Atualizado 20 de junho de 2026
Cientista da Fiocruz, Brasil, desenvolveu método natural eficaz que usa a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão da dengue, contribuiu com queda drástica de 89% nos casos em cidades brasileiras.
A Revista Nature listou Luciano Moreira, pesquisador que ajudou a desenvolver o método Wolbachia de controle natural da dengue no Brasil, entre os cientistas mais influentes do mundo em 2025.
O avanço marca uma transição histórica no controle de epidemias, trocando o uso em massa de inseticidas químicos por uma engenharia ecológica autossustentável e eficiente.

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A seguir conheceremos esse método eficaz, uma conquista gigante para a saúde pública. Uma biotecnologia inovadora que introduz uma bactéria natural no mosquito Aedes aegypti, impedindo a replicação viral. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Luciano Moreira e o Método Wolbachia Integram a Lista Nature’s 10
Vídeo 2: Entenda como funciona o Método Wolbachia
Vídeo 3: Estudo confirma sucesso de método da Fiocruz de combate à dengue – Jornal Nacional
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Redução drástica de até 89% nas notificações de dengue nas primeiras cidades brasileiras a receberem os mosquitos apelidados de wolbitos
A ciência feita no Brasil consolidou uma das maiores vitórias da história da saúde pública global contra as arboviroses.
O pesquisador Luciano Moreira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recebeu um dos maiores reconhecimentos científicos do mundo por sua liderança na implementação do revolucionário Método Wolbachia no país.
A técnica consiste em uma abordagem biotecnológica totalmente natural e sustentável: cientistas introduzem a bactéria Wolbachia — encontrada na natureza em outros insetos — nos ovos do mosquito Aedes aegypti.

Uma vez instalada nas células do inseto, essa bactéria atua como uma barreira biológica intransponível, impedindo que o vírus da dengue, da zika e da chikungunya consiga se replicar adequadamente.
O resultado prático dessa estratégia de vanguarda foi uma redução drástica de até 89% nas notificações de dengue nas primeiras cidades brasileiras a receberem os mosquitos “turbinados”, carinhosamente apelidados de wolbitos.
Em reconhecimento, o engenheiro agrônomo Luciano Andrade Moreira foi escolhido pelos editores da revista Nature como uma das dez pessoas ao redor do mundo que moldaram a ciência em 2025. Seu nome configura na lista “Nature’s 10”.
A Revista Nature é uma publicação britânica em circulação desde 1869 e é considerada a revista científica mais citada do mundo. A lista “Nature’s 10” não configura como prêmio ou ranking acadêmico, mas coloca em destaque internacional pesquisadores e iniciativas de impacto.

Em 2023, a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) foi incluída na lista pelo trabalho no combate ao desmatamento na Amazônia Legal.
Eu fiquei muito emocionado, quase não acreditei. Acho muito importante, no Brasil, a gente conseguir fazer pesquisas de ponta. E o que mais me dá satisfação é ver que estamos conseguindo reduzir o sofrimento e as mortes no país. Estamos mostrando como a ciência consegue ajudar tantas pessoas. Luciano Moreira, pesquisador brasileiro incluído na lista da Nature
Se o nome Luciano Andrade Moreira ainda não era familiar para muitos brasileiros, a tendência é que isso mude rápido.
No Brasil, ele lidera uma iniciativa que já vem reduzindo — e, no futuro, pretende eliminar — doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.
Conheceremos a seguir a pesquisa e os resultados já alcançados pela ciência nesse campo da defesa sanitária no Brasil.
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Vídeo 1: Luciano Moreira e o Método Wolbachia Integram a Lista Nature’s 10
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Luciano Moreira e uma equipe de cientistas comandam uma fábrica em Curitiba, Paraná, que produz 80 milhões de ovos de mosquito por semana para combater a dengue
Em associação com outros cientistas, Moreira estuda há mais de uma década o uso da bactéria natural Wolbachia, comum em diferentes insetos, em mosquito Aedes aegypti para bloquear a transmissão de vírus como os da dengue, zika e chikungunya.
A técnica desenvolvida a partir da pesquisa é chamada de “Método Wolbachia.” Como demonstrou em artigo assinado em 2009, os mosquitos portadores da bactéria têm menor probabilidade de contrair esses vírus.

Segundo a revista Nature, “os cientistas ainda não compreendem o mecanismo, mas a bactéria pode estar competindo com o vírus por recursos ou estimulando a produção de proteínas antivirais.”
A aplicação do método pode ser decisiva no controle de doenças.
Os mosquitos infectados com a bactéria, chamados de wolbitos, ao serem liberados em áreas urbanas e ao se reproduzirem com outros Aedes aegypti reinfectam a bactéria para as novas gerações de mosquitos.
Biofábrica de mosquitos wolbitos com sede em Curitiba, Paraná, Brasil
É isso que faz uma biofábrica de mosquitos wolbitos com sede em Curitiba (PR), dirigida por Luciano Andrade Moreira, e criada em parceria entre a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), uma organização sem fins lucrativos com atuação em 14 países.
Luciano Moreira é engenheiro agrônomo e entomologista, ele faz parte da equipe de cientistas que comandam uma fábrica em Curitiba, no Paraná, onde mais de 80 milhões de ovos de mosquito são produzidos a cada semana.

