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Atualizado 10 de maio de 2026

Arqueólogos descobrem que sinais em gravuras de 40 mil anos na Europa em ferramentas e ornamentos seriam intercomunicação por meio de marcas convencionais, para transmitir informação, usado por caçadores coletores por mais de 10 mil de anos.

A pesquisa foi publicada na Revista PNAS.

Os sinais eram repetidos em determinadas ferramentas e ornamentos deliberadas, embora não atendam ao critério de escrita em sentido estrito.

E o que esses sinais ‘convencionais’ nos dizem sobre o nascimento da lógica escrita posterior a esse período e a abstração humana?

A estatueta de mamute da Caverna Vogelherd, com aproximadamente 40.000 anos, apresenta múltiplas sequências de cruzes e pontos em sua superfície. Imagem: Universidade de Tübingen / Hildegard Jensen.

A veremos como nossos antepassados transmitiam informações dezenas de milhares anos antes da escrita formal: um sistema de comunicação convencional. Em texto, imagens e vídeos.

Vídeo 1: Escrita pode ter surgido há 40 mil anos

Vídeo 2: Esta descoberta de 40.000 anos muda tudo o que sabíamos sobre escrita.

Vídeo 3: Há 40 Mil Anos Ser Humano Já Usava Uma Astronomia Complexa

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Os sinais não atendem ao critério de escrita em sentido estrito, mas são uma prova da capacidade humana nesta época em produzir traços sofisticados repetidos para transmitir informação

Sempre nos disseram que a escrita nasceu há cerca de 5 mil anos na Suméria. Mas e se o desejo de imortalizar informações fosse muito mais antigo, e tão importante quanto, mesmo que não tivesse um padrão repetido do conceito estrito de escrita?

Novas análises de gravuras sugerem que, há 40 milênios, caçadores-coletores já usavam complexos sinais visuais para transmitir informação.

Não eram apenas traços de arte, mas alguma forma muito significativa de transmitir informação, que perdurou por mais de 10 mil anos.

A estatueta de Adorante da Caverna de Geißenklösterle, com aproximadamente 38.000 anos, consiste em uma pequena placa de marfim com uma figura antropomórfica e múltiplas sequências de entalhes e pontos. A aplicação dessas marcas sugere um sistema de notação, principalmente nas fileiras de pontos no verso da placa. Imagem: Landesmuseum Württemberg / Hendrik Zwietasch.
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Esses sinais contidos em gravuras foram encontrados em artefatos no interior de uma caverna no sudoeste da Alemanha.

Um artista da Idade da Pedra esculpiu um pequeno mamute em um pedaço de presa. Em seguida, cobriu-o com uma sequência deliberada de cruzes e pontos.

Criada há 40.000 anos por alguns dos primeiros humanos modernos da Europa, esta estatueta é uma das obras de arte mais antigas conhecidas.

Centenas de outros objetos encontrados nas mesmas regiões e da mesma época apresentam marcas semelhantes. Durante muito tempo, os cientistas ficaram intrigados com essas marcas. Seriam meras decorações ou teriam um significado mais profundo?

Embora, como sugerem os pesquisadores, esses sinais não atendam ao critério de escrita em sentido estrito, são uma prova da capacidade humana nesta época em produzir traços sofisticados repetidos, em determinadas ferramentas e artefatos específicos.

Estaríamos subestimando a mente dos nossos ancestrais da Idade do Gelo?

Arte rupestre em Lascaux. Algumas marcas parecem registrar os ciclos de acasalamento de animais locais. Imagem: Patrick Aventurier
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A descoberta de que esses sinais (pontos, linhas e formas em “Y”) não eram apenas decoração, mas um sistema de marcas convencionais, muda a cronologia, e sobretudo, o grau de sofisticação e capacidade mental da comunicação humana.

Isso sugere que o Homo sapiens do Paleolítico Superior já possuía uma capacidade de abstração e armazenamento de informações externas, talvez ciclos lunares ou migratórios, muito antes da escrita cuneiforme na Mesopotâmia.

Os símbolos geométricos foram gravados em pendentes, ferramentas, estatuetas e até flautas há cerca de 40 mil anos, descobertos sudoeste da Alemanha.

Asim, os humanos da Era do Gelo esculpiam padrões repetidos de pontos, linhas e cruzes em ferramentas e pequenas estatuetas de marfim.

O estudo computacional usou mais de 3.000 desses sinais paleolíticos, descobrindo que eles não eram decorações aleatórias, mas sequências estruturadas com complexidade mensurável.

