Atualizado 25 de setembro de 2026

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A partir de matérias-primas típicas do Semiárido cearense — o cacto mandacaru e a cera de carnaúba —, jovem pesquisadora desenvolve revestimento comestível capaz de prolongar a vida útil de tomates de 12 para 27 dias. A inovação combate o desperdício pós-colheita, reduz perdas financeiras na agricultura e oferece uma alternativa ecológica aos agrotóxicos e ceras sintéticas.

O trabalho foi publicado na revista ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer.

Carnaúba do tupi árvore do caraná. Palmeira-símbolo do estado do Piauí, das suas folhas é extraída a matéria-prima para a fabricação de cera de lustrar. Imagem:São Miguel do Tapuio – Piauí – Brasil

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A seguir veremos o magnifico conservante natural comestível desenvolvido por Gabrielle de Oliveira Rodrigues, e por que recebeu 11 prêmios nacionais e internacionais por ter desenvolvido esse conservante natural. Em texto, Imagem e Vídeos.

Vídeo 1: Conservante natural desenvolvido pela estudante Gabrielle Rodrigues

Vídeo 2: Estudante brasileira do Ensino Médio vence prêmio internacional com conservante natural

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Biodiversidade da Caatinga a serviço da segurança alimentar

A biotecnologia sustentável desenvolvida no Brasil ganha mais um capítulo promissor vindo do Nordeste.

Uma estudante de apenas 17 anos, no Ceará, desenvolveu um conservante natural e comestível capaz de estender significativamente a conservação de alimentos perecíveis.

Utilizando extratos do cacto mandacaru (Cereus jamacaru) e cera de carnaúba (Copernicia prunifera), a pesquisa comprovou a eficácia do revestimento ao ampliar o tempo de prateleira de tomates de 12 para impressionantes 27 dias após a colheita.

A solução biotecnológica aproveita propriedades ativas de duas espécies emblemáticas da flora cearense.

Gabrielle representando o Brasil na International Science and Engineering Fair (ISEF), em Los Angeles, Estados Unidos. Imagem: Arquivo Pessoal
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O mandacaru, rico em polissacarídeos e compostos com alta capacidade de retenção de umidade, atua em sinergia com as propriedades lipídicas e protetoras da cera de carnaúba.

O biofilme aplicado sobre a casca dos frutos cria uma barreira protetora invisível, comestível e segura para a saúde humana.

Essa película diminui a taxa de respiração do vegetal, reduz a perda de água por transpiração e retarda a degradação e a proliferação de fungos e bactérias, mantendo as características sensoriais, nutricionais e a firmeza do alimento por mais de duas semanas adicionais.

O conservante natural da estudante cearense recebeu dezenas de prêmios nacionais e internacionais

Gabrielle Rodrigues, estudante brasileira desenvolve por meio do mandacaru e da carnaúba um conservante natural e ganha prêmio internacional. As plantas típicas do nordeste para a experiência. Imagem: Arquivo Pessoal/O Povo
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Gabrielle entrou em Engenharia de Alimentos na UFRN, e quer fazer outros cursos. Estudante planeja continuar a pesquisa e adquirir mais conhecimentos na área da ciência.

Com uma invenção à base de mandacaru e carnaúba, Gabrielle Rodrigues venceu a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), em Los Angeles, nos EUA.

A jovem foi condecorada em algumas feiras de ciências e engenharia, como a Mostra Científica do Cariri (Mocica) em 2023, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e a Regeneron International Science and Engineering Fair (Isef), nos Estados Unidos, ambas em 2024.

Dentre essas premiações, ela ficou em primeiro lugar na categoria ciências agrárias na Mocica e na Febrace, e em segundo lugar na categoria plant sciences na Isef.

A ideia inicial era apenas tentar diminuir o desperdício de alimentos. A estudante criou o conservante natural para frutos sob orientação do professor de ensino médio Carlos Eduardo Oyama.

Gabrielle foi estudante na Escola de Ensino Médio Luiz Girão, em Maranguape, no Ceará. Ela resolveu fazer a experiência a partir do que vivia na sua região.

Gabrielle conta que a ideia para o desenvolvimento do trabalho surgiu após a estudante perceber os impactos do desperdício alimentar, que também afeta agricultores da região onde mora.

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Vídeo 1: Conservante natural desenvolvido pela estudante Gabrielle Rodrigues

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Impacto socioeconômico e combate ao desperdício

O desperdício na cadeia de suprimentos agrícola é um dos maiores desafios da segurança alimentar global. Estima-se que expressiva parcela de hortaliças e frutas se perca entre o campo e o consumidor final devido à deterioração precoce.

