Atualizado 19 de setembro de 2026
Em pesquisa inédita, cientistas brasileiros desenvolvem o primeiro fitoterápico nacional a partir da erva quebra-pedra (Phyllanthus niruri) para tratar distúrbios urinários. Fruto de uma cooperação entre a Fiocruz, o Ministério do Meio Ambiente e o PNUD, a iniciativa promove o acesso público na saúde ao mesmo tempo em que garante a repartição justa dos benefícios com os povos tradicionais.
As informações foram divulgadas pelo Jornal da USP e pelo CFF Conselho Federal de Farmácia.

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A seguir veremos como esse fitoterápico inovador, resultado de parceria entre MMA, PNUD e Fiocruz pode ampliar o acesso a tratamento para distúrbios urinários no SUS. Em texto, imagens e vídeo.
Vídeo 1: BRASIL TERÁ 1º FITOTERÁPICO DESENVOLVIDO A PARTIR DA FOLHA QUEBRA-PEDRA
Vídeo 2: CHÁ de QUEBRA PEDRA Bom para os RINS: Como USAR Corretamente
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Ciência e saúde pública: a biotecnologia a serviço do SUS
A biotecnologia voltada para a saúde pública ganha um marco histórico no Brasil.
Em um esforço nacional para unir a rica biodiversidade do país à ciência de ponta, pesquisadores brasileiros estão finalizando o desenvolvimento do primeiro medicamento fitoterápico obtido a partir da erva popularmente conhecida como quebra-pedra (Phyllanthus niruri).
O projeto visa disponibilizar uma alternativa terapêutica eficaz, segura e padronizada para o tratamento de cálculos renais e afecções do trato urinário no Sistema Único de Saúde (SUS).
A parceria estratégica envolve a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Com esse passo o Brasil alcança um marco histórico na saúde pública com o desenvolvimento no país do primeiro medicamento fitoterápico a partir da espécie vegetal Phyllanthus niruri, a popular quebra-pedra, indicado para o tratamento de distúrbios urinários.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Fiocruz apresentaram os lotes piloto do produto, resultado de uma parceria entre as instituições.
Trata-se de mais um passo no Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado entre as instituições para viabilizar o medicamento e sua submissão regulatória na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A integração entre instituições reflete um avanço no complexo econômico-industrial da saúde no Brasil
O objetivo principal é oferecer à população atendida pela rede pública um produto com qualidade farmacêutica comprovada, capaz de prevenir a formação de novos cálculos renais e facilitar o tratamento de inflamações no sistema urinário.

Além de ampliar a oferta de tratamentos no SUS, a produção nacional fortalece a soberania científica e reduz a dependência da importação de insumos farmacêuticos ativos.
A secretária nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta, explicou que pioneirismo do medicamento inspirou a Missão Saúde e Bem-Estar do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio 2026–2035) e a meta de incorporar 15 novos fitoterápicos ao Sistema Único de Saúde (SUS) na próxima década, dez deles a partir de espécies nativas.
O que entregamos hoje começou antes do PNDBio existir e foi exatamente esse caminho que nos mostrou que era possível, e necessário, transformar a biodiversidade brasileira e o conhecimento dos nossos povos em política pública estruturante de saúde.
A quebra-pedra deixou de ser uma promessa e virou um precedente, pois inspirou a meta de levar 15 fitoterápicos da nossa biodiversidade ao SUS até 2035. É assim que se constrói bioeconomia, com ciência pública, comunidades protagonistas e o Estado induzindo mudanças sistêmicas, e não ações isoladas”, destacou.
Ao representar a Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), Isabel Sobreiro comentou sobre a articulação entre as instituições envolvidas.
Este frasco carrega tradição, respeito ao conhecimento tradicional, a salvaguarda dos povos tradicionais, inovação científica da bancada e articulação institucional necessária para que chegássemos a este resultado hoje. Reúne todo o esforço de colocar os povos tradicionais lado a lado com os cientistas”, afirmou.
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Respeito à sabedoria ancestral e à repartição de benefícios
Um dos pilares fundamentais deste projeto é o reconhecimento de que a utilização da quebra-pedra nasce do conhecimento milenar dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
A planta, há séculos empregada na medicina popular, teve suas propriedades curativas identificadas e preservadas por essas populações.
Diferente de modelos passados, a pesquisa atual cumpre rigorosamente as diretrizes da Convenção sobre Diversidade Biológica e da legislação brasileira de acesso ao patrimônio genético (Lei da Biodiversidade).
Isso assegura o consentimento prévio e garante que os ganhos econômicos e sociais resultantes do medicamento gerem repartição justa de benefícios com os povos originários e comunidades tradicionais.

