Atualizado 9 de agosto de 2026
Pesquisas com Radar Lidar estimam de forma surpreendente que a Amazônia foi habitada por uma grande civilização de até 10 milhões de pessoas, cobrindo 90 % do território, que compartilhavam a sofisticada cultura comum Aquiry, construtores de geoglifos monumentais, grandes centros para fins políticos e rituais, Cerâmicas ornamentadas e as “terras pretas de índio” para plantio, até longe dos cursos de água, nos interflúvios. Muito além do que se imaginava.
A pesquisa foi publicada na Revista Nature.
Essas descobertas provocam uma revisão profunda sobre a ocupação humana pré-colombiana na Amazônia, contrariando a visão aristotélica de que os trópicos não seriam lugar para desenvolver grandes civilizações.
A tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) simplesmente rasgou a cortina da floresta e varreu a antiga visão eurocêntrica de que a Amazônia era um “deserto verde” habitado apenas por pequenos grupos seminômades.
Revelar a cultura Aquiry — com uma população estimada em até 10 milhões de pessoas, cobrindo 90% do território, com geoglifos monumentais, arquitetura de interflúvio e a criação intencional da fertilíssima Terra Preta de Índio — prova que a Amazônia foi uma das paisagens mais domesticadas e urbanizadas do mundo antigo.

Gosta de Ciência? Inscreva-se Grátis, Receba o Kit Nature & Space:
1. E-Book: "Astrobiologia e as Origens da Vida no Universo"
2. Acesso à Nature & Space TV
3. Radar Semanal
A seguir veremos que uma nova pesquisa realizada no Acre, Brasil, confirma que a Amazônia foi habitada por uma complexa sociedade que cobria 90% do território. A sofisticada cultura que Aquiry ergueu geoglifos gigantes, centros rituais e desenvolveu a Terra Preta em áreas distantes dos rios. Em texto, imagens e vídeos.
Vídeo 1: Estruturas Ocultas Revelam Que A Amazônia Abrigou Uma Civilização Gigante
Vídeo 2: Encontraram Ratanabá na Amazônia?
▶️ Assista Nature & Space TV
Sua TV de Ciência e Tecnologia

LEIA MAIS
Indígenas Sul-americanos São Diversos e Descendem de Terceira Onda Migratória | Nature & Space
Decifrado Enigma da Arte Rupestre na Amazônia da Era Glacial | Nature & Space
Antigos Milharais na Bolívia Ajudaram a Domesticar o Pato | Nature & Space
A Enigmática Dispersão das Castanheiras na Amazônia | Nature & Space
Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!
O Fim do Mito do “Deserto Verde”: Amazônia Abrigou sofisticada Civilização de Até 10 Milhões de Pessoas, há 2 mil anos
Por mais de um século, a narrativa dominante na arqueologia sustentava que a Floresta Amazônica seria um ambiente hostil demais para suportar grandes adensamentos urbanos.
Acreditava-se que apenas pequenas populações nômades conseguiam sobreviver às margens dos grandes rios. Desde as previsões enganosas de Aristóteles afirmava-se que os trópicos não seriam um bom lugar para desenvolver grandes civilizações.
No entanto, a introdução de varreduras a laser por radar remoto (LiDAR) a bordo de aeronaves mudou a história da humanidade na América do Sul.

Ao atravessar a densa copa das árvores, a tecnologia revelou uma realidade monumental sob a vegetação: há 2 mil anos, a Amazônia abrigou uma vasta civilização integrada de até 10 milhões de habitantes, revelando uma engenharia e uma sofisticação social muito além do que a ciência jamais imaginou.
Uma nova pesquisa realizada com escaneamento a laser aerotransportado revela que uma civilização multicultural que floresceu no sudoeste da Amazônia entre 600 a.C. e 850 d.C. abrigava milhões de pessoas.
Abrangendo aproximadamente 183.000 quilômetros quadrados (71.000 milhas quadradas), a civilização Aquiry construiu grandes centros para fins políticos e rituais.
Ao examinar uma seção representativa da área, os pesquisadores identificaram os vestígios de mais de 400 sítios bem preservados de arquitetura cerimonial monumental, juntamente com alguns sítios de assentamentos posteriores.
Extrapolando suas descobertas para todo o território da civilização, os pesquisadores chegaram a uma estimativa cautelosa de mais de 20.000 antigos centros cerimoniais de terraplenagem. O maior sítio conhecido abrange 50 hectares (124 acres).

