Começamos uma nova era para responder a grandes questões socioambientais no mundo, ampliando parcerias sob a tutela da UFMG, universidade pública e federal, em prol da sociedade brasileira.
A professora Úrsula Ruchkys de Azevedo, diretora do IGC, acrescentou que conhecer o território brasileiro é a missão do Instituto. Para ela, ao ampliar a capacidade de produzir conhecimento, os equipamentos ajudam os pesquisadores a oferecer melhores condições para o cuidado do país e de suas populações.
“Poderemos mapear a defesa dos nossos territórios, os desastres naturais e os nossos biomas. O nome Soberano simboliza a ambição de fortalecer a nossa capacidade de produzir ciência e de encontrar respostas para os desafios brasileiros. O que inauguramos aqui hoje amplia as possibilidades de pesquisa e a formação”, sustentou.
Sônia Carvalho concordou com Úrsula ao dizer que dados são instrumentos de poder e, por isso, “não podemos depender de plataformas estrangeiras para processar as informações sobre os nossos territórios. Precisamos desenvolver nossa capacidade de gerar conhecimento cartográfico de forma autônoma”, explicou.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
UFMG
UFMG inaugura equipamentos de alto desempenho com uso de IA aplicada à cartografia
Assessoria de Comunicação do Centro de Sensoriamento Remoto
Ministério da Educação
UFMG inaugura supercomputador para pesquisas com IA
Serviço Geológico do Brasil
Serviço Geológico do Brasil contribui para o lançamento do supercomputador Soberano
Análise Audiovisual
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