Atualizado 22 de abril de 2026
Experimento inédito a bordo do Rover Curiosity em Marte descobriu 20 novas moléculas orgânicas complexas, incluindo compostas nitrogenados precursor do RNA, do DNA, e base da vida.
A descoberta inédita foi publicado pela NASA e na Revista Nature.
Teríamos encontrado as letras de um alfabeto biológico antigo que chegou a formar “palavras” e até a vida, ou apenas uma amostra silenciosa de um planeta habitável mas inerte há bilhões de anos?

A seguir veremos como foi o experimento a bordo do Rover Curiosity e a magnífica descoberta de moléculas precursoras de RNA e DNA em Marte: Uma Diversidade de 20 Moléculas Orgânicas Complexas Confirmadas In Situ. Em texto, imagens e vídeo.
Vídeo 1: Rover Curiosity da NASA encontra os maiores blocos de construção da vida em Marte
Vídeo 2: Vida em Marte? A Descoberta da NASA que Pode Mudar Tudo
Vídeo 3: Novos Sinais de Vida Antiga em Marte
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A descoberta demonstra que Marte já teve os ingredientes químicos essenciais para o surgimento da vida, e condições de habitabilidade
A busca por vida em Marte ganhou o seu capítulo mais sólido. Um experimento inédito e de altíssima precisão a bordo do rover Curiosity confirmou a presença de uma diversidade de 20 moléculas orgânicas complexas no regolito marciano.
O dado mais impactante?
Entre elas estão compostos nitrogenados que são precursores diretos para a formação de RNA e DNA, as moléculas fundamentais da vida como a conhecemos.
Isso não prova a existência de vida passada ou presente, mas demonstra de forma contundente que Marte já teve os ingredientes químicos essenciais para o seu surgimento, e principalmente condições de habitabilidade.

Contudo, a descoberta redefine a habitabilidade do Planeta Vermelho, e apresenta indícios até de possível existência de vida microbiana no passado em Marte.
A grande expectativa desta descoberta é que os instrumentos do Curiosity da NASA encontrou moléculas orgânicas complexas nunca antes detectadas em Marte, bem como a importância destas moléculas para a formação da vida na Terra.
Sete moléculas orgânicas foram identificadas pela primeira vez em Marte, ampliando nossa compreensão sobre os tipos de preservação molecular possíveis na superfície marciana.
Após anos de trabalho em laboratório, uma rocha que o rover Curiosity da NASA perfurou e analisou em Marte contém a coleção mais diversa de moléculas orgânicas já encontrada no Planeta Vermelho.
Das 21 moléculas contendo carbono identificadas na amostra, sete delas foram detectadas pela primeira vez em Marte.

Os cientistas não têm como saber se essas moléculas orgânicas foram criadas por processos biológicos ou geológicos — ambos os caminhos são possíveis —, mas sua descoberta renovou a confirmação de que o Marte antigo possuía a composição química adequada para sustentar a vida.
Além disso, as moléculas se juntam a uma lista crescente de compostos que se sabe serem preservados em rochas mesmo após bilhões de anos de exposição à radiação em Marte, que pode degradar essas moléculas ao longo do tempo.
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Entre as moléculas identificadas está um heterociclo nitrogenado, anel de carbono que inclui nitrogênio, precursor do RNA e do DNA, ácidos nucleicos essenciais para vida
A amostra de rocha, apelidada de “Mary Anning 3” em homenagem a uma colecionadora de fósseis e paleontóloga inglesa, foi coletada em uma parte do Monte Sharp coberta por lagos e riachos bilhões de anos atrás. Localizado na cratera Gale, região que pode ter abrigado condições favoráveis à vida antiga.
Esse oásis surgiu e secou diversas vezes no passado remoto do planeta, enriquecendo a área com minerais argilosos, que são especialmente eficazes na preservação de compostos orgânicos — moléculas que contêm carbono, componentes básicos da vida e encontradas em todo o sistema solar.

