Atualizado 17 de maio de 2026
Uso de pontas de flecha envenenadas em caçadas recua 53 mil anos mostra pesquisa surpreendente de arqueólogos na África do Sul. Dezenas de milhares de anos antes do que se pensava.
A pesquisa foi publicada nas Revistas Science e Revista Nature.
Uso de armas envenenadas indica característica de tecnologia avançada de caçadores-coletores. Como estas sociedades estavam organizadas? O que mais podemos da história sobre os povos antigos em função dos vestígios que se perderam? Deixe seu comentário!

A seguir veremos como os caçadores coletores usavam venenos nas pontas de flechas, caçavam com elas, e os significados desta preciosa descoberta. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Como Humanos Separados Inventaram a Mesma Arma.
Vídeo 2: A origem das flechas envenenadas – há 60.000 anos
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Use de tecnologias sofisticadas de caça como o uso de venenos nas armas era tido como improvável em tempos muito recuados
Desde que os ancestrais humanos passaram a usar carne em sua dieta os arqueólogos observam o uso crescente de artefatos e armas para a caça. O habito de comer carne forçou o desenvolvimento de técnicas de caça com o auxílio de armas.
A adaptação humana ao consumo de carne trouxe diversas vantagens evolutivas para o grupo, incluindo resistência a certas doenças, aumento da expectativa de vida e crescimento neuronal.
Contudo, determinados tipos de tecnologias sofisticadas de caça, como o uso de venenos nas armas, era tido como improvável em tempos muito recuados.

Pois, até aqui, as evidência mais antiga do uso de veneno para flechas em todo o mundo era considerada proveniente do Egito, datando de 4 mil anos atrás, e 7 mil anos atrás na África do Sul, apenas.
Com uma descoberta surpreendentes, arqueólogos na Africa do Sul fizeram recuar drasticamente o uso de veneno em caçadas.
Uma pesquisa inédita realizada na África do Sul revelou que o uso de veneno em pontas de flecha recua impressionantes 60 mil anos. Um recuo de 53 mil anos em relação ao que se conhecia.
A descoberta demonstra que os caçadores-coletores da Idade da Pedra desenvolveram métodos de caça complexos e conhecimentos químicos de toxicidade muito antes do que a ciência anteriormente supunha.
O uso de armas de caça envenenadas representa uma inovação notável nas estratégias de obtenção de carne e tem intrigado pesquisadores por séculos, com trabalhos neurocognitivos recentes destacando como essa tecnologia pode contribuir para nossa compreensão do desenvolvimento da complexidade técnica e cognitiva.

As pontas de flecha contendo veneno foram encontradas no sítio arqueológico da África do Sul, em Umhlatuzana Rock Shelter, na província de KwaZulu-Natal. Um dos locais com os registros mais ricos do Pleistoceno tardio, entre 126.000 e 11.700 anos atrás, no último ciclo glacial, quando surgiram os Homo sapiens.
Essa é um daquelas descobertas pontuais, mas que alterará toda as interpretações sobre as sociedades deste passado, antes desta época e após.
Antecipar a cronologia da inovação em dezenas de milhares de anos em relação ao que se sabia anteriormente reforça a ideia de que os primeiros Homo sapiens tinham capacidade para planejamento estratégico complexo.
Entender que uma substância aplicada a uma flecha enfraquecerá um animal horas depois exige raciocínio de causa e efeito e a capacidade de antecipar resultados futuros. autor principal, Sven Isaksson , arqueólogo da Universidade de Estocolmo.
As evidências apontam para humanos pré-históricos com habilidades cognitivas avançadas, conhecimento cultural complexo e práticas de caça bem desenvolvidas.
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Vídeo 1: Como Humanos Separados Inventaram a Mesma Arma.
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Caçar com veneno reduz o risco e exige planejamento: As flechas envenenadas não matavam a presa, reduzia o tempo e a energia para rastrear o animal ferido
As evidências provêm do abrigo rochoso de Umhlatuzana, na província de KwaZulu-Natal, na África do Sul.
O sítio foi parcialmente escavado na década de 1980 para preservar material arqueológico que poderia ser danificado durante a construção da rodovia N3 entre as cidades de Durban e Pietermaritzburg.
A descoberta representa um conjunto formado por 216 pontas de flecha em quartzo enterrado na região de KwaZulu-Natal, na África do Sul.

Dez das flechas escavadas pelos pesquisadores na região revelaram resíduos microscópicos ainda preservados e, dentre essas, cinco carregavam substâncias vegetais tóxicas consideradas venenosas.
Com uma nova análise microquímica e biomolecular de compostos presentes em flechas antigas de KwaZulu-Natal, na África do Sul, pesquisadores da Universidade de Estocolmo, na Suécia, encontraram vestígios de veneno de plantas nativas da África Austral.
A análise confirmou de forma contundente a existência de veneno em pontas de flechas de pedra da África do Sul datadas de 60.000 anos atrás.
Essa é a evidência direta mais antiga de caça com flechas envenenadas.
Vestígios de veneno já haviam sido encontrados em um pedaço de madeira e em um pedaço de cera de abelha datados de 35.000 a 25.000 anos atrás na Caverna da Fronteira, em KwaZulu-Natal. Mas essas evidências foram interpretadas como indícios indiretos do uso de venenos para caça em tempos antigos.
Os compostos detectados foram os alcaloides buphanidrina e epibuphanisine, substâncias associadas à planta Boophone disticha, conhecida por suas propriedades altamente tóxicas e ainda usada por caçadores da África Austral como veneno de armamentos.