Atualmente, o Método Wolbachia faz parte da estratégia nacional de enfrentamento das arboviroses, do Ministério da Saúde, e está em implantação em Balneário de Camboriú (SC), Brasília (DF), Blumenau (SC), Joinville (SC), Luziânia (GO) e Valparaíso de Goiás (GO).
A escolha das cidades é feita pelo ministério considerando indicadores epidemiológicos – a ocorrência de casos de arboviroses em padrões elevados nos últimos anos.
Na Biofábrica de mosquitos wolbitos, os mosquitos se reproduzem em uma sala com temperatura controlada e repleta de gaiolas de tela. Após a eclosão dos ovos, os mosquitos são liberados em cidades brasileiras para ajudar no controle da dengue e outras doenças.
O método, que promete reduzir drasticamente a transmissão e os gastos com os tratamentos dessas doenças, é testado no Brasil desde 2014, e foi aprovado pelo governo federal como uma medida eficaz para o combate à dengue.
O mérito por defender essa medida é atribuído a Luciano Moreira.
“Ele não só conseguiu realizar o trabalho acadêmico, conduzindo experimentos para demonstrar a eficácia do modelo, como também convenceu os tomadores de decisão política a implementar a tecnologia”, afirma Pedro Lagerblad de Oliveira, entomologista molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
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Vídeo 2: Entenda como funciona o Método Wolbachia
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O método natural Wolbachia reproduz as bacterias wolbachias: um gênero de bactérias presente em mais da metade dos insetos do mundo
Presente em 14 países, o método consiste em liberar no ambiente mosquitos inoculados com a Wolbachia, para que se reproduzam com a população local de Aedes aegypti e gerem descendentes também portadores da bactéria e, portanto, com menores chances de transmitir dengue, chikungunya ou zika para humanos.
As wolbachias são um gênero de bactérias presente em mais da metade dos insetos do mundo, estima a ciência.
Em estudos desenvolvidos desde o início dos 2010, cientistas conseguiram reproduzir com segurança Aedes aegypti infectados com espécies de wolbachias que não ocorreriam naturalmente no mosquito.



No Aedes, tais bactérias demonstraram ser capazes de impedir a multiplicação de diferentes arbovírus transmissíveis aos humanos, sendo ao mesmo tempo capazes de favorecer que mosquitos com a bactéria tenham uma vantagem reprodutiva sobre populações não infectadas.
Segundo a Fiocruz, a expectativa é que para cada R$ 1 investido, a economia do governo em medicamentos, internações e tratamentos em geral gire entre R$ 43,45 e R$ 549,13.
Niterói, Cidade do Rio de Janeiro, conseguiu deter o avanço da dengue com o método Wolbachia
A estratégia usada foi espalhar, por toda a cidade, mosquitos Aedes aegypti infectados com a cepa (variedade) wMel da bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão do vírus causador da dengue.
A partir de 2017, os insetos com Wolbachia foram liberados nas áreas ocupadas pela população urbana. Em 2022, a maioria de A. aegypti em Niterói já carregava a bactéria, trazida da Austrália e inoculada nos mosquitos em viveiros na própria cidade.
De acordo com um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Belo Horizonte e da Universidade Monash, na Austrália, o número de novos casos de dengue notificados em Niterói foi 89% menor após as liberações de Wolbachia que no período anterior (de 2007 a 2016).
Em 2024, a incidência de dengue em Niterói foi de 374 por 100 mil habitantes, menor que a do estado do Rio de Janeiro (1.884 por 100 mil) e da média nacional (3.157 por 100 mil).
Os resultados observados são similares aos encontrados em localidades da Austrália, Ásia e outros países da América do Sul (Tropical Medicine and Infectious Diseases, 25 de agosto).
Resumo
Escala Industrial: O sucesso do método levou à criação da maior biofábrica de mosquitos do mundo no Brasil, permitindo a expansão da tecnologia para proteger novas capitais e municípios populosos.
O Bloqueio Celular: A bactéria Wolbachia compete por recursos dentro das células do mosquito, neutralizando a capacidade do vírus de se multiplicar e ser transmitido pela picada.
Efeito Cascata Natural: Os mosquitos modificados liberados na natureza transmitem a bactéria naturalmente para seus descendentes, tornando a estratégia permanente e autossustentável ao longo das gerações.
Eficácia Comprovada: Dados consolidados apontam quedas drásticas que chegam a 89% nos índices epidemiológicos locais nas áreas tratadas pelo programa.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Agência Brasil
Brasileiro criador do “Aedes” que bloqueia dengue é eleito pela Nature
The Lancet Infectious Diseases
MDPI – Tropical Medicine and Infectious Disease
doi.org/10.3390/tropicalmed10090237
O CEO Luciano Moreira sobre a construção da maior fábrica de mosquitos do mundo
Análise Audiovisual
Vídeo 1 World Mosquito Program Brasil: Luciano Moreira e o Método Wolbachia Integram a Lista Nature’s 10
Vídeo 2 World Mosquito Program Brasil: Entenda como funciona o Método Wolbachia
Vídeo 3 World Mosquito Program Brasil: Estudo confirma sucesso de método da Fiocruz de combate à dengue – Jornal Nacional
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