Ao dobrar a durabilidade dos produtos, a nova tecnologia reduz diretamente os prejuízos financeiros enfrentados por pequenos e médios agricultores.

Tomates revestidos com RCMC e sem revestimento no dia 27 de prateleira. Imagem: Artigo https://www.conhecer.org.br/enciclop/2024B/RCMC.pdf DOI: 10.18677/EnciBio_2024B25
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Além do ganho econômico para os produtores, a inovação gera economia de energia em cadeias de refrigeração e transporte, permitindo que os alimentos percorram distâncias maiores sem a necessidade de refrigeração intensiva ou embalagens plásticas descartáveis.

Conservantes naturais da região podem auxiliar na geração de emprego e renda para os profissionais do setor

Os conservantes auxiliam na longevidade de vida de prateleira dos alimentos, ou seja, o prazo que o alimento apresenta boas condições de consumo, o que, consequentemente, pode diminuir as perdas ao longo da cadeia produtiva devido à deterioração precoce.

Nesse contexto, a jovem criou o conservante natural para aumentar a longevidade dos alimentos e diminuir o desperdício alimentar, em especial, com frutos, frutas e hortaliças.

A pesquisadora criou o conservante natural para aumentar a longevidade dos alimentos e diminuir o desperdício alimentar, em especial, com frutos, frutas e hortaliças. Ela tem expectativas altas, e acredita que o produto pode auxiliar na geração de emprego e renda para os profissionais do setor. Imagem: Arquivo Pessoal
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Na pesquisa, Gabrielle descobriu que muitos alimentos são descartados por não possuírem as características organolépticas — que podem ser percebidas pelos sentidos humanos — desejáveis para o consumidor final por alguns fatores, como a aparência, sabor ou textura.

Além disso, o desperdício e as perdas de alimentos impactam diretamente o trabalho dos agricultores, que sofrem prejuízos econômicos.

Essa também é uma realidade próxima da vida de Gabrielle, “já que a agricultura é um setor proeminente na minha região e que sofre com essa problemática”.

Atualmente, o projeto está em fase de patente, para que o produto seja incorporado no setor agrário, com um foco principal nas cooperativas de agricultura familiar da região, mas o processo ainda está em andamento.

Diante disso, a jovem tem expectativas altas, e acredita que o produto pode auxiliar na geração de emprego e renda para os profissionais do setor.

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Vídeo 2: Estudante brasileira do Ensino Médio vence prêmio internacional com conservante natural

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Uma alternativa ecológica e sustentável aos produtos químicos

Outro diferencial crucial da pesquisa é a substituição de fungicidas sintéticos e ceras derivadas do petróleo, frequentemente utilizados no pós-colheita comercial.

O revestimento natural de mandacaru e carnaúba oferece uma solução atóxica e biodegradável, em consonância com as exigências dos consumidores por alimentos mais saudáveis e livres de resíduos químicos.

A brasileira observou que parte dos produtos do mercado é tóxica ou não apresenta ação antimicrobiana. Ela então quis criar um conservante natural com o cactus do mandacaru e a cera da carnaúba.

tomates e goiabas revestidos com parafina e RCMC dispostos em prateleira no dia 0 de verificação nas primeiras testagens. Imagem: Artigo https://www.conhecer.org.br/enciclop/2024B/RCMC.pdf DOI: 10.18677/EnciBio_2024B25
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Após as observações, Gabrielle fez testes em tomates, goiabas e maçãs. Os frutos eram revestidos pela forma líquida da solução e, após as primeiras tentativas, a estudante percebeu que o tomate se adaptava melhor ao revestimento.

O protagonismo da jovem cientista reforça o potencial da pesquisa científica jovem nas escolas públicas do país e demonstra como a valorização da biodiversidade local pode gerar tecnologias de alto impacto para a sustentabilidade e o agronegócio socioambiental.

Influência para a carreira

Essa pesquisa fez Gabrielle se interessar e engajar mais a divulgação científica, e também dá crédito ao papel da escola, que incentiva os alunos a fazerem pesquisas de ciências.

Além disso, a experiência influenciou a jovem a querer seguir na carreira de pesquisadora.

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Bibliografia

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ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer

RCMC – REVESTIMENTO COMESTÍVEL À BASE DE MANDACARU E CARNAÚBA: UMA NOVA ALTERNATIVA COMO CONSERVANTE DE FRUTOS

DOI: 10.18677/EnciBio_2024B25

Análise Audiovisual

Vídeo 1 Nutrição: Conservante natural desenvolvido pela estudante Gabrielle Rodrigues

Vídeo 2 Canal Supren: Estudante brasileira do Ensino Médio vence prêmio internacional com conservante natural

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