O modelo estabelece um marco ético no desenvolvimento da biotecnologia no país, demonstrando que a inovação científica deve avançar lado a lado com os direitos sociambientais.
O processo envolveu pesquisa e rigor científico, e uma aposta em transformar conhecimento tradicional em medicamento para o SUS
O sucesso deste projeto reforça a importância de Farmanguinhos no desenvolvimento de medicamentos. Nossa missão é alinhar os saberes científicos, tradicionais e tecnológicos. Este medicamento será precursor para a produção de outros tratamentos, a partir do novo marco regulatório para fitoterápicos”, enfatizou a diretora do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Silvia Santos.
O desenvolvimento do medicamento foi realizado na unidade da Fiocruz no âmbito do projeto Fitoterápicos.
Com coordenação técnica do MMA, a implementação do projeto Fitoterápicos ficou a cargo do PNUD.
Para o desenvolvimento do medicamento da quebra-pedra, foram investidos R$ 2,4 milhões pelo Global Environment Facility (GEF) em adequação de infraestrutura, estudos laboratoriais e de estabilidade, para submissão à Anvisa. Estas etapas serão iniciadas a partir desta primeira produção do medicamento.

A iniciativa reforça o modelo de Acesso e Repartição de Benefícios (ABS), que garante que povos e comunidades tradicionais sejam reconhecidos e beneficiados pelo uso de seus conhecimentos e da biodiversidade brasileira.
“Celebramos hoje o desenvolvimento de uma alternativa terapêutica segura e eficaz, mas que carrega consigo algo ainda mais profundo: o reconhecimento de que estes povos são os verdadeiros guardiões históricos da nossa biodiversidade e do patrimônio genético nacional”, explicou a Representante Residente Adjunta do PNUD, Elisa Calcaterra.
Além de possibilitar o acesso a produtos de qualidade no SUS, o acordo entre as instituições fortalece a cadeia produtiva nacional ao incentivar o desenvolvimento científico e tecnológico de produtos a partir da sociobiodiversidade, abrindo precedentes para parcerias e acordos de repartição de benefícios entre a indústria farmacêutica e organizações de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.
Embora a planta seja amplamente empregada pela população no tratamento da litíase urinária (doença que se caracteriza pela formação de cálculos no trato urinário), sua indicação na Anvisa é como auxiliar no aumento do fluxo urinário, atuando como adjuvante no tratamento de queixas urinárias.
Há também estudos em andamento para incluir sua indicação em urolitíase
Ao contrário dos produtos atualmente disponíveis, que atuam em etapas isoladas da litíase urinária, o fitoterápico de quebra-pedra age de forma integrada.
Estudos na literatura demonstram que a planta inibe a formação dos cálculos, auxilia na sua fragmentação e facilita a eliminação pelo organismo, oferecendo um tratamento mais completo.
A pesquisadora de Farmanguinhos/Fiocruz responsável pelo desenvolvimento do projeto, Maria Behrens, destaca o diferencial da planta.
O quebra-pedra reúne muitas propriedades e essa característica torna este medicamento inovador. Nosso objetivo é levar à população o fitoterápico na forma de um produto farmacêutico, que, por ter processo produtivo padronizado e garantia de qualidade, pode evitar os riscos de preparações caseiras sem controle (por exemplo, com a troca da espécie vegetal de uso medicinal, adulterações, preparações com baixo teor ou ausência de princípios ativos) e que podem ser ineficazes ou ter efeitos indesejados, destacou.
Detentor de uma das maiores biodiversidades do mundo, o Brasil possui poucos medicamentos desenvolvidos com insumos vegetais, principalmente quando comparado com outros países.