Entre as moléculas recém-identificadas está um heterociclo nitrogenado, um anel de átomos de carbono que inclui nitrogênio. Esse tipo de estrutura molecular é considerado um precursor do RNA e do DNA, dois ácidos nucleicos essenciais para a informação genética.
“Essa detecção é bastante significativa porque essas estruturas podem ser precursoras químicas de moléculas nitrogenadas mais complexas”, disse a autora principal do artigo, Amy Williams, da Universidade da Flórida, em Gainesville.
“Heterociclos de nitrogênio nunca foram encontrados antes na superfície de Marte nem confirmados em meteoritos marcianos.”
O experimento in sito a bordo do Rover Curiosity uso pela primeira um reagente específico no instrumento SAM.
O instrumento Análise de Amostras em Marte (SAM), responsável por analisar amostras marcianas, utilizou pela primeira vez o reagente hidróxido de tetrametilamônio (TMAH) para liberar e detectar compostos orgânicos preservados em arenitos ricos em argila.

Entre eles estão moléculas contendo nitrogênio e enxofre, semelhantes às que ajudaram a impulsionar a vida terrestre, embora ainda não seja possível determinar se têm origem biológica ou geológica.
A diversidade química encontrada sugere que parte da matéria orgânica resistiu à diagênese e à intensa radiação marciana ao longo de bilhões de anos.
Outra descoberta empolgante foi o benzotiofeno, uma molécula contendo carbono e enxofre encontrada em muitos meteoritos.
Alguns cientistas acreditam que esses meteoritos, juntamente com as moléculas orgânicas presentes neles, tenham dado origem à química pré-biótica no início do sistema solar.
Segundo Williams, análises com equipamentos sobressalentes do SAM reforçaram que os compostos detectados derivam de carbono macromolecular mais complexo, preservado no subsolo marciano.
A caracterização contínua dessa matéria orgânica é vista como central para avaliar a habitabilidade passada do planeta.
A pesquisa destaca que, após uma década de avanços, a exploração marciana evoluiu da simples busca por moléculas orgânicas para a identificação de compostos nativos, permitindo investigar se sua origem é externa — como poeira meteorítica — ou interna, produzida por processos abióticos ou biológicos.
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O fato de o carbono macromolecular permanecer preservado por longos períodos indica que moléculas maiores associadas à vida podem sobreviver na superfície marciana
Os resultados também se alinham às observações do rover Perseverance, que detectou compostos orgânicos cíclicos e carbono macromolecular com instrumentos diferentes.
O novo estudo complementa a descoberta do ano passado das maiores moléculas orgânicas já encontradas em Marte: hidrocarbonetos de cadeia longa, incluindo decano, undecano e dodecano.
A convergência dos achados sugere que o carbono orgânico pode ser mais bem preservado em Marte do que se imaginava.
As conclusões reforçam que futuros experimentos de termoquimiólise podem revelar bioassinaturas antigas, caso existam. Missões como a do rover europeu Rosalind Franklin e da sonda Dragonfly, que levarão versões do experimento TMAH, devem se beneficiar diretamente dessas descobertas.

Para Williams, o fato de o carbono macromolecular permanecer preservado por longos períodos indica que moléculas maiores — possivelmente associadas à vida — podem sobreviver na superfície marciana.
Isso orienta o desenvolvimento de instrumentos capazes de extrair e identificar esses compostos com maior precisão.
Os cientistas afirmam que os novos resultados ampliam o catálogo de moléculas orgânicas confirmadas em Marte e fortalecem a evidência de que o planeta preserva registros químicos complexos, essenciais para futuras buscas por sinais de vida.
“Esta é a Curiosity e nossa equipe em sua melhor forma. Foram necessárias dezenas de cientistas e engenheiros para localizar este sítio, perfurar a amostra e fazer essas descobertas com nosso incrível robô”, disse o cientista do projeto da missão, Ashwin Vasavada, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, no sul da Califórnia.
“Esta coleção de moléculas orgânicas aumenta mais uma vez a probabilidade de Marte ter abrigado vida em um passado remoto.”
Ambos os conjuntos de descobertas foram feitos com um sofisticado minilaboratório chamado Análise de Amostras em Marte (SAM), localizado no interior do Curiosity.