Na caça por persistência, as flechas envenenadas geralmente não matavam a presa instantaneamente. autor principal do estudo, Sven Isaksson, professor de ciência arqueológica do Laboratório de Pesquisa Arqueológica da Universidade de Estocolmo.
Em vez disso, o veneno ajudava os caçadores a reduzir o tempo e a energia necessários para rastrear e exaurir um animal ferido.
Análises químicas e moleculares do resíduo tóxico sugerem que ele provém de uma planta chamada Boophone disticha, também conhecida como bulbo venenoso do bosquímano, que cresce em toda a África do Sul.
Comunidades indígenas, incluindo os povos San e Khoe, utilizam a planta há muitos anos tanto por suas propriedades tóxicas quanto medicinais.
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Vídeo 2: A origem das flechas envenenadas – há 60.000 anos
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O veneno das plantas nativas tóxicos têm uma longa duração. Os antigos caçadores-coletores conheciam o perigo e não guardavam nas suas moradias
Esta pesquisa recente revelou a presença dos alcaloides tóxicos bufandrina e epibufanisina em cinco das dez pontas de flecha analisadas em Umhlatuzana.
Conforme a Marlize Lombard, professora de Arqueologia da Idade da Pedra, Instituto de Paleo-Pesquisa, Universidade de Joanesburgo, esses são os mesmos alcaloides também foram encontrados em pontas de flecha de osso coletadas por viajantes suecos na região há 250 anos.
Isso indica que o mesmo veneno para flechas foi usado por muitos milênios no sul da África.

Ambos os alcaloides podem ser encontrados em diversas espécies da família Amaryllidaceae, uma família de plantas com flores que crescem a partir de bulbos, no sul da África.
No entanto, reporta a professora Marlize Lombard, apenas a planta conhecida popularmente como gifbol (bulbo venenoso, Boophone disticha) é reconhecidamente utilizada como fonte de veneno para flechas. O bulbo da planta contém um suco tóxico (exsudato).
A descoberta desses alcaloides específicos em cinco das dez pontas de flecha de quartzo estudadas não pode ser mera coincidência. Os antigos caçadores-coletores estariam familiarizados com as propriedades tóxicas dos exsudatos de gifbol.
Por exemplo, há cerca de 77.000 anos, os habitantes da mesma região também compreendiam as propriedades inseticidas e larvicidas de algumas folhas aromáticas utilizadas como forro de cama. Portanto, provavelmente não guardavam a substância gifbol em suas moradias.
Substâncias com moléculas de bufandrina e epibufanisina não são usadas comercialmente nem na conservação arqueológica, descartando a contaminação moderna acidental das pontas das flechas.

Os bulbos de Gifbol podem sobreviver por um século ou mais, apesar dos ciclos de seca e dos regimes de incêndio. A planta é nativa da África do Sul, prosperando em pastagens, savanas e vegetação do Karoo.
Ela é amplamente distribuída pelas regiões sul, leste e norte da África do Sul, crescendo a um dia de caminhada do Abrigo Rochoso de Umhlatuzana atualmente.
Por diversas razões é provável que também estivesse disponível para os habitantes do local milhares de anos atrás.
Os produtos químicos tóxicos presentes no bulbo têm uma longa duração.
Eles não se decompõem facilmente, mesmo em ambientes úmidos, e interagem bem com superfícies minerais como pontas de flechas de pedra. Provavelmente por isso, sobreviveram por 60.000 anos em Umhlatuzana.
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Pontas de flecha envenenadas mais antigas do mundo: Os antigos caçadores tinham alto conhecimento para identificar, extrair e aplicar exsudatos tóxicos de plantas com eficácia
As pontas de flechas de quartzo com veneno de gifbol representam agora a primeira evidência direta de caça com flechas envenenadas no sul da África e em todo o mundo – há 60.000 anos.
Isso demonstra que esses antigos caçadores com arco possuíam um sistema de conhecimento que lhes permitia identificar, extrair e aplicar exsudatos tóxicos de plantas com eficácia.

Eles também deviam compreender a ecologia e o comportamento das presas para saber que o efeito retardado do veneno injetado em um animal o enfraqueceria após algum tempo. Isso facilitaria a perseguição, uma técnica conhecida como caça por persistência.
Essa ação fora do campo de visão e a longa distância é um indicador convincente de cognição complexa que requer inibição de resposta (ser capaz de adiar uma ação por um motivo).
Como o veneno não é uma força física, mas age quimicamente, os caçadores também devem ter se baseado em planejamento avançado, abstração e raciocínio causal.
Assim, relata a arqueóloga Marlize Lombard, além de fornecer a primeira evidência direta de caça com flechas envenenadas, as descobertas contribuem para a compreensão da adaptação humana, da complexidade tecno-comportamental e do comportamento humano moderno no sul da África.
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Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Science
Revista Nature
The oldest known poisoned arrows demonstrate the technological prowess of Stone Age humans.
http://doi.org/10.1038/d41586-026-00051-8
The Conversation
Arrow tips found in South Africa are the oldest evidence of poison use in hunting
Universidade de Estocolmo
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Curiosidades Desvendadas: Como Humanos Separados Inventaram a Mesma Arma.
Vídeo 2 Pathways of the Past: A origem das flechas envenenadas – há 60.000 anos
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