Grandes empresas internacionais frequentemente utilizaram a biodiversidade e o conhecimento dos povos tradicionais como ponto de partida para o desenvolvimento de produtos, sem qualquer retorno às comunidades detentoras desse saber.
Com o fitoterápico da quebra-pedra, esse ciclo se inverte e o conhecimento tradicional passa a ser também protagonista.
Quebra pedra ajuda a prevenir a formação do cálculo ao interferir na cristalização e na agregação dos cristais que dão origem às pedras.
Conforme Alex, urologista do Hospital Vila Nova Star, SP, a quebra pedra ajuda a prevenir a formação do cálculo ao interferir na cristalização e na agregação dos cristais que dão origem às pedras.
Assim, o fitoterápico pode modificar a estrutura do cálculo, explica Meller, dificultando que os cristais se juntem e se fixem dentro do rim. Esse efeito pode reduzir tanto o surgimento de novas pedras quanto a recorrência em pacientes que já tiveram o problema.
Além disso, como visto anteriormente, há indícios de que o quebra-pedra possa auxiliar na eliminação de fragmentos após tratamentos como a litotripsia, procedimento que destrói o cálculo renal com ondas de choque.
“É um problema grave para a saúde pública, com filas longas e tratamentos complexos, que exigem tecnologia e alto investimento”, Meller
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Mecanismo de ação e os avanços na medicina fitoterápica
A quebra-pedra atua inibindo o agrupamento de cristais de oxalato de cálcio, um dos principais componentes das pedras nos rins, além de promover o relaxamento dos ureteres, o que facilita a expulsão dos cálculos e reduz as dores associadas às cólicas renais.
Com a padronização dos extratos e os ensaios clínicos conduzidos sob os mais rigorosos padrões da Anvisa, o fitoterápico garante dosagens precisas e segurança para uso contínuo.

A iniciativa não apenas valida o saber tradicional por meio do método científico, mas consolida a fitoterapia como uma ferramenta estratégica de acesso universal à saúde.
O fitoterápico recebeu aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para seguir em desenvolvimento
Conforme Felipe Rodrigues, pesquisador na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, as propriedades fitoterápicas da planta Phyllanthus niruri, mais conhecida como quebra-pedra, é um medicamento com eficácia comprovada por alguns estudos, além dos milênios de história, e está sendo desenvolvido para o SUS.
Sobre o poder da utilização da planta quebra-pedra na medicina, Rodrigues adianta que as propriedades da quebra-pedra podem auxiliar o Sistema Único de Saúde (SUS) no tratamento da formação de cálculos renais, popularmente conhecidos como pedras nos rins.
Como o nome sugere, a planta acelera a resolução de um problema comum em consultórios e hospitais, agregando mais um recurso na saúde pública brasileira.
Segundo Rodrigues, o fitoterápico recebeu aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para seguir em desenvolvimento, o que se traduz “no incentivo à pesquisa e produção de outros fitoterápicos, além do incentivo à medicina com apoio da biodiversidade brasileira”.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
CFF
Brasil desenvolve primeiro fitoterápico à base de quebra-pedra para distúrbios urinários
CRF – TO
Brasil desenvolve primeiro fitoterápico à base de quebra-pedra para distúrbios urinários
Jornal da USP
Pílula Farmacêutica #181: Fitoterápico à base de quebra-pedra é desenvolvido para o SUS
Ministério da Saúde
Plantas medicinais e fitoterápicos no SUS
Análise Audiovisual
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