Levantamentos abrangentes e datação por radiocarbono mostraram que o território Aquiry — que representa menos de 3% da Grande Amazônia — já abrigava entre 1,25 e 3 milhões de pessoas no início do primeiro milênio.
Essa descoberta desafia estimativas anteriores, mais conservadoras, da população em toda a região amazônica, que variavam entre 1 milhão e 10 milhões. A população total da Amazônia pode ter chegado às dezenas de milhões.
“Nossas descobertas derrubam nossa compreensão do passado da região amazônica”, diz o professor emérito da Universidade de Helsinque, Lider do estudo publicado na revista Nature
A nova pesquisa confirma o que os arqueólogos brasileiros já haviam encontrado e estimado: mais de dez milhões de habitantes e grandes civilização na antiguidade da Amazônia
A arqueologia brasileira realizou, nas últimas décadas, uma “pequena revolução”. A expressão é do arqueólogo Eduardo Góes Neves, diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).
E a revolução a que ele refere se deu exatamente em seu campo de estudo: a Amazônia.
Desmentindo a falácia transformada em slogan pela ditadura militar, de que a Amazônia seria uma terra sem gente para uma gente sem terra, sua linha de pesquisa revelou que a região já foi densamente povoada, por 8 a 10 milhões de pessoas, e que esse povoamento remonta há, no mínimo, 8 mil anos, talvez bem mais do que isso.
Frutos de uma pesquisa de mais de 15 anos, sempre conduzida com auxílios da FAPESP, as conclusões de Neves foram apresentadas em um livro acessível aos leitores não familiarizados com a linguagem técnica da arqueologia: “Sob os tempos do equinócio: oito mil anos de história na Amazônia Central” (Editora Ubu).
Ao contrário do que diz a cronologia oficial, que remonta o início da história do Brasil à chegada dos colonizadores europeus, em 1500, o território que compõe atualmente o país tem uma história muito antiga, de aproximadamente 12 mil anos.
A arqueologia descobriu que, nesse longo período, a Amazônia sempre foi uma região densamente povoada. Fragmentos de artefatos encontrados sob florestas supostamente virgens, geoglifos e a chamada terra preta são sinais importantes dessa encorpada presença humana na região,
A seguir veremos como a tecnologia Lidar está permitindo reescrever o passado dos povos da Amazônia e os significados para a historiografia e para os povos indígenas.
▶️ Assista Nature & Space TV
Sua TV de Ciência e Tecnologia

Vídeo 1: Estruturas Ocultas Revelam Que A Amazônia Abrigou Uma Civilização Gigante!
LEIA MAIS
Pesquisa Revela Grande Diversidade Genética no Brasil | Nature & Space
SUS Inicia Terapia Inédita Contra a Malária em Dose Única Para Crianças no Brasil | Nature & Space
Roupas de Pele Costuradas de 12 Mil Anos Podem Ser as Mais Antigas | Nature & Space
Caral e Peñico: Civilização Megalítica de 5 Mil Anos no Peru | Nature & Space
Origens das Agriculturas e o Longo Processo de Domesticação Surgiram em 24 Locais | Nature & Space
Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!
Apoie a Continuidade do Nature & Space Doando Qualquer Valor
Chave PIX: contato@naturespace.com.br
A Cultura Aquiry: Engenharia monumental, agricultura de Terra Preta, Organização sociopolitica horizotal e Urbanismo de Interflúvio
Os dados mapeados revelam o domínio da chamada cultura Aquiry, uma rede de sociedades altamente estruturadas que ocupavam cerca de 90% do território amazônico, expandindo-se muito além das várzeas e ocupando os interflúvios (regiões secas entre as bacias hidrográficas):
Cerâmicas Ornamentadas e Redes de Troca: A produção de artefatos cerâmicos complexos e padronizados demonstra a existência de especialização do trabalho e rotas comerciais de longa distância por toda a bacia continental.