Uma broca na extremidade do braço robótico do rover pulveriza uma amostra de rocha cuidadosamente selecionada, transformando-a em pó, e então a deposita no SAM, onde um forno de alta temperatura aquece o material, liberando gases que os instrumentos do laboratório analisam para revelar a composição da rocha.
Além disso, o SAM pode realizar “química úmida”, adicionando amostras a um pequeno recipiente com solvente. As reações resultantes podem quebrar moléculas maiores que seriam difíceis de detectar e identificar de outra forma.
Embora o instrumento possua vários recipientes desse tipo, apenas dois contêm hidróxido de tetrametilamônio (TMAH), uma solução potente reservada para as amostras de maior valor. A amostra Mary Anning 3 foi a primeira a ser exposta ao TMAH.
Para verificar as reações do TMAH com materiais extraterrestres, os autores do artigo também testaram a técnica na Terra com um fragmento do meteorito Murchison, um dos meteoritos mais estudados de todos os tempos.
Com mais de 4 bilhões de anos, o Murchison contém moléculas orgânicas que foram disseminadas por todo o sistema solar primitivo.
Uma amostra de Murchison exposta ao TMAH demonstrou quebrar moléculas muito maiores em algumas das moléculas encontradas em Mary Anning 3, incluindo o benzotiofeno.
Esse resultado confirma que as moléculas marcianas encontradas em Mary Anning 3 podem ter sido geradas a partir da decomposição de compostos ainda mais complexos relevantes para a vida.
Recentemente, o rover Curiosity utilizou seu segundo e último copo TMAH enquanto explorava cristas em forma de teia, formadas por antigas águas subterrâneas.
Conforme a NASA, a equipe da missão analisará esses resultados para um futuro artigo científico revisado por pares.
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Equipamentos tão complexos como o SAM no rover exigiu que os engenheiros os miniaturizassem drasticamente e desenvolvessem uma maneira de operá-los a distância
Construído pelo Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, o SAM é baseado em instrumentos de laboratório comerciais maiores.
A inclusão de equipamentos tão complexos no rover exigiu que os engenheiros os miniaturizassem drasticamente e desenvolvessem uma maneira de operá-los com menos energia.
Os cientistas tiveram que aprender a aquecer o forno do SAM mais lentamente e por períodos mais longos para realizar alguns desses experimentos.

“Foi uma façanha descobrir como realizar esse tipo de reação química pela primeira vez em Marte”, disse Charles Malespin, investigador principal do instrumento na NASA Goddard e coautor do estudo. “Mas agora que temos alguma prática, estamos preparados para realizar experimentos semelhantes em missões futuras.”
De fato, o Centro de Pesquisa Goddard da NASA forneceu diversos componentes, incluindo o espectrômetro de massa, para uma versão de próxima geração do SAM, chamada Analisador Molecular Orgânico de Marte, para o rover Rosalind Franklin da ESA (Agência Espacial Europeia).
Um instrumento similar, o Espectrômetro de Massa Dragonfly, explorará Titã, lua de Saturno, a bordo da espaçonave Dragonfly da NASA.
Ambos os instrumentos serão capazes de realizar análises químicas em meio úmido com o solvente TMAH.
Sobre Rover Curiosidade da NASA
O Curiosity foi construído pelo JPL, que é gerenciado pelo Caltech em Pasadena, Califórnia.
O JPL lidera a missão em nome da Diretoria de Missões Científicas da NASA em Washington, como parte do programa de exploração de Marte da NASA.
Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Nature
Several organic molecules on Mars revealed by the first SAM TMAH experiment.
doi.org/10.1038/s41467-026-70656-0
doi.org/10.1038/s41467-026-70081-3
NASA
NASA’s Curiosity Finds Organic Molecules Never Seen Before on Mars
Mars Science Laboratory: Curiosity Rover
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