Segundo os pesquisadores, a densidade de informação rivaliza com a da “escrita” proto-cuneiforme, o sistema de escrita mais antigo conhecido, que surgiu por volta de 5 mil anos atrás.

O estudo foi conduzido pelo linguista Christian Bentz, da Universidade do Sarre, e da arqueóloga Ewa Dutkiewicz, do Museu de Pré-História e História Antiga de Berlim.

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Vídeo 1: Escrita pode ter surgido há 40 mil anos

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Emergência do Paradigma Representacional: Tradição Cognitiva de informações abstratas difundida em sinais da Idade da Pedra

Grande número de pesquisas demonstram que os humanos têm gravado sinais visuais nas superfícies de artefatos móveis e paredes de cavernas há centenas de milhares de anos.

Mas as análises da pesquisa aqui descrita se refere a um conjunto de artefatos móveis de 40 mil anos, com sequências de sinais geométricos gravados intencionalmente. Eles têm uma complexidade comparável à protocuneiforme, que seria realizada dezena de milhares de anos após.

As gravuras foram aplicadas seletivamente para produzir maior densidade de informação em estatuetas do que em ferramentas.

Isso demonstra que os primeiros caçadores-coletores que chegaram à Europa já haviam desenvolvido um sistema de sinais intencionais e convencionais em artefatos móveis.


B ) Estatueta de mamute, marfim, Vogelherd (vhc0145), © Universidade de Tübingen, Juraj Lipták. 
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Em especial, o estudo relacionou as propriedades estatísticas da linguagem e da escrita humanas em comparação com outros sistemas de sinais.

O período da repetição destes símbolos em artefatos é longo, durante cerca de 10 mil anos permaneceu na mesma região.

Artefatos datados de 34 mil a 45 mil anos atrás apresentam padrões recorrentes de linhas, pontos, entalhes e cruzes. Muitos foram encontrados em cavernas na região do Jura Suábio, no sudoeste da Alemanha.

Na Caverna Vogelherd, no Vale Solitário, por exemplo, arqueólogos descobriram uma pequena estatueta de mamute esculpida em marfim de mamute. Sua superfície é marcada com fileiras de cruzes e pontos.

Outros objetos da mesma região também contêm gravuras semelhantes. O “Adorante”, uma placa de marfim de mamute descoberta na caverna de Geißenklösterle, no vale do rio Ach, mostra uma figura híbrida de leão e humano e é coberta por fileiras de pontos e entalhes.

Outra escultura bem conhecida, o “Leão-Humano” da caverna de Hohlenstein-Stadel, no vale de Lone, inclui entalhes espaçados uniformemente ao longo de um dos braços.

Os pesquisadores agora concluem que essas marcas tinham um propósito. Os povos da Idade da Pedra provavelmente as utilizavam para se comunicar ou armazenar informações.

Artefatos móveis com sinais geométricos do Aurignaciano da Suábia. ( A ) Placa com criatura híbrida (chamada “Adorante”), marfim, Geissenklösterle (gkl0025), © Landesmuseum Württemberg, Hendrik Zweitasch. Imagem do artigo: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2520385123
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Uma tradição difundida de sinais da Idade da Pedra

Segundo Dutkiewicz, o Jura Suábio é apenas uma das várias áreas importantes onde esses símbolos aparecem.

Os pesquisadores viajam pela Europa, visitando museus e sítios arqueológicos, para identificar exemplos adicionais.

Esses artefatos datam de uma época muito anterior à escrita formal, quando o Homo sapiens havia migrado recentemente da África para a Europa e encontrado os neandertais.

Com o apoio financeiro do Conselho Europeu de Investigação, a equipe de pesquisa está investigando como os primeiros humanos codificavam informações por meio de símbolos visuais.

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Vídeo 2: Esta descoberta de 40.000 anos muda tudo o que sabíamos sobre escrita.

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A Alta Densidade de informação é comparável à proto-cuneiforme, que surgiria dezenas de milhares de anos depois

A equipe examinou mais de 3.000 sinais geométricos em aproximadamente 260 objetos usando análise computacional. Seu objetivo não era decifrar os símbolos, que permanecem indecifrados, mas sim medir suas propriedades estruturais.

Ao estudar a frequência com que os sinais aparecem e o quão previsíveis eles são dentro de sequências, Bentz comparou essas marcas paleolíticas com os sistemas de escrita proto-cuneiforme e modernos.