Geoglifos Gigantes e Centros Políticos: Estruturas de terra escavadas geometricamente (círculos, quadrados e hexágonos perfeitos) com centenas de metros de diâmetro, conectadas por estradas elevadas e utilizadas para funções rituais, administrativas e astronômicas.
Terras Pretas de Índio (TPA): A prova definitiva do manejo agrícola avançado. A civilização Aquiry criou solos de alta fertilidade artificial misturando carvão vegetal, matéria orgânica e cerâmica, permitindo a agricultura intensiva de alimentos mesmo longe dos grandes rios.
Floresta moldada por mãos humanas: Amazônia é uma floresta cultural
Os Aquiry deixaram sua marca na paisagem amazônica. Eles queimavam florestas dominadas por bambus para abrir espaço para plantações de milho, abóbora e mandioca, para centros cerimoniais monumentais e para as largas estradas que levavam a eles.

A família Aquiry também praticava horticultura e cuidava de espécies arbóreas valiosas.
A pesquisa mostra que o impacto humano no meio ambiente da Amazônia tem sido muito maior do que se acreditava anteriormente, observa Pärssinen.
Diversas espécies de árvores ricas em proteínas na região — incluindo a castanheira-do-pará, a pupunha, também valorizada por seu palmito comestível, e várias outras árvores frutíferas — demonstraram refletir a interação humana a longo prazo.
O Aquiry também promoveu a disseminação de árvores de importância cultural em detrimento de outras espécies.
Isso tem implicações diretas para nossa compreensão da história biocultural da região. A civilização também afetou a produção e o balanço de carbono da Amazônia antiga, o que deve ser melhor considerado em futuros modelos climáticos, acrescenta Pärssinen.
▶️ Assista Nature & Space TV
Sua TV de Ciência e Tecnologia

Vídeo 2: Encontraram Ratanabá na Amazônia?
LEIA MAIS
Pesquisa Revela: Civilização Maia Teve 16 Milhões de Pessoas e Durou 3 Mil Anos | Nature & Space
Fósseis Revelam: Humanos Chegaram às Américas 10 Mil Anos Antes do Que se Pensava | Nature & Space
Descoberta do Maior Centro Científico e Ritual Maia Com 3 mil anos Muda História | Nature & Space
Decifrado Calendário Maia: 20 Períodos de 819 Dias, 45 Anos
Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!
A Floresta Como Paisagem Cultivada
As descobertas arqueológicas reescrevem também a ecologia da Amazônia.
A floresta exuberante que vemos hoje não é um ambiente intocado pela mão humana, mas sim o resultado de milênios de agrofloresta e domesticação botânica realizada pela civilização Aquiry.
Espécies de árvores de alto valor nutritivo e econômico, como o açaí, a castanha-do-pará e o cacau, foram plantadas seletivamente em escala monumental ao redor dos grandes assentamentos.

A Amazônia pré-colombiana era, em essência, um gigante pomar cultivado com harmonia biológica e sustentabilidade.
A varredura a laser revela vestígios de modificação do solo
A pesquisa foi conduzida utilizando escaneamento a laser aerotransportado, ou LiDAR.
Essa tecnologia mapeia as formas de relevo sob a vegetação, e o levantamento revelou milhares de vestígios da antiga civilização em partes da floresta tropical até então inexploradas.
O escaneamento a laser cobriu uma área de aproximadamente 4.500 quilômetros quadrados (1.700 milhas quadradas), dos quais mais da metade foi utilizada para a avaliação sistemática das estruturas de terraplenagem da civilização.

Sobrevoamos transectos retos com aproximadamente 450 quilômetros (280 milhas) de comprimento, mapeando uma faixa de cerca de 1 quilômetro (0,6 milha) de largura a cada 10 quilômetros (6 milhas). Isso nos permitiu cobrir a maior área contínua possível”, diz o professor Juha Hyyppä, do Instituto Finlandês de Pesquisa Geoespacial (Serviço Nacional de Cadastro da Finlândia), responsável pela execução técnica do estudo.
As características detectadas incluem grandes formas geométricas e estradas retas.
Suas dimensões, formas, métodos de construção e localizações variadas refletem as características geográficas e culturais distintas da região, observa Risto Kalliola, professor emérito da Universidade de Turku.
Segundo as tradições orais nativas, esses centros foram construídos para fomentar relações entre as comunidades e com outros seres importantes, servindo também como locais para encontros, tomadas de decisões políticas e demonstrações de generosidade dos chefes.
As cerimônias incluíam danças rituais, música, banquetes, competições atléticas e jogos de bola.
LEIA MAIS
O Enigma da Sofisticada Civilização Tiwanaku Há 2500 Anos | Nature & Space
Descoberta do Maior Centro Científico e Ritual Maia Com 3 mil anos Muda História | Nature & Space
Gobekli Tepe: A Incrível Construção Feita Há 11,5 Mil Anos | Nature & Space
O Sofisticado Sepultamento, Há 28 Mil Anos, Sungir, Rússia | Nature & Space
Artefatos de 40 Mil Anos Sugerem Navegação Oceânica Aberta | Nature & Space
Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!
O Respeito ao Saber Ancestral
Reconhecer que a Amazônia abrigou milhões de pessoas em cidades florestais sustentáveis não é apenas uma vitória da arqueologia moderna, mas uma lição fundamental para o futuro do planeta.
A civilização Aquiry provou ser possível densificar populações, erguer monumentos e gerar riqueza sem destruir a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo.

Compreender a engenharia do passado amazônico é o primeiro passo para construirmos modelos de desenvolvimento verdadeiramente integrados com a natureza no presente.
Uma civilização sem ruínas de pedra
Sabe-se relativamente pouco sobre a civilização Aquiry. Seu território tinha um tamanho aproximadamente equivalente ao da Síria moderna.
Como a região não possui rochas, não restam ruínas de pedra, mas as monumentais estruturas geométricas de terraplenagem — conhecidas como geoglifos amazônicos — revelam, mesmo assim, a dimensão dessa civilização.
O nome Aquiry deriva do nome que os povos indígenas davam ao rio Acre. Não se tratava de um único território, mas de uma rede de muitas comunidades diferentes, observa o professor de estudos indígenas da Universidade de Helsínquia.
Não se sabe quais línguas eram faladas nessas comunidades, nem como elas se autodenominavam.
Também não se sabe o que causou o aparente colapso rápido da civilização por volta de 850 d.C.
Quase na mesma época, a civilização maia clássica na América Central também entrou em colapso de forma relativamente abrupta.
Ficha Técnica da Descoberta Arqueológica
- Tecnologia Utilizada: Varredura por Radar LiDAR (Mapeamento a laser do relevo).
- Estimativa Populacional: De 8 a 10 milhões de habitantes há cerca de 2.000 anos.
- Aparato Cultural: Cultura Aquiry (Construção de geoglifos, estradas e cerâmica complexa).
- Alcance Territorial: Mapeamento em 90% do território, com forte presença nos interflúvios.
- Manejo Ambiental: Criação de Terra Preta de Índio e domesticação de espécies vegetais.
LEIA TAMBÉM
Pão Antecedeu a Agricultura: Há 14 Mil anos Era Multi Grãos | Nature & Space
Cães e Humanos Há 15 Mil Anos Já Tinham Vínculos de Amizade, Mostra Paleogenética | Nature & Space
▶️Siga Nature & Space TV no Youtube
Navegue Novos Mundos Todo Dia!

Bibliografia
Curadoria Técnica e Análise Audiovisual: Conteúdo Bibliográfico e Audiovisual Selecionado e Validado por Dr. Sergio Almeida Loiola – CV Lattes/CNPq.
Revista Nature
More than 20,000 pre-colonial earthworks in southwestern Amazonia.
https://doi.org/10.1038/s41586-026-10835-7
Earth movements detected in the Amazon suggest the existence of a vast ancient civilization.
https://doi.org/10.1038/d41586-026-02367-x
Livro: Sob os tempos do equinócio: oito mil anos de história na Amazônia Central
Agência Fapesp
A Amazônia foi densamente povoada no passado e a ação humana moldou a floresta existente hoje
Laser detecta geoglifos escondidos na Amazônia
Análise Audiovisual
Vídeo 1 Ciência News: Estruturas Ocultas Revelam Que A Amazônia Abrigou Uma Civilização Gigante
Vídeo 2 Um Evolucionista Cansado: Encontraram Ratanabá na Amazônia?
Política de Uso
Compartilhar é Livre. Ajude-nos Citando o Link Deste Artigo!