 C ) Vara/baton, marfim, Vogelherd (vhc0001), © Universidade de Tübingen, Ewa Dutkiewicz. ( D ) Ornamento pessoal, marfim, Geissenklösterle (gkl0006), © Universidade de Tübingen, Ewa Dutkiewicz. ( E ) Espátula/lissoir, osso, Vogelherd (vhc0017), © Universidade de Tübingen, Ewa Dutkiewicz. ( F ) Espátula/lisseira, osso, Vogelherd (vhc0162), © Universidade de Tübingen, Juraj Lipták. ( G ) Indeterminado, osso, Hohle Fels (hfc0006), © Universidade de Tübingen, Ewa Dutkiewicz. Desenhos de Ewa Dutkiewicz. Imagem do artigo: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2520385123
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Ainda assim, a densidade geral de informação dos sinais paleolíticos corresponde de perto à das primeiras tabuletas proto-cuneiformes da antiga Mesopotâmia, que surgiram cerca de 40.000 anos depois.

“As sequências de sinais na escrita proto-cuneiforme também são repetitivas e os sinais individuais se repetem em uma frequência semelhante. Em termos de complexidade, as sequências de sinais são comparáveis”, acrescenta Bentz.

A semelhança surpreendeu os pesquisadores.

 F  Espátula/lisseira, osso, Vogelherd (vhc0162). Imagem: Universidade de Tübingen, Juraj Lipták. Imagem do artigo: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2520385123

Ele acrescenta que, há cerca de 5.000 anos, surgiu um novo sistema de escrita que representava diretamente a linguagem falada e apresentava padrões estatísticos muito diferentes.

Vídeo 3: Há 40 Mil Anos Ser Humano Já Usava Uma Astronomia Complexa

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Informação em objetos portáteis sugerem a capacidade de registrar e compartilhar informações, ajudando a coordenar grupos e sobreviver

Para realizar a análise, a equipe digitalizou as sequências de sinais em um banco de dados e as avaliou usando ferramentas da linguística quantitativa, incluindo modelagem estatística e algoritmos de classificação de aprendizado de máquina.

Eles avaliaram quanta informação os sinais poderiam potencialmente transmitir e compararam essa capacidade com a escrita cuneiforme antiga e a escrita moderna.

Exemplos de tabuletas protocuneiformes de Uruk, de Uruk V a Uruk III. Os identificadores CDLI e os números de coleção são apresentados entre parênteses. A versão pré-processada da transliteração dos sinais protocuneiformes, de acordo com o CDLI, é apresentada à direita de cada tabuleta. As transliterações para as diferentes faces da tabuleta (verso, anverso) são aqui simplesmente concatenadas. (  A ) Tabuleta de Uruk V (identificador CDLI: P000753). ( B ) Tabuleta de Uruk V (identificador CDLI: P000842). ( C ) Tabuleta de Uruk IV (identificador CDLI: P001282). ( D ) Tabuleta de Uruk III (identificador CDLI: P000735). Direitos autorais: CC-BY-SA 4.0, Staatliche Museen zu Berlin, Vorderasiatisches Museum/Olaf M. Teßmer . Imagem do artigo: https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2520385123
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Ele enfatiza que a capacidade humana de codificar informações se desenvolveu gradualmente ao longo de dezenas de milhares de anos.

Bentz também destaca que a codificação continua sendo fundamental para a tecnologia moderna.

“Continuamos a desenvolver novos sistemas para codificar informações. A codificação também é a base dos sistemas de computador.”

Grandes modelos de linguagem, uma forma proeminente de inteligência artificial, dependem da previsibilidade de sequências linguísticas para determinar qual parte de uma palavra provavelmente aparecerá em seguida.

Contudo, o estudo não determina exatamente que tipo de informação esses símbolos transmitiam.

“Mas as descobertas podem nos ajudar a restringir as possíveis interpretações”, afirma Dutkiewicz.

A capacidade de registrar e compartilhar informações pode ter ajudado os primeiros humanos a coordenar grupos e sobreviver. Os próprios objetos sugerem portabilidade.

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Bibliografia

PNAS

Humans 40,000 y ago developed a system of conventional signs

http://doi.org/10.1073/pnas.2520385123

Universidade do Sarre

Museu de Pré-História e História Antiga de Berlim

Museu Nacional de História Natural Smithsonian

Análise Audiovisual

Vídeo 1 Professor João Amorim: Escrita pode ter surgido há 40 mil anos

Vídeo 2 Artifacts: Esta descoberta de 40.000 anos muda tudo o que sabíamos sobre escrita.

Vídeo 3 Space Today: Há 40 Mil Anos Ser Humano Já Usava Uma Astronomia Complexa

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